Há momentos, mais ou menos longos, em que vivemos uma espécie de suspensão dentro de nós. Parece que continuamos a viver a mesma vida mas num universo paralelo, num mundo surreal, onde aparentemente nada mudou, a mente está acordada e sabe-o, mas continuamente se questiona: será que estou a viver um sonho (ou um pesadelo)?
Porque algo mudou dentro de nós, algo que captámos e que só a nós nos afecta e aflige. Queremos expulsar a sensação e retornar ao que a vida era, mas não dá. Vamos à procura do que perdemos, não o encontramos. O mundo continua lá mas mudou de lugar.
Friday, November 12, 2010
Monday, October 04, 2010
Não tenho uma rede social à minha volta, e a responsabilidade é toda minha. Posso não ter a culpa, mas tenho a responsabilidade. E sem uma estrutura social não dá para fazer nada. Ninguém faz nada. Só gostava de dispor de algumas ferramentas sociais e de um pinguinho de energia para pelo menos mudar qualquer coisa. ;(
As pessoas são simpáticas para mim, se me vêm em baixo ou lhes digo que não estou bem tentam animar-me, convidam-me para fazer algo, mas depois como ou recuso (porque sinto enorme inibição e inadequação com os outros) ou aceito mas depois estou muito calado e com ar pouco animado, essas mesmas pessoas tendem a desinteressar-se com a mesma rapidez com que se preocuparam. E, mais uma vez, a responsabilidade não está fora de mim. Mas se não estou bem com os outros não é porque não quero, é porque quero muito mas não posso. Muitas vezes quero tanto, tanto que dói, uma dor que consome o corpo e a mente, e a frustração que resulta de não me conseguir integrar é quase paralisante. Sinto (quase) sempre uma barreira e uma distância intransponíveis entre mim e mesmo aqueles que são de uma disponibilidade e de uma preocupação que se oferece ao maior e melhor dos amigos. E fico tão, tão contente por isso, e quero retribuir tanto, tanto, porque gosto muito, muito de quem é meu amigo - e na melhor das hipóteses sai uma meia-tinta de mim que arrefece em pouco tempo o interesse dos outros. E saio sempre a perder porque não consigo, simplesmente não consigo conectar-me... mas é o que mais desejo neste mundo...
As pessoas são simpáticas para mim, se me vêm em baixo ou lhes digo que não estou bem tentam animar-me, convidam-me para fazer algo, mas depois como ou recuso (porque sinto enorme inibição e inadequação com os outros) ou aceito mas depois estou muito calado e com ar pouco animado, essas mesmas pessoas tendem a desinteressar-se com a mesma rapidez com que se preocuparam. E, mais uma vez, a responsabilidade não está fora de mim. Mas se não estou bem com os outros não é porque não quero, é porque quero muito mas não posso. Muitas vezes quero tanto, tanto que dói, uma dor que consome o corpo e a mente, e a frustração que resulta de não me conseguir integrar é quase paralisante. Sinto (quase) sempre uma barreira e uma distância intransponíveis entre mim e mesmo aqueles que são de uma disponibilidade e de uma preocupação que se oferece ao maior e melhor dos amigos. E fico tão, tão contente por isso, e quero retribuir tanto, tanto, porque gosto muito, muito de quem é meu amigo - e na melhor das hipóteses sai uma meia-tinta de mim que arrefece em pouco tempo o interesse dos outros. E saio sempre a perder porque não consigo, simplesmente não consigo conectar-me... mas é o que mais desejo neste mundo...
Monday, July 26, 2010
Sunday, July 25, 2010
Monday, June 07, 2010
Friday, November 27, 2009
É assim mesmo.
No Abrupto:
"COISAS DA SÁBADO:
O QUE SÓ SE SABE DEPOIS DAS ELEIÇÕES E QUE SE DEVERIA TER SABIDO ANTES
Tanta coisa! O número do deficit por exemplo, deliberadamente escondido meses após meses, com a publicitação de números e previsões irrealistas, denunciadas por todos, partidos e economistas, e que teve o papel de ainda mais descredibilizar o Ministro das Finanças, um dos poucos que ainda incutia alguma confiança aos portugueses. A cegueira eleitoralista foi tal que o Ministro negou previsões da EU e de outras instituições internacionais como “excessivamente pessimistas”.
Que a economia e as finanças estavam muito mal, pressentia-se e sabia-se. Mas a real dimensão dos problemas foi escondida e ainda está escondida na sua dimensão real. O que vai acontecer é que esta teimosia no erro, vai ter custos graves para o país. Vai adiar medidas inevitáveis, vai agravar tendências negativas, até que de repente vamos todos acordar com uma economia ingovernável, com as finanças descontroladas e o país na falência. Não excluo, como já disse uma vez, que nessa altura o PS saia de cena pela porta mais baixa que encontrar e deixe a outrem uma crise gravíssima. Estamos mais perto disso do que se pensa e o mero apego ao poder do PS, forte que seja, pode soçobrar perante medidas internacionais gravosas para Portugal e um colapso “argentino”. E tudo isto, sem qualquer responsabilidade da oposição. Apenas pela fuga em frente e pela ocultação da realidade. A continuar assim ainda achamos Medina Carreira um optimista."
"COISAS DA SÁBADO:
O QUE SÓ SE SABE DEPOIS DAS ELEIÇÕES E QUE SE DEVERIA TER SABIDO ANTES
Tanta coisa! O número do deficit por exemplo, deliberadamente escondido meses após meses, com a publicitação de números e previsões irrealistas, denunciadas por todos, partidos e economistas, e que teve o papel de ainda mais descredibilizar o Ministro das Finanças, um dos poucos que ainda incutia alguma confiança aos portugueses. A cegueira eleitoralista foi tal que o Ministro negou previsões da EU e de outras instituições internacionais como “excessivamente pessimistas”.
Que a economia e as finanças estavam muito mal, pressentia-se e sabia-se. Mas a real dimensão dos problemas foi escondida e ainda está escondida na sua dimensão real. O que vai acontecer é que esta teimosia no erro, vai ter custos graves para o país. Vai adiar medidas inevitáveis, vai agravar tendências negativas, até que de repente vamos todos acordar com uma economia ingovernável, com as finanças descontroladas e o país na falência. Não excluo, como já disse uma vez, que nessa altura o PS saia de cena pela porta mais baixa que encontrar e deixe a outrem uma crise gravíssima. Estamos mais perto disso do que se pensa e o mero apego ao poder do PS, forte que seja, pode soçobrar perante medidas internacionais gravosas para Portugal e um colapso “argentino”. E tudo isto, sem qualquer responsabilidade da oposição. Apenas pela fuga em frente e pela ocultação da realidade. A continuar assim ainda achamos Medina Carreira um optimista."
Tuesday, October 27, 2009
Sunday, October 11, 2009
Wednesday, October 07, 2009
Tuesday, October 06, 2009
Friday, September 18, 2009
Sunday, September 13, 2009
Para aliviar um pouco a neura
uma debate original sobre música (e contas de almoço):
7 Artes - Música
7 Artes - Música
Tuesday, August 25, 2009
Às vezes
penso que sou muito engraçado. A seguir reflicto, tento pôr-me à prova. Chego à conclusão que, de facto, sou muito engraçado. E que tenho muitas outras qualidades muito boas e não muito comuns, até atrevo-me a dizer especiais. E depois fico deprimido.
Monday, August 10, 2009
John Hughes
Tenho a certeza
de que, se me esforçasse e me concentrasse, conseguiria transformar o não fazer nada numa forma de arte.
Mas não me apetece.
Mas não me apetece.
Tuesday, August 04, 2009
E, também, de que vale
um espírito que deseja ser rico se depois tem medo ou não consegue mostrar-se aos outros?
Um grande, grande aperto no coração e um grande, grande nó no estômago
É assim que eu reajo desde há alguns (não, há muitos) dias a praticamente tudo o que vejo, leio, sinto, penso, lembro, relembro, oiço... quer esteja relacionado com a minha vida (directa ou indirectamente), quer seja sobre coisas ou acontecimentos fora da minha vida mas que me interessam. E tudo, tudo, tudo o que capto no meu radar tem-me interessado, parece que redescobri aquela super-curiosidade que tive em tempos, quando era criança.
Essa hiper-sensibilidade é o resultado, entre outros, de muitas implosões, que são a coisa mais constante em mim. Que cada vez cicatrizam pior ou já nem isso.
Essa hiper-sensibilidade é o resultado, entre outros, de muitas implosões, que são a coisa mais constante em mim. Que cada vez cicatrizam pior ou já nem isso.
Thursday, July 23, 2009
Absent Friends
Absent friends, here's to them
And happy days, we thought that they would never end.
Here's to absent friends
from The Divine Comedy, "Absent Friends"
And happy days, we thought that they would never end.
Here's to absent friends
from The Divine Comedy, "Absent Friends"
Sunday, July 19, 2009
Friday, July 10, 2009
Saturday, July 04, 2009
Melomania - II
Mais um que já não escutava há não sei quanto tempo. (Agradeço à Sara por ter postado algumas músicas deste álbum. Fui procurá-lo, estava debaixo de uma montanha de outros!)
A preguiça e a melancolia aqui são uma delicia, sabem a um gelado fresco em fim de tarde de Verão.

