Não gosto de ser tratado com condescendência e pouco valor. Detesto não conseguir dar-me com os outros, não ter maior proximidade com as pessoas, não ter uma vida social. Fico desesperado por alguma interacção, mesmo que negativa, é melhor que nenhuma interacção.
E quem não tem culpa, por causa de mal-entendidos e muita precipitação minha, depois leva por tabela. As poucas pessoas que me ligam algum.
Não me consigo aproximar dos outros e afasto quem, no mínimo, não me ignora. A história repete-se.
Nunca conseguirei estar bem, socialmente. Nunca. Sempre foi assim e por isso estou como estou. Estou preso. Tenho muita culpa mas não sou só eu. Houve certas alturas na vida em que teria de ser muito corajoso e sofrer durante um bom bocado, mas podia ter saído disto. Agora...
A minha vida sempre esteve alienada de mim.
A minha vida é arrastar-me.
Friday, January 23, 2009
Wednesday, January 21, 2009
Gosto muito desta música
Muito, muito. E acho que esta versão ao vivo fica melhor que aquela do álbum.
"My Girls", do álbum "Merriweather Post Pavilion", Animal Collective, 2009
Is it much to admit I need
A solid soul and the blood I bleed
With a little girl, and by my spouse
I only want a proper house
I don't care for fancy things
Or to take part in a precious race
And children cry for the one who has
A real big heart and a father's grace
I don't mean to seem like I care about material things like a social status
I just want four walls and adobe slabs for the girl
"My Girls", do álbum "Merriweather Post Pavilion", Animal Collective, 2009
Is it much to admit I need
A solid soul and the blood I bleed
With a little girl, and by my spouse
I only want a proper house
I don't care for fancy things
Or to take part in a precious race
And children cry for the one who has
A real big heart and a father's grace
I don't mean to seem like I care about material things like a social status
I just want four walls and adobe slabs for the girl
A corrente mais forte

"É como se a minha vida fosse magicamente comandada por duas correntes eléctricas: alegre positiva e desesperada negativa — a que estiver em acção no momento domina a minha vida, inunda-a. Agora estou inundada de desespero, quase histeria, como se estivesse a sufocar. Como se uma grande coruja musculada estivesse sentada no meu peito, as suas garras apertando e comprimindo o meu coração."
Sylvia Plath, in "The Unabridged Journals of Sylvia Plath, 1950-1962 (edited by Karen V. Kukil)" (não li o livro)
(tradução minha)
Monday, January 19, 2009
Motivação na criação
Sunday, January 18, 2009
Viver mal os problemas
"Muitas vezes, tememos o sofrimento e evitamos os problemas a qualquer custo mas, na realidade, o mal não é que existam problemas. Viver mal os problemas é que é o mal."
Laurinda Alves
Eu sei :(
Laurinda Alves
Eu sei :(
Este filme é muito estranho e muito intrigante
"INLAND EMPIRE", David Lynch, 2006
Os filmes de David Lynch costumam ser assim, mas neste sentimos o tapete sair debaixo dos nossos pés mais vezes que o normal para o realizador em apreço.
Vai requerer mais uns quantos visionamentos se eu o quiser "apanhar".
(E a banda-sonora é mais uma vez uma surpresa e uma delícia)
Saturday, January 17, 2009
É tudo muito injusto nesta vida. Escapa-se tudo o que é importante por entre os meus dedos.
Estive durante muito tempo - enquanto crescia e me assimilava na adultez - só a um passo daquilo que precisava em determinada fase, mas nunca tive o que era necessário para o dar. Ou quando o dava (finalmente!) já era um pouco tarde e tinha de fazer ajustes que deixavam marcas. Nunca fui assim por falta de vontade mas por falta de poder. E com o avançar da vida tudo se torna mais difícil.
E como podia ter sido tudo evitado... nunca me faltou nada, materialmente. Mas sinto que faltou tudo o resto (meus pais - cada um à sua maneira, de costas voltadas um para o outro -, tão bem-avontadados, tão ingénuos, tão negligentes, tanto e tanto mal provocaram!!).
