Tuesday, October 14, 2008

Rouge


Gosto tanto desta fotografia de promoção ao filme VERMELHO, Krzysztof Kieslowski, 1994, que me apeteceu postá-la. É uma imagem que me assombrava de tempos em tempos em meados dos anos 90. Tudo é belo: a Iréne Jacob, a expressão, o perfil, o vermelho, o negro, e sobretudo o filme que representa.


Juíz: Parta. É o seu destino. Não pode viver pelo seu irmão.
Valentine: Mas eu amo-o. Se ao menos o pudesse ajudar...
Juíz: E pode. Seja.
Valentine: O que quer dizer?
Juíz: Só isso: seja.

Sunday, October 12, 2008

9ª festa do cinema francês


Vesti-me de espírito festivaleiro e fui pela 1ª vez, nesta edição, assistir a sessões da Festa do Cinema Francês. Escolhi 2 filmes ao acaso e sobretudo com a preocupação de terem horários compatíveis com o trabalho e os autocarros e saí de ambas as sessões, como dizia o outro, maravilhado. É sempre um prazer e um alívio descobrir um cinema e autores que nos estimulem o espírito, entramos num mundo em que nos podemos relacionar connosco e descobrir mais sobre nós, os outros, a condição humana. E descobri-los por acaso torna o gozo maior.

TOUT EST PARDONNÉ, Mia Hansen-Løve, 2007

Lembro-me quando comprava, há muito tempo e com alguma regularidade, a edição francesa da revista Prémiere (porque era mais barata que a americana e ainda não havia a portuguesa) e sentia curiosidade por todos aqueles filmes e actores dos quais só podia conhecer uma ínfima parte muito mais tarde, quando passavam na televisão. No entanto, a pilha de revistas no meu quarto levou-me a cortar nestes consumos e o interesse diminuiu. Mas sinto que agora vou começar a dar mais atenção aos filmes e cineastas franceses para lá dos consagrados.

UN BAISER, S'IL VOUS PLAIT, Emmanuel Mouret, 2007

É um sentimento agridoce, sinto que estive estes anos todos de cinefilia a passar ao lado de toda uma cinematografia muito estimulante. Mas a vida também é assim. E estes 2 filmes também causam tristeza e alegria.

Saturday, October 11, 2008

Só ontem

me apercebi das semelhanças entre elas

e elas

MULHOLLAND DR., David Lynch, 2001
PERSONA, Ingmar Bergman, 1965

Sobre o amor

“ (…) Pouca coisa sabemos. Mas sempre sabemos que nos devemos ater ao que é difícil, e isso é uma certeza que nunca nos abandonará. É bom estar só, porque também a solidão resulta ser difícil. E algo que seja difícil deve ser para nós um motivo suplementar para o levar a cabo.
“Também é bom amar, pois o amor é coisa difícil. O amor de um ser humano por outro: isto é, talvez, o mais difícil que já nos foi incumbido. É a prova suprema e derradeira, a tarefa final, ante a qual todas as outras não foram senão um ensaio. Por isso, não sabem nem podem amar ainda os jovens, que em tudo são principiantes. Hão-de aprendê-lo. Com todo o seu ser, com todas as forças reunidas em torno do coração solitário e angustiado que palpita alvoraçadamente – devem aprender a amar. Mas toda a aprendizagem é sempre um longo período de retiro e clausura. Assim, o amor é por muito tempo e até muito longe dentro da vida, solidão, isolamento crescido e aprofundado por aquele que se ama. Amar não é, em princípio, nada que possa significar absorver-se em outro ser, nem entregar nem unir-se a ele. Pois, o que seria uma união entre dois seres inacabados, falhos de luz e liberdade? Amar é antes uma oportunidade, um motivo sublime, que se oferece a cada indivíduo para amadurecer e chegar a ser algo em si mesmo; para tornar-se um mundo, todo um mundo, por amor a outro.”

in “Cartas a Um Jovem Poeta” (sétima carta, de 14 de Maio de 1904), Rainer Maria Rilke

Wednesday, October 08, 2008

Posto de escuta

Álbuns:

"Grace" - Jeff Buckley
"If You're Feeling Sinister", " The Boy With The Arab Strap", "Dear Catastrophe Waitress - Belle & Sebastian
"The Mirror Conspiracy" - Thievery Corporation
"The Stone Roses" - The Stone Roses

Canções:

"Lights Out" - Santogold
"No Kinda Man (Body Language Exclusive Track)" - Junior Boys
"Into The Galaxy" - Midnight Juggernauts
"Electric Feel" - MGMT
"La Mer" - Nine Inch Nails
"New Dark Age/Hothouse" - The Sound
"Sweet Blindness" - Laura Nyro

Monday, October 06, 2008

O crepúsculo visto da ponte


no regresso a casa, antes da solidão da auto-estrada...