"Nouvelle Vague", Nouvelle Vague, 2004
A preguiça e a melancolia aqui são uma delicia, sabem a um gelado fresco em fim de tarde de Verão.
Os meus sonhos são o amanhã que ficou para trás
Que alívio que seria já ser velho! Poderia aguentar muitas coisas sem tanta preocupação, até com um certo alívio, porque já não teria a responsabilidade de ter de conquistar coisas que ainda tenho de conseguir e que, por muito que queira, não consigo. Não dá. Não tenho meios para chegar lá.
Assim, a vida é um fardo quotidiano. Que pesa mais um grama a cada dia que passa.
Assim, a vida é um fardo quotidiano. Que pesa mais um grama a cada dia que passa.
Friday, July 03, 2009
Thursday, July 02, 2009
Melomania
Monday, June 29, 2009
Saudade é solidão acompanhada
Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos magoa,
é não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás, é
o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
"aquela que nunca amou."
E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar
pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido...
Pablo Neruda
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos magoa,
é não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás, é
o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
"aquela que nunca amou."
E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar
pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido...
Pablo Neruda
Unloveable
I know I'm unloveable
you don't have to tell me
message received, loud and clear
loud and clear, message received
Excerto de "Unloveable", The Smiths
you don't have to tell me
message received, loud and clear
loud and clear, message received
Excerto de "Unloveable", The Smiths
Saturday, June 27, 2009
The Road Not Taken
I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
two roads diverged in a wood, and I --
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.
Excerto de "The Road Not Taken" de Robert Frost, 1916
Somewhere ages and ages hence:
two roads diverged in a wood, and I --
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.
Excerto de "The Road Not Taken" de Robert Frost, 1916
R.I.P.
Com dois dias de atraso:

