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Tuesday, August 25, 2009
Às vezes
penso que sou muito engraçado. A seguir reflicto, tento pôr-me à prova. Chego à conclusão que, de facto, sou muito engraçado. E que tenho muitas outras qualidades muito boas e não muito comuns, até atrevo-me a dizer especiais. E depois fico deprimido.
Tuesday, August 04, 2009
Um grande, grande aperto no coração e um grande, grande nó no estômago
É assim que eu reajo desde há alguns (não, há muitos) dias a praticamente tudo o que vejo, leio, sinto, penso, lembro, relembro, oiço... quer esteja relacionado com a minha vida (directa ou indirectamente), quer seja sobre coisas ou acontecimentos fora da minha vida mas que me interessam. E tudo, tudo, tudo o que capto no meu radar tem-me interessado, parece que redescobri aquela super-curiosidade que tive em tempos, quando era criança.
Essa hiper-sensibilidade é o resultado, entre outros, de muitas implosões, que são a coisa mais constante em mim. Que cada vez cicatrizam pior ou já nem isso.
Essa hiper-sensibilidade é o resultado, entre outros, de muitas implosões, que são a coisa mais constante em mim. Que cada vez cicatrizam pior ou já nem isso.
Saturday, July 04, 2009
Os meus sonhos são o amanhã que ficou para trás
Que alívio que seria já ser velho! Poderia aguentar muitas coisas sem tanta preocupação, até com um certo alívio, porque já não teria a responsabilidade de ter de conquistar coisas que ainda tenho de conseguir e que, por muito que queira, não consigo. Não dá. Não tenho meios para chegar lá.
Assim, a vida é um fardo quotidiano. Que pesa mais um grama a cada dia que passa.
Assim, a vida é um fardo quotidiano. Que pesa mais um grama a cada dia que passa.
Friday, May 01, 2009
O cão de Pavlov

Hoje vi o presidente da CM Lisboa num debate na televisão a fazer aquilo que os maus políticos (que no PS são quase todos) fazem: tentam limpar a imagem do seu partido, não querendo saber se o que dizem é verdadeiro ou falso, o que interessa é que a imagem fique imaculada aos olhos dos outros, por isso não se pode beliscar essa "pureza".
Lembrei-me dos reflexos de Pavlov, quando o cãozinho reagia após tocarem o sino ("reflexos condicionados", dizia). Portanto: se alguém diz algo menos simpático relativo à imagem das cores que defendo, tenho de reagir de imediato, como alguém que tenta apagar um mini-incêndio que tenha acabado de se deflagrar. Não para esclarecer se o que se disse é verdade ou falso, mas para que a tal imagem não fique beliscada.
O mais triste (e é por isso que que me apetece escrever sobre isto) é que parece que é disso mesmo que o povo gosta. A pequena burguesia que é parte significante deste país e que decide as eleições, e que a esquerda julga ser a sua base de apoio natural, é ela mesma que alimenta não só o capitalismo (que em si nada tem de mal), mas também pede discursos medíocres e populistas em vez de raciocínio, bom-senso e riqueza de espírito.
Os políticos que temos são feitos à imagem do povo que temos. Se Sócrates e os governantes são assim é por pragmatismo e não por ideologia. Se o povo gostasse de outro tipo de pessoas, não teríamos outro tipo de políticos no poder mas sim os mesmos a comportarem-se de maneira diferente. É uma pescadinha-de-rabo-na-boca.
Pegando nisto e no não poderem beliscar, pôr em causa o que somos, temos uma sociedade muito acriançada e muito pouco desenvolvida. As pessoas, em média, só querem ter conhecimentos técnicos que lhes permitam ter um emprego que lhes permita ter um estilo de vida tendencialmente materialista e consumista. Vivem embriagados nessa filosofia. O resto não interessa, não lhes diz respeito. Não têm um mínimo de cultura, seja em que àrea for. E não querem passar das aparências.
É disto que que não vejo os políticos e a comunicação social (esta também merece muitos puxões de orelhas) falar. E por isso temos a sociedade que temos. E os políticos que temos. Se eu fosse realizador de cinema ou escritor, era este o tipo de material que escolheria para as minhas obras (porque também as novelas e o nosso cinema andam distraídos com outras coisas ou com abordagens fracas, repisando clichés atrás de clichés), para além do amor.
Wednesday, April 15, 2009
.