Sempre foi o cabo dos trabalhos interagir com os outros. Sentia-me melhor estando só, comigo e com as minhas coisas, não porque gostava, mas pelo mal-estar horrível que evitava sentir. E porque poucos frutos me trazia. Porque ninguém tem interesse numa pessoa entediante. Não porque eu quisesse ser assim - era a última coisa que queria - mas porque pouco tinha para dar. E só teriam sido necessários alguns (pouquíssimos e certeiros) passos para tudo isto mudar... porque a única e mais importante coisa que queria (e também a que mais me afligia) era ter bons amigos...
O meu estilo e experiências de vida sempre foram muito diferentes dos outros. Se ao menos eu tivesse um talento, qualquer, em que pudesse exprimir este mal-estar...talvez aí conseguisse chegar a alguém... mas acho que não nasci para ser artista. É uma coisa que se tem ou não se tem dentro de si. E se o tivesse, já tinha de começar a ser desenvolvido há muito... (como eu queria ser actor quando tinha 16 anos, como me desencorajaram e me fizeram ter medo e duvidar de mim...)
Escrevo isto no passado mas podia escrever no presente.
Às vezes, só me apetece partir tudo. Sobretudo quando estou mais calado, distante e imóvel, quando pareço mais inofensivo.
Vejo tanta gente que não é melhor que eu EM NADA a sair-se muito melhor na vida... e só me faltaram alguns passos para também ser assim... quem olha para mim, fala comigo e conhece os aspectos mais imediatos da minha vida, fica com uma ideia tão errada de quem sou, cá dentro... estou farto de me darem tão pouco valor, não mereço...
(Lá estou eu, só queixas mais queixas. Quanto eu detesto ser assim, quanto eu detesto as pessoas que são assim!!!)
Estive durante muito tempo - enquanto crescia e me assimilava na adultez - só a um passo daquilo que precisava em determinada fase, mas nunca tive o que era necessário para o dar. Ou quando o dava (finalmente!) já era um pouco tarde e tinha de fazer ajustes que deixavam marcas. Nunca fui assim por falta de vontade mas por falta de poder. E com o avançar da vida tudo se torna mais difícil.
E como podia ter sido tudo evitado... nunca me faltou nada, materialmente. Mas sinto que faltou tudo o resto (meus pais - cada um à sua maneira, de costas voltadas um para o outro -, tão bem-avontadados, tão ingénuos, tão negligentes, tanto e tanto mal provocaram!!).
Sempre foi o cabo dos trabalhos interagir com os outros. Sentia-me melhor estando só, comigo e com as minhas coisas, não porque gostava, mas pelo mal-estar horrível que evitava sentir. E porque poucos frutos me trazia. Porque ninguém tem interesse numa pessoa entediante. Não porque eu quisesse ser assim - era a última coisa que queria - mas porque pouco tinha para dar. E só teriam sido necessários alguns (pouquíssimos e certeiros) passos para tudo isto mudar... porque a única e mais importante coisa que queria (e também a que mais me afligia) era ter bons amigos...
O meu estilo e experiências de vida sempre foram muito diferentes dos outros. Se ao menos eu tivesse um talento, qualquer, em que pudesse exprimir este mal-estar...talvez aí conseguisse chegar a alguém... mas acho que não nasci para ser artista. É uma coisa que se tem ou não se tem dentro de si. E se o tivesse, já tinha de começar a ser desenvolvido há muito... (como eu queria ser actor quando tinha 16 anos, como me desencorajaram e me fizeram ter medo e duvidar de mim...)
Escrevo isto no passado mas podia escrever no presente.
Às vezes, só me apetece partir tudo. Sobretudo quando estou mais calado, distante e imóvel, quando pareço mais inofensivo.
Vejo tanta gente que não é melhor que eu EM NADA a sair-se muito melhor na vida... e só me faltaram alguns passos para também ser assim... quem olha para mim, fala comigo e conhece os aspectos mais imediatos da minha vida, fica com uma ideia tão errada de quem sou, cá dentro... estou farto de me darem tão pouco valor, não mereço...
(Lá estou eu, só queixas mais queixas. Quanto eu detesto ser assim, quanto eu detesto as pessoas que são assim!!!)