......................Michael Jackson, 1958-2009............................................Farrah Fawcett, 1947-2009
Só porque me lembro deles assim, quando era pequeno, como ícones, alguém que eu admirava e me faziam sonhar, devanear, fantasiar sobre o que gostaria de fazer ou ser quando fosse "grande". Agora eu sou "grande" e eles já não são vivos. As suas mortes despertaram-me um desejo estranho de fazer um balanço à minha vida, muito mais distanciado no tempo do que aquele que acontece quando fazemos anos ou festejamos a passagem de ano. E diferente também daquele que fazemos quando nos morre alguém chegado, ou quando pensamos nos amigos com quem já não mantemos contacto.
Ou quando pensamos nas diferentes fases da vida, em que a vida era outra. Quando pensamos no que só tem lugar na nossa memória.

......................Michael Jackson, 1958-2009............................................Farrah Fawcett, 1947-2009
Só porque me lembro deles assim, quando era pequeno, como ícones, alguém que eu admirava e me faziam sonhar, devanear, fantasiar sobre o que gostaria de fazer ou ser quando fosse "grande". Agora eu sou "grande" e eles já não são vivos. As suas mortes despertaram-me um desejo estranho de fazer um balanço à minha vida, muito mais distanciado no tempo do que aquele que acontece quando fazemos anos ou festejamos a passagem de ano. E diferente também daquele que fazemos quando nos morre alguém chegado, ou quando pensamos nos amigos com quem já não mantemos contacto.
Ou quando pensamos nas diferentes fases da vida, em que a vida era outra. Quando pensamos no que só tem lugar na nossa memória.
Friday, June 26, 2009
Mas eu, o mal-dormido,
Não sinto noite ou frio,
Nem sinto vir o dia
Da solidão vazia.
Só sinto o indefinido
Do coração vazio.
Em vão o dia chega
Quem não dorme, a quem
Não tem que ter razão
Dentro do coração,
Que quando vive nega
E quando ama não tem.
Em vão, em vão, e o céu
Azula-se de verde
Acinzentadamente.
Que é isto que a minha alma sente?
Nem isto, não, nem eu,
Na noite que se perde.
Fernando Pessoa, excerto de "Começa a Ir Ser Dia", in "Cancioneiro"
Não sinto noite ou frio,
Nem sinto vir o dia
Da solidão vazia.
Só sinto o indefinido
Do coração vazio.
Em vão o dia chega
Quem não dorme, a quem
Não tem que ter razão
Dentro do coração,
Que quando vive nega
E quando ama não tem.
Em vão, em vão, e o céu
Azula-se de verde
Acinzentadamente.
Que é isto que a minha alma sente?
Nem isto, não, nem eu,
Na noite que se perde.
Fernando Pessoa, excerto de "Começa a Ir Ser Dia", in "Cancioneiro"
O solitário
As observações e as vivências do solitário que só fala consigo próprio são simultaneamente mais indistintas e intensas do que as do homem social e os seus pensamentos são mais graves, mais fantasiosos e nunca sem uma coloração de melancolia. Imagens e impressões que outros poriam naturalmente de lado após um olhar, um sorriso, um comentário, ocupam-no mais do que é devido, tornam-se profundas no silêncio, ganham significado, transformam-se em acontecimento, aventura, emoção. A solidão cria o original, o belo ousado e estranho cria a poesia. Mas cria também o distorcido, o desproporcionado, o absurdo e o proibido.
Thomas Mann, in "Morte em Veneza"
Thomas Mann, in "Morte em Veneza"
Tuesday, June 23, 2009
Sunday, June 21, 2009
Excertos
"Há muito que um dos passatempos favoritos da vizinhança consiste em fantasiar sobre a identidade e profissão do misterioso locatário (...). Não que investiguem o caso com demasiado afã, porém. Como todos aqueles que alguma vez se encontraram numa situação semelhante, temem que a verdade seja muito menos interessante do que as suas conjecturas."
"Em vida, as celebridades são já semi-deuses. E depois de mortos são definitivamente divinizados. Só naquele momento, entre a vida e a morte, são humanos."
"O que leva os adolescentes a drogarem-se ou a abrir os pulsos não são os discos de heavy-metal tocados ao contrário. É Michael Bolton tocado normalmente."
"Como pode ser que os dias passem tão devagar e os anos tão depressa? Os anos tão depressa, os dias tão devagar..."
"Por esquecimento ou desleixo, um anúncio pode manter-se nos outdoors muito para além da sua época. Um anúncio a refrigerantes em Janeiro causa uma sensação de desconforto. É como uma ave que se tenha esquecido de migrar para Sul e tenha de enfrentar um Inverno rigoroso e solitário."