Não sou de vanglórias nem de falsas modéstias. Dito isto, e reflectindo bem, é um milagre ter chegado onde estou no tempo sem ter ficado pelo menos um pouco psicótico. Não, a lucidez é minha amiga e não se vai embora. É importante, é uma boa ajuda. Mas não resolve nada. E as pressões e tensões e conflitos não são só memórias difícieis e distantes do passado. São demónios persistentes. Daqueles que acorrentam, com vigor e temosia.
Mente lúcida + demónios = justaposição complexa, muito difícil de equilibrar. Como ter de andar todo o tempo com um copo com líquido até ao limite na mão, sempre com cuidado extremo para não entornar. Porque se entorna, é um alívio no princípio, mas depois volta a encher e a ficar ainda um bocadinho mais cheio. Até os malabaristas mais experimentados tremeriam de respeito perante tão complicado e estúpido desafio.
Porque quando os que deveriam servir de nosso suporte emocional são a causa para ele não não estar lá, o tapete sai debaixo dos pés e deixa-nos o resto da vida à procura dele, porque o coração e a mente informam-nos que só assim é possível avançar. Sinto ser uma tarefa impossível, tão complicada como descobrir o Santo Graal, a Atlântida ou as Misteriosas Cidades do Ouro, quando só quero ter um chão firme onde possa pôr-me de pé, em segurança.
Não sendo assim, pode-se ter potencial e talento de um lado mas as forças que estão do outro deixam-lhes encalhados. Presos num corpo e mente que não os pode puxar para fora deles. Ficam guardadinhos, o seu peso intensificando a dor. Mais valia ser uma pessoa banal, talvez, porque assim o sofrimento era outro, também ele mais corriqueiro e assim menos custoso.
E a lucidez pode não querer ficar para sempre. Pode fartar-se, porque a paciência é santa mas não gosta que a indolência se perpetue. As estatísticas dizem que quem passa uma vida assim pode criar falhas comprometedoras em partes demasiado importantes do nosso cérebro. E, depois de uma vida difícil, no final é que começa a doer. Não quero esse triste fim.
Mente lúcida + demónios = justaposição complexa, muito difícil de equilibrar. Como ter de andar todo o tempo com um copo com líquido até ao limite na mão, sempre com cuidado extremo para não entornar. Porque se entorna, é um alívio no princípio, mas depois volta a encher e a ficar ainda um bocadinho mais cheio. Até os malabaristas mais experimentados tremeriam de respeito perante tão complicado e estúpido desafio.
Porque quando os que deveriam servir de nosso suporte emocional são a causa para ele não não estar lá, o tapete sai debaixo dos pés e deixa-nos o resto da vida à procura dele, porque o coração e a mente informam-nos que só assim é possível avançar. Sinto ser uma tarefa impossível, tão complicada como descobrir o Santo Graal, a Atlântida ou as Misteriosas Cidades do Ouro, quando só quero ter um chão firme onde possa pôr-me de pé, em segurança.
Não sendo assim, pode-se ter potencial e talento de um lado mas as forças que estão do outro deixam-lhes encalhados. Presos num corpo e mente que não os pode puxar para fora deles. Ficam guardadinhos, o seu peso intensificando a dor. Mais valia ser uma pessoa banal, talvez, porque assim o sofrimento era outro, também ele mais corriqueiro e assim menos custoso.
E a lucidez pode não querer ficar para sempre. Pode fartar-se, porque a paciência é santa mas não gosta que a indolência se perpetue. As estatísticas dizem que quem passa uma vida assim pode criar falhas comprometedoras em partes demasiado importantes do nosso cérebro. E, depois de uma vida difícil, no final é que começa a doer. Não quero esse triste fim.
Sunday, April 05, 2009
Febre de Sábado a começar a seguir ao almoço
Chegar muito tarde e mal-disposto e trombalhudo ao sítio onde tenho de estar.
Pensar "vou? não vou? vou? não vou? vou?" ao filme de hoje (ontem) da festa do cinema italiano durante horas (a tarde quase toda), para lá me decidir a ir, mesmo que isso signifique ficar quase 2 horas antes do filme começar sem fazer nada e chegar a casa bem de madrugada. E jantar porcarias.
Passar a tarde a evitar conversar, porque não estou com vontade e não quero sentir o meu cérebro explodir.