Solidão Ó solidão! À noite, quando, estranho,
Vagueio sem destino, pelas ruas,
O mar todo é de pedra... E continuas.
Todo o vento é poeira... E continuas.
A Lua, fria, pesa... E continuas.
Uma hora passa e outra... E continuas.
Nas minhas mãos vazias continuas,
No meu sexo indomável continuas,
Na minha branca insónia continuas,
Paro como quem foge. E continuas.
Chamo por toda a gente. E continuas.
Ninguém me ouve. Ninguém! E continuas.
Invento um verso... E rasgo-o. E continuas.
Eterna, continuas... Mas sei por fim que sou do teu tamanho!
Pedro Homem de Mello, in "O Rapaz da Camisola Verde"
Friday, January 16, 2009
O meu primeiro computador

Sinclair ZX Spectrum 48k
Lembro-me das teclas de borracha e do plástico à volta a saltar. Também de que era preciso um transformador e um gravador de cassetes (que já foi para o lixo).
Os jogos demoravam 5 minutos (ou mais) a carregar e tinham de aparecer os risquinhos à volta da imagem, senão era sinal de que não estava a ler bem.
A cozinha ficava toda cheia de fios (para desagrado da minha coitada mãe!), porque era na televisão da cozinha que jogava e que, por vezes, passei dias inteiros.
Ainda me lembro do meu pai montar pela 1ª vez o computador na televisão da sala - talvez em 1983 - e eu em pulgas para jogar ao jogo de futebol que ele também tinha comprado.
Estas coisas fazem-me lembrar uma outra época, mais inocente, irresponsável e mais feliz.
Apetece-me teclar LOAD "", ENTER...
Hoje,
abraçei a minha Mãe durante um bom bocado. Soube-me bem.
(Ela não vai estar cá para sempre, por isso vou aproveitar estes momentos também para me lembrar deles, mais tarde)
(Ela não vai estar cá para sempre, por isso vou aproveitar estes momentos também para me lembrar deles, mais tarde)
Thursday, January 15, 2009
Agora que a vontade de ler não está cá e como só consigo estar em frente a um computador ou a um televisor, tenho descoberto a leitura e os escritores de outro modo. É assim que tenho consultado, mais do que nunca, o Pensador e, sobretudo, o Citador. Não é como ler um livro, eu sei, mas é uma forma rápida e interessante de contactar com muitas frases, reflexões e pensamentos, poemas dos nossos autores favoritos. Como uma versão em hipertexto de um livro de frases e pensamentos de escritores reputados. Mas aqui com variedade e quantidade maiores.
Enquanto não sentir que a concentração necessária para ler um livro está de volta, isto vai ser o seu substituto.
(Tem sido a partir dessas consultas que tenho estado em contacto, p. ex., com Clarice Lispector, Sara :)
Enquanto não sentir que a concentração necessária para ler um livro está de volta, isto vai ser o seu substituto.
(Tem sido a partir dessas consultas que tenho estado em contacto, p. ex., com Clarice Lispector, Sara :)
Eternal Sunshine of the Spotless Mind
"Eternal Sunshine of the Spotless Mind", Michel Gondry, 2004
Vi este filme de novo e ainda bem. Sinto... um certo conforto, acho. Sabe bem.
FrustraçãoFoi bonito
O meu sonho de amor.
Floriram em redor
Todos os campos em pousio.
Um sol de Abril brilhou em pleno estio,
Lavado e promissor.
Só que não houve frutos
Dessa primavera.
A vida disse que era
Tarde demais.
E que as paixões tardias
São ironias
Dos deuses desleais.
Miguel Torga, in "Diário XV"
Wednesday, January 14, 2009
Monday, January 12, 2009
Sinto saudades
de pegar num livro e começar a lê-lo, de perder-me nele, ter esse prazer. Já nem isso consigo fazer, era das poucas coisas que me tiravam... disto, nem sei o que lhe chamar
Sunday, January 11, 2009
Ser
É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer, porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo. Ou pelo menos, o que me faz agir não é o que eu sinto mas o que eu digo.
Clarice Lispector, in "Perto do Coração Selvagem"
Clarice Lispector, in "Perto do Coração Selvagem"
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