"É um desafio fascinante: olhar para um desconhecido e conjecturar como seria há 20 ou 30 anos atrás. Abrir caminho através de camadas de rugas (...). Raspar décadas de sujidade e cinismo, até encontrar as cores originais. Fósseis de um tempo em que julgamos que podemos escolher."
"- O seu problema é, obviamente, ser o produto do sonho de alguém.
- E quando a pessoa que me sonha acordar?"
"Na primeira vez que vi o mar, havia tanto ar e tanta luz que tive medo que a praia e as pessoas se incendiassem a qualquer momento. E só restasse vidro e ossos calcinizados."
Excertos da BD "O Quiosque da Utopia" de José Carlos Fernandes, 1998
"Em vida, as celebridades são já semi-deuses. E depois de mortos são definitivamente divinizados. Só naquele momento, entre a vida e a morte, são humanos."
"O que leva os adolescentes a drogarem-se ou a abrir os pulsos não são os discos de heavy-metal tocados ao contrário. É Michael Bolton tocado normalmente."
"Como pode ser que os dias passem tão devagar e os anos tão depressa? Os anos tão depressa, os dias tão devagar..."
"Por esquecimento ou desleixo, um anúncio pode manter-se nos outdoors muito para além da sua época. Um anúncio a refrigerantes em Janeiro causa uma sensação de desconforto. É como uma ave que se tenha esquecido de migrar para Sul e tenha de enfrentar um Inverno rigoroso e solitário."
"É um desafio fascinante: olhar para um desconhecido e conjecturar como seria há 20 ou 30 anos atrás. Abrir caminho através de camadas de rugas (...). Raspar décadas de sujidade e cinismo, até encontrar as cores originais. Fósseis de um tempo em que julgamos que podemos escolher."
"- O seu problema é, obviamente, ser o produto do sonho de alguém.
- E quando a pessoa que me sonha acordar?"
"Na primeira vez que vi o mar, havia tanto ar e tanta luz que tive medo que a praia e as pessoas se incendiassem a qualquer momento. E só restasse vidro e ossos calcinizados."
Excertos da BD "O Quiosque da Utopia" de José Carlos Fernandes, 1998
Friday, June 19, 2009
Começo a conhecer-me. Não existo.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
(ou
Sou o intervalo entre o meu desejo e aquilo que os outros fizeram de mim
ou
Sou o intervalo entre o meu desejo e aquilo que os desejos dos outros fizeram de mim)
Ou metade desse intervalo, porque também há vida...
Sou isso, enfim...
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
É um universo barato.
Álvaro de Campos, há muitas décadas atrás
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
(ou
Sou o intervalo entre o meu desejo e aquilo que os outros fizeram de mim
ou
Sou o intervalo entre o meu desejo e aquilo que os desejos dos outros fizeram de mim)
Ou metade desse intervalo, porque também há vida...
Sou isso, enfim...
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
É um universo barato.
Álvaro de Campos, há muitas décadas atrás
Monday, June 08, 2009
Exercício de Escrita Criativa
Redigir uma pequena história que inclua as 8 palavras seguintes:
Rolhas; Havia ; Prova; Porto; Anã; No; Sol; Lá
O meu resultado:
Havia uma anã que gostava de roubar as rolhas das garrafas de vinho do Porto do amante, após este ir para a borga.
No outro lado da cidade, lá, onde o sol de põe, o marido soluçava, sentado no seu desgosto, fixando a vista na polaroid onde a sua anãzinha querida beija fogosamente aquele que desde a infância era o seu melhor amigo. Foi a ex-mulher, à laia de vingança e secretamente esperançada numa reconciliação que há muito se afigurava irrealizável, quem lhe exibiu essa prova, após ter recebido uma dica do porteiro perneta do prédio em frente aonde morava a meia-leca que tinha roubado o coração do (pelo menos até ao momento) único homem que a tinha feito chorar na vida.
Rolhas; Havia ; Prova; Porto; Anã; No; Sol; Lá
O meu resultado:
Havia uma anã que gostava de roubar as rolhas das garrafas de vinho do Porto do amante, após este ir para a borga.
No outro lado da cidade, lá, onde o sol de põe, o marido soluçava, sentado no seu desgosto, fixando a vista na polaroid onde a sua anãzinha querida beija fogosamente aquele que desde a infância era o seu melhor amigo. Foi a ex-mulher, à laia de vingança e secretamente esperançada numa reconciliação que há muito se afigurava irrealizável, quem lhe exibiu essa prova, após ter recebido uma dica do porteiro perneta do prédio em frente aonde morava a meia-leca que tinha roubado o coração do (pelo menos até ao momento) único homem que a tinha feito chorar na vida.
Sunday, June 07, 2009
Friday, June 05, 2009