Chegar ao cinema, ir buscar uns quantos postais e ler umas críticas que estão colocadas à porta das salas e ter de levar com 2 italianos a olharem para mim como se estivesse a invadir um qualquer espaço só deles. Se ainda não arrumaram tudo como queriam, não se preocupem que não vos incomodo. Ou se quiserem ficar mais à vontade, aconselho-vos a não estarem num local público.
Chegar à bilheteira e descobrir que os bilhetes esgotaram à 1 da tarde. E ficar logo sem vontade de ir ao cinema, ver filmes italianos ou raios que os partam, durante semanas ou meses.
Aproveitar a vantagem de ter, agora, de ficar 1 hora e meia à espera do próximo transporte para casa e ver se, finalmente, vou comprar uns ténis ou uns sapatos ou qualquer coisa que enfie no pé sem ficar com os dedos à mostra que não tenham buracos ou não estejam muito gastos. Dou a volta habitual. Como é possível que num centro comercial inteiro não haja nada de que goste? Foda-se.
Depois vou à Bertrand e à feira do livro usado fingir que estou interessado em comprar alguma coisa e esquecer-me que desde o início do ano só li 2 livros e uns contos.
E é verdade, o meu cartão Lisboa Viva a não querer funcionar, sobretudo quando tenho muitas pessoas atrás de mim. Mas não fico stressado, não tenho feitio para isso. Fico sim ainda mais apático. Mais uma camada.
Finalmente, chegar a casa e continuar inundado de tédio. Comer mais qualquer coisa e passar o resto da noite na net.
Isto é o mais próximo que tive de animação, ultimamente.
Isto é pobre.
Isto é um desperdício.
Pensar "vou? não vou? vou? não vou? vou?" ao filme de hoje (ontem) da festa do cinema italiano durante horas (a tarde quase toda), para lá me decidir a ir, mesmo que isso signifique ficar quase 2 horas antes do filme começar sem fazer nada e chegar a casa bem de madrugada. E jantar porcarias.
Passar a tarde a evitar conversar, porque não estou com vontade e não quero sentir o meu cérebro explodir.
Chegar ao cinema, ir buscar uns quantos postais e ler umas críticas que estão colocadas à porta das salas e ter de levar com 2 italianos a olharem para mim como se estivesse a invadir um qualquer espaço só deles. Se ainda não arrumaram tudo como queriam, não se preocupem que não vos incomodo. Ou se quiserem ficar mais à vontade, aconselho-vos a não estarem num local público.
Chegar à bilheteira e descobrir que os bilhetes esgotaram à 1 da tarde. E ficar logo sem vontade de ir ao cinema, ver filmes italianos ou raios que os partam, durante semanas ou meses.
Aproveitar a vantagem de ter, agora, de ficar 1 hora e meia à espera do próximo transporte para casa e ver se, finalmente, vou comprar uns ténis ou uns sapatos ou qualquer coisa que enfie no pé sem ficar com os dedos à mostra que não tenham buracos ou não estejam muito gastos. Dou a volta habitual. Como é possível que num centro comercial inteiro não haja nada de que goste? Foda-se.
Depois vou à Bertrand e à feira do livro usado fingir que estou interessado em comprar alguma coisa e esquecer-me que desde o início do ano só li 2 livros e uns contos.
E é verdade, o meu cartão Lisboa Viva a não querer funcionar, sobretudo quando tenho muitas pessoas atrás de mim. Mas não fico stressado, não tenho feitio para isso. Fico sim ainda mais apático. Mais uma camada.
Finalmente, chegar a casa e continuar inundado de tédio. Comer mais qualquer coisa e passar o resto da noite na net.
Isto é o mais próximo que tive de animação, ultimamente.
Isto é pobre.
Isto é um desperdício.
Thursday, April 02, 2009
A lucidez,
quando não tem companhia, transforma-se num fardo. E desvia-nos para a exaustão.
Exaustão por lucidez - uma nova condição?
Exaustão por lucidez - uma nova condição?
Thursday, February 26, 2009
Raivas
Por vezes, pareço um indigente que está sentado na calçada de uma rua, encostado à parede suja de um prédio, olhando para cima onde vejo as pessoas a passar, mais ou menos preocupadas com a vida, alegres ou tristes, mas ignorando-me. A minha vida fica parada a sofrer, bloqueada, sem forças para se mexer, enquanto que os outros seguem em frente sem que dêem por mim ou sem se lembrarem de mim.
Prefiro que me atirem uma pedra a isto.
Outras vezes, um pouco do nada, só me apetece virar-me para determinadas personalidades que cruzam os meus caminhos com uma certa frequência e gritar-lhes:
Prefiro que me atirem uma pedra a isto.