Saturday, October 04, 2008

La Mer

"Et quand le jour se lève
je deviendrais le ciel
et je deviendrais la mer

Et la mer va venir m'embrasser
Pour que j'aille à la maison

Rien ne pourra plus m'arrêter maintenant"

Thursday, September 25, 2008

Sinto isto vezes demais

"Quando estamos longe
não temos nada p'ra dar"


in "Encontro em Tânger", do álbum O Rapaz do Trapézio Voador, RÁDIO MACAU, 1989

Tuesday, September 23, 2008

Porque as coisas mais doces podem ser as mais simples

"You go your way
I'll go your way too"


The Sweetest Little Song, LEONARD COHEN, 2000

Ouvi uma vez o Miguel Esteves Cardoso dizer, na televisão, que a mulher lhe mostrou este poema para lhe explicar o que as mulheres querem dos homens

Entre o quase-louco e o patético (e entre o muito sério e o cómico)



Eu costumo gostar de Setembro

Gosto da sensação de aconchego que o anúncio do Outono me transmite. Tem mais a ver comigo que o Verão ou até a Primavera.

Mas este está a ser horrível. E não é pelo tempo.

Saturday, September 20, 2008

Vida fantasma

Mais do que não gostarem de nós e sermos hostilizados, o que custa é sentirmo-nos irrelevantes, ignorados e invisíveis, isso é que dói a valer cá dentro. Não deixarmos marca. Estarmos isolados. É por isso que muitos escolhem fazer algo de mal porque sentem que assim deixam uma marca. Mesmo que muito negativa, essa atenção que recebem é preferível ao anonimato insignificante. É um estranho bálsamo na condição humana.
O ser humano quer ser amado pelos outros, quer sentir pertença a algo, tanto na família, nos amigos como na sociedade. Só arriscamos ser odiados se tivermos as costas muito largas ou se sentirmos que nunca (mais) teremos valor, porque enquanto houver esperança de sermos amados não queremos entrar num ponto sem retorno.

Mas ninguém quer passar uma vida inteira como um fantasma.

Agora que releio este post, lembro-me da angústia de Gena Rowlands em NOITE DE ESTREIA, John Cassavetes, 1977, um mais que admirável filme que pode não ter tudo a ver com o que escrevi mas tem muito, muito a ver.

Thursday, July 17, 2008

Tão animadinho que eu ando

Joy Division, Nine Inch Nails, The Cure (fase obscurantista), The Smiths, Nick Cave, Nick Drake, algum Shoegaze, as séries "Nip/Tuck", "Dexter" e "Roma", para além do lixo televisivo, são as minha companhias - soturnas, nocturnas - para o Verão quente, bem-disposto, luzente e convidativo que está lá fora.
Mas quando não há disposição, nem outros, nada há a fazer.

"Spending warm Summer days indoors", assim cantava o Morrissey.

Monday, July 14, 2008

Do Isolamento e da Solidão...

NEW YORK MOVIE, 1939

AUTOMAT, 1927

OFFICE IN A SMALL CITY, 1953

EDWARD HOPPER

... mas também da beleza.

Persona


PERSONA, Ingmar Bergman, 1965

Personalidade partida em duas ou Vampirismo?
Introversão ou Transferência?
Drama Psicológico ou Filme de Terror?

Pode ser isto tudo ou não ser nada disto ou ser só um bocado disto mais muitas outras coisas. Mas quando acabo de o vêr quero vê-lo outra vez. E outra. E mais uma. E mais 100.

Saturday, July 05, 2008

Há momentos

fugazes, é certo, que são um sopro levezinho, passam num abrir e fechar de olhos, são uma tontura, lapsos de razão que ainda não sei se chegam a afectar-me, mas onde sinto que talvez fosse melhor deixar de existir, deixar de ser. Não gosto disto nem o quero sentir, mas há vezes em que nem os filmes, nem a música, nem os livros têm força capaz de me empurrarem para o prazer da vida.

Sei que isto é duro e desconfortável mas as coisas são o que são.