Good times for a change
See, the luck I've had
Can make a good man
Turn bad
So please please please
Let me, let me, let me
Let me get what I want
This time
Haven't had a dream in a long time
See, the life I've had
Can make a good man bad
So, for once in my life
Let me get what I want
Lord knows it would be the first time
Lord knows it would be the first time
"Please, Please, Please, Let Me Get What I Want", The Smiths, 1984
Thursday, June 04, 2009
O coração é um caçador solitário
"Every woman adores a Fascist,
The boot in the face, the brute
Brute heart of a brute like you."
(Sylvia Plath, excerpt from 'Daddy', 1966)
Saturday, May 30, 2009
Friday, May 29, 2009
Das incompatibilidades amorosas
Ouvido por acaso em Lisboa, na passada 4ª feira. Alguém tentava explicar a uma amiga porque é que uma relação não estava a correr como desejado:
"ela é muito primavera-verão, enquanto eu sou mais outono-inverno"
Wednesday, May 27, 2009
Mais inspirações nos clássicos


...“The Kiss by the Hôtel de Ville”, Robert Doisneau, Paris, 1950
........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................Poster do filme "Singles - Vida de Solteiro", Cameron Crowe, 1992
A propósito, só há muito pouco tempo me apercebi que o beijo do lado direito foi tão obviamente inspirado no do lado esquerdo. E isso fez-me recordar este filme, essa jóia esquecida do início dos anos 90, com um Cameron Crowe inspirado, pré-colaborações com Tom Cruise, aproveitando os melhores ensinamentos do cinema de John Hughes e assinando, na minha modestíssima opinião, uma das magnum opus do cinema sobre a juventude, sobretudo na problemática da transição da juventude para a idade adulta (é pá, já pareço um político a escrever), com as suas graças e desgraças, realizadas com um equilíbrio e sensibilidade tocantes. Há muitas razões para este filme me ter marcado tanto naquela época. Uma delas foi ter-me apaixonado por uma das actrizes principais do filme. Ai, a adolescência...
Thursday, May 21, 2009
Saturday, May 09, 2009
Friday, May 01, 2009
O cão de Pavlov