Outras vezes, um pouco do nada, só me apetece virar-me para determinadas personalidades que cruzam os meus caminhos com uma certa frequência e gritar-lhes:
irritas-me tanto!!
Tuesday, February 24, 2009
Terça-Feira diferente
Hoje, dia de Carnaval, lembrei-me tantas, tantas vezes de quando me mascarava quando era pequeno. E de quais as personagens que encarnava - de palhaço, de cowboy, de índio (para compensar:) e lembro-me, sobretudo, da de Zorro. Mascarava-me porque todas as outras crianças o faziam. Não estava particularmente interessado em viver aventuras diferentes por um dia através dos personagens, mas divertia-me muito na escola com os colegas. E quando o dia coincidia com o meu aniversário, sentia que tinha-me saído o jackpot! Ia tudo para minha casa para a festa e aí é que era a grande diversão, para pânico dos meus pais :) (tinham medo que se sujasse muito a casa ou que se partisse qualquer coisa :).
Depois cresci, passei ou a não achar muita piada ao Carnaval ou mesmo a rejeitá-lo e já há muitos, muitos, muitos anos que não significa mais para mim que outro feriado. Só tenho de ter cuidado para evitar os balões de àgua, os ovos estragados e as lâmpadas (sim, há uns anos atiraram-me com uma e quase me acertavam). Posso sempre lembrar-me dos fatos e máscaras que vestia, sobretudo nas conversas com outros, mas nada que se compare ao que me aconteceu hoje.
Ainda não há muitos meses estive com um ataque de saudades e fui visitar todas as fotografias que a minha Mãe tem guardadas da família. Centrei-me naquelas onde eu figurava quando era criança e jovem adolescente – que, das minhas, são quase todas – e lembro-me que a fotografia que mais me prendeu e me tocou foi aquela em que estou mascarado de Zorro no Carnaval de 1986, no meio da Praça do Bocage (quando ainda tinha relva). Sei que era 1986 porque por trás de mim, ao longe, está uma faixa de campanha eleitoral com “Soares É Fixe” escrito. Eu estava com o ar um pouco envergonhado, a máscara a incomodar-me nos olhos e a fazer um gesto com a espada claramente a pedido da família. Apesar do ar embaraçado porque era de pose, não acredito que me sentisse assim no resto do dia – era verdadeiramente, e sem reticências, um dia alegre e de alegria.
E vi naquela criança alguém muito sensível, um pouco danificado e precioso. Daqueles meninos que as senhoras têm vontade de ir abraçar, porque parecem muito queridos. A minha Mãe era muito assim comigo.
A fantasia do Zorro, o centro da cidade diferente, o “Soares É Fixe”, a sensação da família do lado de lá da câmara fotográfica, olhando na mesma direcção. Transportam-me, mais que para outra época, para outras emoções e sentimentos que a memória resolveu esconder num canto mais ou menos escuro.
Hoje pensei novamente nessa foto.
Não sei porque é que me lembrei destas coisas e porque lhes estou a dar esta importância. Eu, que tento sempre psicanalizar tudo, e sempre com pelo menos algum sucesso. Será dos meu aniversário estar quase aí, e de não ter vontade de acrescentar mais um ano à idade? E de ter saudades da simplicidade de várias das coisas na infância, e de sentir que estou neste mundo adulto ainda com as forças de uma criança?
Será de tudo isto? Ou de nada disto? Ou de outras coisas, talvez mais prosaicas?
Não sei dizer. Mas que foi um dia bem diferente do habitual para o meu Eu interior, isso foi.
Depois cresci, passei ou a não achar muita piada ao Carnaval ou mesmo a rejeitá-lo e já há muitos, muitos, muitos anos que não significa mais para mim que outro feriado. Só tenho de ter cuidado para evitar os balões de àgua, os ovos estragados e as lâmpadas (sim, há uns anos atiraram-me com uma e quase me acertavam). Posso sempre lembrar-me dos fatos e máscaras que vestia, sobretudo nas conversas com outros, mas nada que se compare ao que me aconteceu hoje.