Hoje vi o presidente da CM Lisboa num debate na televisão a fazer aquilo que os maus políticos (que no PS são quase todos) fazem: tentam limpar a imagem do seu partido, não querendo saber se o que dizem é verdadeiro ou falso, o que interessa é que a imagem fique imaculada aos olhos dos outros, por isso não se pode beliscar essa "pureza".
Lembrei-me dos reflexos de Pavlov, quando o cãozinho reagia após tocarem o sino ("reflexos condicionados", dizia). Portanto: se alguém diz algo menos simpático relativo à imagem das cores que defendo, tenho de reagir de imediato, como alguém que tenta apagar um mini-incêndio que tenha acabado de se deflagrar. Não para esclarecer se o que se disse é verdade ou falso, mas para que a tal imagem não fique beliscada.
O mais triste (e é por isso que que me apetece escrever sobre isto) é que parece que é disso mesmo que o povo gosta. A pequena burguesia que é parte significante deste país e que decide as eleições, e que a esquerda julga ser a sua base de apoio natural, é ela mesma que alimenta não só o capitalismo (que em si nada tem de mal), mas também pede discursos medíocres e populistas em vez de raciocínio, bom-senso e riqueza de espírito.
Os políticos que temos são feitos à imagem do povo que temos. Se Sócrates e os governantes são assim é por pragmatismo e não por ideologia. Se o povo gostasse de outro tipo de pessoas, não teríamos outro tipo de políticos no poder mas sim os mesmos a comportarem-se de maneira diferente. É uma pescadinha-de-rabo-na-boca.
Pegando nisto e no não poderem beliscar, pôr em causa o que somos, temos uma sociedade muito acriançada e muito pouco desenvolvida. As pessoas, em média, só querem ter conhecimentos técnicos que lhes permitam ter um emprego que lhes permita ter um estilo de vida tendencialmente materialista e consumista. Vivem embriagados nessa filosofia. O resto não interessa, não lhes diz respeito. Não têm um mínimo de cultura, seja em que àrea for. E não querem passar das aparências.
É disto que que não vejo os políticos e a comunicação social (esta também merece muitos puxões de orelhas) falar. E por isso temos a sociedade que temos. E os políticos que temos. Se eu fosse realizador de cinema ou escritor, era este o tipo de material que escolheria para as minhas obras (porque também as novelas e o nosso cinema andam distraídos com outras coisas ou com abordagens fracas, repisando clichés atrás de clichés), para além do amor.
Thursday, April 30, 2009
Foi(?) só uma fase
Passei quase uma hora a pesquisar no Google quem é que algumas das estrelas de Hollywood estão a namorar no momento... a Natalie Portman, a Evan Rachel Wood, a rapariga do (vem ai um refluxo gástrico) "Crepúsculo" (chama-se Kristen Stewart e descobri que é amiga da erva).
Quando é que eu me tornei numa americana de 17 anos? Ou (pior?), num americano de 15?
Socorro, ajuda, preciso.
Quando é que eu me tornei numa americana de 17 anos? Ou (pior?), num americano de 15?
Socorro, ajuda, preciso.
Monday, April 27, 2009
Sunday, April 26, 2009
Deslizando
Tuesday, April 21, 2009
Wednesday, April 15, 2009
Quando os Monty Python puseram os filósofos a reflectir sobre o sentido da vida num campo de futebol
Quem diria que Sócrates (o outro, o mais antigo) era tão temível goleador!!
.
Não sou de vanglórias nem de falsas modéstias. Dito isto, e reflectindo bem, é um milagre ter chegado onde estou no tempo sem ter ficado pelo menos um pouco psicótico. Não, a lucidez é minha amiga e não se vai embora. É importante, é uma boa ajuda. Mas não resolve nada. E as pressões e tensões e conflitos não são só memórias difícieis e distantes do passado. São demónios persistentes. Daqueles que acorrentam, com vigor e temosia.
Mente lúcida + demónios = justaposição complexa, muito difícil de equilibrar. Como ter de andar todo o tempo com um copo com líquido até ao limite na mão, sempre com cuidado extremo para não entornar. Porque se entorna, é um alívio no princípio, mas depois volta a encher e a ficar ainda um bocadinho mais cheio. Até os malabaristas mais experimentados tremeriam de respeito perante tão complicado e estúpido desafio.
Porque quando os que deveriam servir de nosso suporte emocional são a causa para ele não não estar lá, o tapete sai debaixo dos pés e deixa-nos o resto da vida à procura dele, porque o coração e a mente informam-nos que só assim é possível avançar. Sinto ser uma tarefa impossível, tão complicada como descobrir o Santo Graal, a Atlântida ou as Misteriosas Cidades do Ouro, quando só quero ter um chão firme onde possa pôr-me de pé, em segurança.
Não sendo assim, pode-se ter potencial e talento de um lado mas as forças que estão do outro deixam-lhes encalhados. Presos num corpo e mente que não os pode puxar para fora deles. Ficam guardadinhos, o seu peso intensificando a dor. Mais valia ser uma pessoa banal, talvez, porque assim o sofrimento era outro, também ele mais corriqueiro e assim menos custoso.
E a lucidez pode não querer ficar para sempre. Pode fartar-se, porque a paciência é santa mas não gosta que a indolência se perpetue. As estatísticas dizem que quem passa uma vida assim pode criar falhas comprometedoras em partes demasiado importantes do nosso cérebro. E, depois de uma vida difícil, no final é que começa a doer. Não quero esse triste fim.
Mente lúcida + demónios = justaposição complexa, muito difícil de equilibrar. Como ter de andar todo o tempo com um copo com líquido até ao limite na mão, sempre com cuidado extremo para não entornar. Porque se entorna, é um alívio no princípio, mas depois volta a encher e a ficar ainda um bocadinho mais cheio. Até os malabaristas mais experimentados tremeriam de respeito perante tão complicado e estúpido desafio.
Porque quando os que deveriam servir de nosso suporte emocional são a causa para ele não não estar lá, o tapete sai debaixo dos pés e deixa-nos o resto da vida à procura dele, porque o coração e a mente informam-nos que só assim é possível avançar. Sinto ser uma tarefa impossível, tão complicada como descobrir o Santo Graal, a Atlântida ou as Misteriosas Cidades do Ouro, quando só quero ter um chão firme onde possa pôr-me de pé, em segurança.
Não sendo assim, pode-se ter potencial e talento de um lado mas as forças que estão do outro deixam-lhes encalhados. Presos num corpo e mente que não os pode puxar para fora deles. Ficam guardadinhos, o seu peso intensificando a dor. Mais valia ser uma pessoa banal, talvez, porque assim o sofrimento era outro, também ele mais corriqueiro e assim menos custoso.
E a lucidez pode não querer ficar para sempre. Pode fartar-se, porque a paciência é santa mas não gosta que a indolência se perpetue. As estatísticas dizem que quem passa uma vida assim pode criar falhas comprometedoras em partes demasiado importantes do nosso cérebro. E, depois de uma vida difícil, no final é que começa a doer. Não quero esse triste fim.
Uma imagem bela

"Os grandes homens não podem fazer-se por encomenda por qualquer método de ensino por mais perfeito que seja.
O máximo que podemos esperar fazer é ensinar todo o indivíduo a atingir todas as suas potencialidades e tornar-se completamente ele próprio. Mas o eu de um indivíduo será o eu de Shakespeare, o eu de outro será o eu de Flecknoe. Os sistemas de educação prevalecentes não só falham em tornar Flecknoes em Shakespeares (nenhum método de educação fará isso alguma vez); falham em fazer dos Flecknoes o melhor. A Flecknoe não é dada sequer uma oportunidade para se tornar ele próprio. Congenitamente um sub-homem, ele está condenado pela educação a passar a sua vida como um sub-sub-homem."
Aldous Huxley, in "Sobre a Democracia e Outros Estudos"
Tuesday, April 14, 2009
Sunday, April 12, 2009
Thursday, April 09, 2009
Fotografia gémea


"V–J day in Times Square", Alfred Eisenstaedt, 1945.............................."Kissing the War Goodbye", Victor Jorgensen, 1945
Dúvida
Porque que é que confundem o meu abatimento/depressão tantas vezes e tão erradamente com antipatia?
Wednesday, April 08, 2009
"Computer says No..."
Em homenagem à "simpática" senhora que me atendeu no Governo Civil da minha cidade:
Little Britain USA, 2008
Tuesday, April 07, 2009

"Normalmente, a ausência de dor é apenas a condição física necessária para que o indivíduo sinta o mundo; somente quando o corpo não está irritado, e devido à irritação voltado para dentro de si mesmo, podem os sentidos do corpo funcionar normalmente e receber o que lhes é oferecido. A ausência de dor geralmente só é «sentida» no breve intervalo entre a dor e a não-dor; mas a sensação que corresponde ao conceito de felicidade do sensualista é a libertação da dor, e não a sua ausência."
in "A Condição Humana", Hannah Arendt, 1958
Sunday, April 05, 2009
Febre de Sábado a começar a seguir ao almoço
Chegar muito tarde e mal-disposto e trombalhudo ao sítio onde tenho de estar.
Pensar "vou? não vou? vou? não vou? vou?" ao filme de hoje (ontem) da festa do cinema italiano durante horas (a tarde quase toda), para lá me decidir a ir, mesmo que isso signifique ficar quase 2 horas antes do filme começar sem fazer nada e chegar a casa bem de madrugada. E jantar porcarias.
Passar a tarde a evitar conversar, porque não estou com vontade e não quero sentir o meu cérebro explodir.
Chegar ao cinema, ir buscar uns quantos postais e ler umas críticas que estão colocadas à porta das salas e ter de levar com 2 italianos a olharem para mim como se estivesse a invadir um qualquer espaço só deles. Se ainda não arrumaram tudo como queriam, não se preocupem que não vos incomodo. Ou se quiserem ficar mais à vontade, aconselho-vos a não estarem num local público.
Chegar à bilheteira e descobrir que os bilhetes esgotaram à 1 da tarde. E ficar logo sem vontade de ir ao cinema, ver filmes italianos ou raios que os partam, durante semanas ou meses.
Aproveitar a vantagem de ter, agora, de ficar 1 hora e meia à espera do próximo transporte para casa e ver se, finalmente, vou comprar uns ténis ou uns sapatos ou qualquer coisa que enfie no pé sem ficar com os dedos à mostra que não tenham buracos ou não estejam muito gastos. Dou a volta habitual. Como é possível que num centro comercial inteiro não haja nada de que goste? Foda-se.
Depois vou à Bertrand e à feira do livro usado fingir que estou interessado em comprar alguma coisa e esquecer-me que desde o início do ano só li 2 livros e uns contos.
E é verdade, o meu cartão Lisboa Viva a não querer funcionar, sobretudo quando tenho muitas pessoas atrás de mim. Mas não fico stressado, não tenho feitio para isso. Fico sim ainda mais apático. Mais uma camada.
Finalmente, chegar a casa e continuar inundado de tédio. Comer mais qualquer coisa e passar o resto da noite na net.
Isto é o mais próximo que tive de animação, ultimamente.
Isto é pobre.
Isto é um desperdício.
Pensar "vou? não vou? vou? não vou? vou?" ao filme de hoje (ontem) da festa do cinema italiano durante horas (a tarde quase toda), para lá me decidir a ir, mesmo que isso signifique ficar quase 2 horas antes do filme começar sem fazer nada e chegar a casa bem de madrugada. E jantar porcarias.
Passar a tarde a evitar conversar, porque não estou com vontade e não quero sentir o meu cérebro explodir.
Chegar ao cinema, ir buscar uns quantos postais e ler umas críticas que estão colocadas à porta das salas e ter de levar com 2 italianos a olharem para mim como se estivesse a invadir um qualquer espaço só deles. Se ainda não arrumaram tudo como queriam, não se preocupem que não vos incomodo. Ou se quiserem ficar mais à vontade, aconselho-vos a não estarem num local público.
Chegar à bilheteira e descobrir que os bilhetes esgotaram à 1 da tarde. E ficar logo sem vontade de ir ao cinema, ver filmes italianos ou raios que os partam, durante semanas ou meses.
Aproveitar a vantagem de ter, agora, de ficar 1 hora e meia à espera do próximo transporte para casa e ver se, finalmente, vou comprar uns ténis ou uns sapatos ou qualquer coisa que enfie no pé sem ficar com os dedos à mostra que não tenham buracos ou não estejam muito gastos. Dou a volta habitual. Como é possível que num centro comercial inteiro não haja nada de que goste? Foda-se.
Depois vou à Bertrand e à feira do livro usado fingir que estou interessado em comprar alguma coisa e esquecer-me que desde o início do ano só li 2 livros e uns contos.
E é verdade, o meu cartão Lisboa Viva a não querer funcionar, sobretudo quando tenho muitas pessoas atrás de mim. Mas não fico stressado, não tenho feitio para isso. Fico sim ainda mais apático. Mais uma camada.
Finalmente, chegar a casa e continuar inundado de tédio. Comer mais qualquer coisa e passar o resto da noite na net.
Isto é o mais próximo que tive de animação, ultimamente.
Isto é pobre.
Isto é um desperdício.
Friday, April 03, 2009
Sobre o poder, a condição feminina (e a dos desprotegidos, em geral) e a liberdade,
tudo isto em pouco mais de 2 minutos de humor doloroso:
in "Extras - Christmas Special", 2007
Les femmes sont-elles magiques?
Thursday, April 02, 2009
A lucidez,
quando não tem companhia, transforma-se num fardo. E desvia-nos para a exaustão.
Exaustão por lucidez - uma nova condição?
Exaustão por lucidez - uma nova condição?
Wednesday, April 01, 2009
A Prisão Dourada