Ainda não há muitos meses estive com um ataque de saudades e fui visitar todas as fotografias que a minha Mãe tem guardadas da família. Centrei-me naquelas onde eu figurava quando era criança e jovem adolescente – que, das minhas, são quase todas – e lembro-me que a fotografia que mais me prendeu e me tocou foi aquela em que estou mascarado de Zorro no Carnaval de 1986, no meio da Praça do Bocage (quando ainda tinha relva). Sei que era 1986 porque por trás de mim, ao longe, está uma faixa de campanha eleitoral com “Soares É Fixe” escrito. Eu estava com o ar um pouco envergonhado, a máscara a incomodar-me nos olhos e a fazer um gesto com a espada claramente a pedido da família. Apesar do ar embaraçado porque era de pose, não acredito que me sentisse assim no resto do dia – era verdadeiramente, e sem reticências, um dia alegre e de alegria.
E vi naquela criança alguém muito sensível, um pouco danificado e precioso. Daqueles meninos que as senhoras têm vontade de ir abraçar, porque parecem muito queridos. A minha Mãe era muito assim comigo.
A fantasia do Zorro, o centro da cidade diferente, o “Soares É Fixe”, a sensação da família do lado de lá da câmara fotográfica, olhando na mesma direcção. Transportam-me, mais que para outra época, para outras emoções e sentimentos que a memória resolveu esconder num canto mais ou menos escuro.
Hoje pensei novamente nessa foto.
Não sei porque é que me lembrei destas coisas e porque lhes estou a dar esta importância. Eu, que tento sempre psicanalizar tudo, e sempre com pelo menos algum sucesso. Será dos meu aniversário estar quase aí, e de não ter vontade de acrescentar mais um ano à idade? E de ter saudades da simplicidade de várias das coisas na infância, e de sentir que estou neste mundo adulto ainda com as forças de uma criança?
Será de tudo isto? Ou de nada disto? Ou de outras coisas, talvez mais prosaicas?
Não sei dizer. Mas que foi um dia bem diferente do habitual para o meu Eu interior, isso foi.
Thursday, February 19, 2009
Será que ainda sou um jovem?
Acho que não, porque não tenho idade para isso.
Mas sinto-me um jovem - um adolescente, em concreto, porque, essencialmente, acho que vivo como um adolescente à beira de me tornar um jovem adulto em vez de ser um jovem adulto tardio prestes a assumir uma adultez plena.
É o que faz estar quase a chegar mais um aniversário, pensar nestas coisas. Ou se calhar não, penso nelas muitas vezes, mas nestas alturas dedico-lhes mais tempo. Ou lembro-me mais que penso nelas.
Mal chega o Ano Novo começo a imaginar que já tenho a idade que vou ter dali a 2 meses. Para não custar tanto a transição.
Os meus aniversários passaram de doces a agridoces a apenas agri.
Os três estádios de vida da minha vida interior.
Mas sinto-me um jovem - um adolescente, em concreto, porque, essencialmente, acho que vivo como um adolescente à beira de me tornar um jovem adulto em vez de ser um jovem adulto tardio prestes a assumir uma adultez plena.
É o que faz estar quase a chegar mais um aniversário, pensar nestas coisas. Ou se calhar não, penso nelas muitas vezes, mas nestas alturas dedico-lhes mais tempo. Ou lembro-me mais que penso nelas.
Mal chega o Ano Novo começo a imaginar que já tenho a idade que vou ter dali a 2 meses. Para não custar tanto a transição.
Os meus aniversários passaram de doces a agridoces a apenas agri.
Os três estádios de vida da minha vida interior.
Vários lados para a mesma história
Sinto-me e ajo como um esquizofrénico. E sinto-me cada vez pior por isso. Eu sei que tenho muitos lados e sou complexo, isso é bom, gosto disso, mas quero dar prioridade a certas coisas que não posso ou não consigo. Preciso de equilíbrio e de confiança para ir atrás do que quero e deixar de parte e/ou recusar outras solicitações, mesmo que pareçam aliciantes aos olhos dos outros (sempre precisei). Mas falta-me... sempre... algo...
(Se ao menos eu não me sentisse sempre tão mal e inadequado em situações sociais...)
(se ao menos eu conseguisse manter os amigos que quero...)
(Se ao menos eu não me sentisse sempre tão mal e inadequado em situações sociais...)
(se ao menos eu conseguisse manter os amigos que quero...)
Saturday, February 14, 2009
Sinto-me muito inadequado para este mundo. Ou então é o mundo que é inadequado a mim, é mais fácil pensar assim. Talvez eu tenha mais razão.
Ou então (é mais assim) eu sou, de facto, inadequado para este mundo mas o mundo não compreende porquê, analisa-me com base nas convenções comuns e tira conclusões erradas. Por fim, ignora-me. Eu precisaria de algum amparo e, sobretudo, de uma atitude diferente perante mim para criar condições para ultrapassar a barreira entre mim e os outros. Mais compreensão, talvez. Não sou mimado, uma pessoa precisa do que precisa. Mas não posso estar à espera disso.
Só sei que eu e o mundo não nos entendemos.
Ou então (é mais assim) eu sou, de facto, inadequado para este mundo mas o mundo não compreende porquê, analisa-me com base nas convenções comuns e tira conclusões erradas. Por fim, ignora-me. Eu precisaria de algum amparo e, sobretudo, de uma atitude diferente perante mim para criar condições para ultrapassar a barreira entre mim e os outros. Mais compreensão, talvez. Não sou mimado, uma pessoa precisa do que precisa. Mas não posso estar à espera disso.
Só sei que eu e o mundo não nos entendemos.
Tuesday, February 10, 2009
Eu, que sempre tive fascínio por
viajar, ir viver, trabalhar para longe, conhecer outras culturas, pessoas, etc., "congelo" com o pensamento de poder realojar-me para lugares que distam só alguns kms do sítio onde estou? Quer dizer, eu sei porquê, isto é só retórica, este porquê não serve para eu tentar compreender porque não consigo mas sim para tentar saber porque é que fiquei assim.
Para qualquer mudança na minha vida ofereço muita resistência. Sinto que tenho de fazer um esforço hercúleo para me mexer só um pouco. Mesmo quando a mudança aparenta ser boa e motivadora, sinto-me melhor acomodado e conformado com a mediocridade. Porque assim não tenho de me mexer. Porque mexer-me implica muitas coisas que me custam demais e para as quais me sinto esgotado.
Para qualquer mudança na minha vida ofereço muita resistência. Sinto que tenho de fazer um esforço hercúleo para me mexer só um pouco. Mesmo quando a mudança aparenta ser boa e motivadora, sinto-me melhor acomodado e conformado com a mediocridade. Porque assim não tenho de me mexer. Porque mexer-me implica muitas coisas que me custam demais e para as quais me sinto esgotado.
Tuesday, February 03, 2009
Got the spirit, lose the feeling
É assim que me sinto (sempre). Fora de onde quero estar, preso a coisas que não quero. Porque não posso. Porque precisava de ter energia que não tenho. Que parece ser tão fácil para tantos outros mas que para mim parece um mistério, parece-me vedada. Compreendo o que mas não sinto.
Aquela expressão dele nos últimos 10 segundos é a face do tédio e da frustração que é a minha vida.
"THE OFFICE - Christmas Special"
Cada vez me custa mais estar nos transportes públicos e ouvir as pessoas conversarem sobre o trabalho, quando é um trabalho interessante e onde se percebe que, mesmo com muitas preocupações, prazos e problemas, vale a pena estar ali.
Eu tenho muita coisa para ser resolvida na minha vida mas aquela que me aflige mais desde há alguns anos é a de não ter um emprego de que goste e que puxe por mim pelas ideias e pelo talento em vez de puxar pela resistência e pela paciência (para além do ordenado fraco e da falta de prestígio). Se pudesse mudar uma só coisa, era esta. E a partir daí podia começar a preocupar-me com o resto. É importante, por mim. Sei que está muita gente pior que eu, mas também há muita gente que está melhor. Não adianta entrar nestas filosofias, só nos distraem do essencial. Preciso disso acima de tudo para mim, para estar bem comigo. Não é para mostrar aos outros.
Hoje olhei-me ao espelho e não me reconhecia (ou não me queria reconhecer, é mais assim). Não gostava do que via. O cabelo, os óculos, a barba por fazer, a roupa velha e que já assenta muito mal, o físico muito magro e muito frágil. Não estava diferente em relação aos outros dias, mas hoje decidi demorar um pouco para olhar para mim.
Mas o que custa mais é ver a expressão nos olhos e na cara. Nem de propósito os outros conseguem ficar assim. É como nos últimos 10 segundos do vídeo, só que sempre. Mas é só o resultado daquilo que sinto por dentro. E mesmo que queira ter uma expressão mais agradável para os outros, custa muito. Posso aguentar durante 5/10 segundos mas depois deixa-me. Mais uma marca muito impressiva de como sou tão diferente...se ainda fosse para melhor... :'(
Aquela expressão dele nos últimos 10 segundos é a face do tédio e da frustração que é a minha vida.