"Tenta fazer esta experiência, construindo um palácio. Equipa-o com mármore, quadros, ouro, pássaros do paraíso, jardins suspensos, todo o tipo de coisas... e entra lá para dentro. Bem, pode ser que nunca mais desejasses sair daí. Talvez, de facto, nunca mais saisses de lá. Está lá tudo! 'Estou muito bem aqui sozinho!'. Mas, de repente - uma ninharia! O teu castelo é rodeado por muros, e é-te dito: 'Tudo isto é teu! Desfruta-o! Apenas não podes sair daqui!'. Então, acredita-me, nesse mesmo instante quererás deixar esse teu paraíso e pular por cima do muro. Mais! Todo esse luxo, toda essa plenitude, aumentará o teu sofrimento. Sentir-te-ás insultado como resultado de todo esse luxo... Sim, apenas uma coisa te falta... um pouco de liberdade."
Fiodor Dostoievski, in "O Movimento de Liberação"
Monday, March 30, 2009
Saturday, March 28, 2009
Friday, March 27, 2009
Thursday, March 26, 2009
Friday, March 20, 2009
Thursday, March 19, 2009
Descubra as parecenças - III


....."Excursion into Philosophy", Edward Hopper, 1959................................................................Nan Goldin
Tuesday, March 17, 2009
Descubra as parecenças - II


................................Kate Bush no vídeoclip "Wuthering Heights", 1978
Judy Garland em "Assim Nasce Uma Estrela", 1954
Monday, March 16, 2009
Descubra as parecenças


..........."O Império das Luzes", René Magritte, 1954.............................Poster do filme "O Exorcista", William Friedkin, 1973
Saturday, March 14, 2009
Sunday, March 08, 2009
É muito isto, é

"(...) tu convenceste-me pelo teu exemplo e pela tua educação, (...), da minha incapacidade, e o que se tornava verdade e te dava razão para os pormenores insignificantes devia, é evidente, ser extraordinariamente verdade para as coisas maiores (...).
(...) portei-me mais ou menos como um homem de negócios que vai ganhando para comer com, é verdade, preocupações e pressentimentos muito maus. Faz pequenos benefícios, que devido à sua raridade não cessa de lhe dar lucros e de amplificar na sua imaginação, à parte disso, as perdas são quotidianas. Tudo é contabilizado, mas nunca é feito um balanço. Então, um dia, surge a necessidade de se fazer um balanço (...). E aí tem de se lidar com grandes somas negativas como se jamais se tivesse tido o menor lucro, tudo não passa de um grande prejuízo."
in "Carta ao Pai", Franz Kafka, Novembro de 1919
Tuesday, March 03, 2009
Beijo de lado

Quando as cabeças das duas pessoas se inclinam em direcções opostas e o beijo é produzido nessa postura.
Esta é uma das formas mais comuns de se beijar e a preferida dos filmes. As cabeças inclinadas permitem um melhor contacto dos lábios e uma penetração profunda da língua. É um modo excelente de começar um encontro amoroso apaixonado e também um modo de estimular a paixão entre o casal.
Sunday, March 01, 2009
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