"THE OFFICE - Christmas Special"
Cada vez me custa mais estar nos transportes públicos e ouvir as pessoas conversarem sobre o trabalho, quando é um trabalho interessante e onde se percebe que, mesmo com muitas preocupações, prazos e problemas, vale a pena estar ali.
Eu tenho muita coisa para ser resolvida na minha vida mas aquela que me aflige mais desde há alguns anos é a de não ter um emprego de que goste e que puxe por mim pelas ideias e pelo talento em vez de puxar pela resistência e pela paciência (para além do ordenado fraco e da falta de prestígio). Se pudesse mudar uma só coisa, era esta. E a partir daí podia começar a preocupar-me com o resto. É importante, por mim. Sei que está muita gente pior que eu, mas também há muita gente que está melhor. Não adianta entrar nestas filosofias, só nos distraem do essencial. Preciso disso acima de tudo para mim, para estar bem comigo. Não é para mostrar aos outros.
Hoje olhei-me ao espelho e não me reconhecia (ou não me queria reconhecer, é mais assim). Não gostava do que via. O cabelo, os óculos, a barba por fazer, a roupa velha e que já assenta muito mal, o físico muito magro e muito frágil. Não estava diferente em relação aos outros dias, mas hoje decidi demorar um pouco para olhar para mim.
Mas o que custa mais é ver a expressão nos olhos e na cara. Nem de propósito os outros conseguem ficar assim. É como nos últimos 10 segundos do vídeo, só que sempre. Mas é só o resultado daquilo que sinto por dentro. E mesmo que queira ter uma expressão mais agradável para os outros, custa muito. Posso aguentar durante 5/10 segundos mas depois deixa-me. Mais uma marca muito impressiva de como sou tão diferente...se ainda fosse para melhor... :'(
Sunday, February 01, 2009
Friday, January 23, 2009
Sinto vergonha
Não gosto de ser tratado com condescendência e pouco valor. Detesto não conseguir dar-me com os outros, não ter maior proximidade com as pessoas, não ter uma vida social. Fico desesperado por alguma interacção, mesmo que negativa, é melhor que nenhuma interacção.
E quem não tem culpa, por causa de mal-entendidos e muita precipitação minha, depois leva por tabela. As poucas pessoas que me ligam algum.
Não me consigo aproximar dos outros e afasto quem, no mínimo, não me ignora. A história repete-se.
Nunca conseguirei estar bem, socialmente. Nunca. Sempre foi assim e por isso estou como estou. Estou preso. Tenho muita culpa mas não sou só eu. Houve certas alturas na vida em que teria de ser muito corajoso e sofrer durante um bom bocado, mas podia ter saído disto. Agora...
A minha vida sempre esteve alienada de mim.
A minha vida é arrastar-me.
E quem não tem culpa, por causa de mal-entendidos e muita precipitação minha, depois leva por tabela. As poucas pessoas que me ligam algum.
Não me consigo aproximar dos outros e afasto quem, no mínimo, não me ignora. A história repete-se.
Nunca conseguirei estar bem, socialmente. Nunca. Sempre foi assim e por isso estou como estou. Estou preso. Tenho muita culpa mas não sou só eu. Houve certas alturas na vida em que teria de ser muito corajoso e sofrer durante um bom bocado, mas podia ter saído disto. Agora...
A minha vida sempre esteve alienada de mim.
A minha vida é arrastar-me.
Saturday, January 17, 2009
É tudo muito injusto nesta vida. Escapa-se tudo o que é importante por entre os meus dedos.
Estive durante muito tempo - enquanto crescia e me assimilava na adultez - só a um passo daquilo que precisava em determinada fase, mas nunca tive o que era necessário para o dar. Ou quando o dava (finalmente!) já era um pouco tarde e tinha de fazer ajustes que deixavam marcas. Nunca fui assim por falta de vontade mas por falta de poder. E com o avançar da vida tudo se torna mais difícil.
E como podia ter sido tudo evitado... nunca me faltou nada, materialmente. Mas sinto que faltou tudo o resto (meus pais - cada um à sua maneira, de costas voltadas um para o outro -, tão bem-avontadados, tão ingénuos, tão negligentes, tanto e tanto mal provocaram!!).
Sempre foi o cabo dos trabalhos interagir com os outros. Sentia-me melhor estando só, comigo e com as minhas coisas, não porque gostava, mas pelo mal-estar horrível que evitava sentir. E porque poucos frutos me trazia. Porque ninguém tem interesse numa pessoa entediante. Não porque eu quisesse ser assim - era a última coisa que queria - mas porque pouco tinha para dar. E só teriam sido necessários alguns (pouquíssimos e certeiros) passos para tudo isto mudar... porque a única e mais importante coisa que queria (e também a que mais me afligia) era ter bons amigos...
O meu estilo e experiências de vida sempre foram muito diferentes dos outros. Se ao menos eu tivesse um talento, qualquer, em que pudesse exprimir este mal-estar...talvez aí conseguisse chegar a alguém... mas acho que não nasci para ser artista. É uma coisa que se tem ou não se tem dentro de si. E se o tivesse, já tinha de começar a ser desenvolvido há muito... (como eu queria ser actor quando tinha 16 anos, como me desencorajaram e me fizeram ter medo e duvidar de mim...)
Escrevo isto no passado mas podia escrever no presente.
Às vezes, só me apetece partir tudo. Sobretudo quando estou mais calado, distante e imóvel, quando pareço mais inofensivo.
Vejo tanta gente que não é melhor que eu EM NADA a sair-se muito melhor na vida... e só me faltaram alguns passos para também ser assim... quem olha para mim, fala comigo e conhece os aspectos mais imediatos da minha vida, fica com uma ideia tão errada de quem sou, cá dentro... estou farto de me darem tão pouco valor, não mereço...
(Lá estou eu, só queixas mais queixas. Quanto eu detesto ser assim, quanto eu detesto as pessoas que são assim!!!)
Estive durante muito tempo - enquanto crescia e me assimilava na adultez - só a um passo daquilo que precisava em determinada fase, mas nunca tive o que era necessário para o dar. Ou quando o dava (finalmente!) já era um pouco tarde e tinha de fazer ajustes que deixavam marcas. Nunca fui assim por falta de vontade mas por falta de poder. E com o avançar da vida tudo se torna mais difícil.
E como podia ter sido tudo evitado... nunca me faltou nada, materialmente. Mas sinto que faltou tudo o resto (meus pais - cada um à sua maneira, de costas voltadas um para o outro -, tão bem-avontadados, tão ingénuos, tão negligentes, tanto e tanto mal provocaram!!).
Sempre foi o cabo dos trabalhos interagir com os outros. Sentia-me melhor estando só, comigo e com as minhas coisas, não porque gostava, mas pelo mal-estar horrível que evitava sentir. E porque poucos frutos me trazia. Porque ninguém tem interesse numa pessoa entediante. Não porque eu quisesse ser assim - era a última coisa que queria - mas porque pouco tinha para dar. E só teriam sido necessários alguns (pouquíssimos e certeiros) passos para tudo isto mudar... porque a única e mais importante coisa que queria (e também a que mais me afligia) era ter bons amigos...
O meu estilo e experiências de vida sempre foram muito diferentes dos outros. Se ao menos eu tivesse um talento, qualquer, em que pudesse exprimir este mal-estar...talvez aí conseguisse chegar a alguém... mas acho que não nasci para ser artista. É uma coisa que se tem ou não se tem dentro de si. E se o tivesse, já tinha de começar a ser desenvolvido há muito... (como eu queria ser actor quando tinha 16 anos, como me desencorajaram e me fizeram ter medo e duvidar de mim...)
Escrevo isto no passado mas podia escrever no presente.
Às vezes, só me apetece partir tudo. Sobretudo quando estou mais calado, distante e imóvel, quando pareço mais inofensivo.
Vejo tanta gente que não é melhor que eu EM NADA a sair-se muito melhor na vida... e só me faltaram alguns passos para também ser assim... quem olha para mim, fala comigo e conhece os aspectos mais imediatos da minha vida, fica com uma ideia tão errada de quem sou, cá dentro... estou farto de me darem tão pouco valor, não mereço...
(Lá estou eu, só queixas mais queixas. Quanto eu detesto ser assim, quanto eu detesto as pessoas que são assim!!!)
Friday, January 16, 2009
Hoje,
abraçei a minha Mãe durante um bom bocado. Soube-me bem.
(Ela não vai estar cá para sempre, por isso vou aproveitar estes momentos também para me lembrar deles, mais tarde)
(Ela não vai estar cá para sempre, por isso vou aproveitar estes momentos também para me lembrar deles, mais tarde)
Thursday, January 15, 2009
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