Monday, October 04, 2010

Não tenho uma rede social à minha volta, e a responsabilidade é toda minha. Posso não ter a culpa, mas tenho a responsabilidade. E sem uma estrutura social não dá para fazer nada. Ninguém faz nada. Só gostava de dispor de algumas ferramentas sociais e de um pinguinho de energia para pelo menos mudar qualquer coisa. ;(
As pessoas são simpáticas para mim, se me vêm em baixo ou lhes digo que não estou bem tentam animar-me, convidam-me para fazer algo, mas depois como ou recuso (porque sinto enorme inibição e inadequação com os outros) ou aceito mas depois estou muito calado e com ar pouco animado, essas mesmas pessoas tendem a desinteressar-se com a mesma rapidez com que se preocuparam. E, mais uma vez, a responsabilidade não está fora de mim. Mas se não estou bem com os outros não é porque não quero, é porque quero muito mas não posso. Muitas vezes quero tanto, tanto que dói, uma dor que consome o corpo e a mente, e a frustração que resulta de não me conseguir integrar é quase paralisante. Sinto (quase) sempre uma barreira e uma distância intransponíveis entre mim e mesmo aqueles que são de uma disponibilidade e de uma preocupação que se oferece ao maior e melhor dos amigos. E fico tão, tão contente por isso, e quero retribuir tanto, tanto, porque gosto muito, muito de quem é meu amigo - e na melhor das hipóteses sai uma meia-tinta de mim que arrefece em pouco tempo o interesse dos outros. E saio sempre a perder porque não consigo, simplesmente não consigo conectar-me... mas é o que mais desejo neste mundo...
Como me disseram uma vez, há já muito tempo, sou como um bom carro sem motor.
Sempre me senti assim, esforce-me eu o máximo que puder para não ser.

Sunday, October 03, 2010

Acho que vou passar de evitante a esquizóide, não tarda nada. :(

Monday, July 26, 2010

Como, quase de um dia para o outro, e com uma leveza que perturba, se deita para trás das costas amizades de anos - é do que mais me impressiona (e me custa), ainda hoje.

Sunday, July 25, 2010

"Ele era um homem sensato, aos poucos tornou-se um idiota e agora é uma besta"

in "Othello", Shakespeare

Monday, June 07, 2010

Prefiro o amor companheiro ao amor romântico

Tuesday, June 01, 2010

Não quero ser um estereótipo nem uma estatística. Eu quero ser eu.

Friday, November 27, 2009

É assim mesmo.

No Abrupto:

"COISAS DA SÁBADO:
O QUE SÓ SE SABE DEPOIS DAS ELEIÇÕES E QUE SE DEVERIA TER SABIDO ANTES

Tanta coisa! O número do deficit por exemplo, deliberadamente escondido meses após meses, com a publicitação de números e previsões irrealistas, denunciadas por todos, partidos e economistas, e que teve o papel de ainda mais descredibilizar o Ministro das Finanças, um dos poucos que ainda incutia alguma confiança aos portugueses. A cegueira eleitoralista foi tal que o Ministro negou previsões da EU e de outras instituições internacionais como “excessivamente pessimistas”.

Que a economia e as finanças estavam muito mal, pressentia-se e sabia-se. Mas a real dimensão dos problemas foi escondida e ainda está escondida na sua dimensão real. O que vai acontecer é que esta teimosia no erro, vai ter custos graves para o país. Vai adiar medidas inevitáveis, vai agravar tendências negativas, até que de repente vamos todos acordar com uma economia ingovernável, com as finanças descontroladas e o país na falência. Não excluo, como já disse uma vez, que nessa altura o PS saia de cena pela porta mais baixa que encontrar e deixe a outrem uma crise gravíssima. Estamos mais perto disso do que se pensa e o mero apego ao poder do PS, forte que seja, pode soçobrar perante medidas internacionais gravosas para Portugal e um colapso “argentino”. E tudo isto, sem qualquer responsabilidade da oposição. Apenas pela fuga em frente e pela ocultação da realidade. A continuar assim ainda achamos Medina Carreira um optimista."

Sunday, October 11, 2009

Wednesday, October 07, 2009

Se criasse o blogue hoje, intitulava-o de "O Invisível"

Tuesday, October 06, 2009

Thursday, October 01, 2009

Já me tinha esquecido disto, mas morri há muito tempo. Só finjo que não.

Friday, September 18, 2009

Self-portrait

"The Desperate Man", Gustave Courbet, 1843–1845

Sunday, September 13, 2009

Para aliviar um pouco a neura

uma debate original sobre música (e contas de almoço):

7 Artes - Música

Tuesday, August 25, 2009

Às vezes

penso que sou muito engraçado. A seguir reflicto, tento pôr-me à prova. Chego à conclusão que, de facto, sou muito engraçado. E que tenho muitas outras qualidades muito boas e não muito comuns, até atrevo-me a dizer especiais. E depois fico deprimido.

Amor de primeira na idade terceira

"Nunca é Tarde Demais para Amar", Andreas Dresen, 2008

Monday, August 10, 2009

John Hughes

John Hughes, 1950-2009

Se eu fosse realizador, ele seria a minha principal influência.

Precisamos destes filmes, não das Hannah Montanas.


Tenho a certeza

de que, se me esforçasse e me concentrasse, conseguiria transformar o não fazer nada numa forma de arte.

Mas não me apetece.

No limiar

de qualquer coisa. Sem humor nem vontade de me mexer.

"No Limiar da Eternidade", Vincent Van Gogh

Tuesday, August 04, 2009

E, também, de que vale

um espírito que deseja ser rico se depois tem medo ou não consegue mostrar-se aos outros?

De que vale

um espírito rico, ou que tem atitude em desejar ser rico, se está no meio do pântano?

Um grande, grande aperto no coração e um grande, grande nó no estômago

É assim que eu reajo desde há alguns (não, há muitos) dias a praticamente tudo o que vejo, leio, sinto, penso, lembro, relembro, oiço... quer esteja relacionado com a minha vida (directa ou indirectamente), quer seja sobre coisas ou acontecimentos fora da minha vida mas que me interessam. E tudo, tudo, tudo o que capto no meu radar tem-me interessado, parece que redescobri aquela super-curiosidade que tive em tempos, quando era criança.
Essa hiper-sensibilidade é o resultado, entre outros, de muitas implosões, que são a coisa mais constante em mim. Que cada vez cicatrizam pior ou já nem isso.

Thursday, July 23, 2009

Absent Friends

Absent friends, here's to them
And happy days, we thought that they would never end.
Here's to absent friends


from The Divine Comedy, "Absent Friends"

Sunday, July 19, 2009

Encantamento x 2


The Divine Comedy, "Love What You Do"


M83, "We Own The Sky"

Friday, July 10, 2009

Amanhã à noite, na RTP 2, Sessão Dupla - David Lynch


"Mulholland Drive", 2001


"Eraserhead", 1977

Saturday, July 04, 2009

Melomania - II

Mais um que já não escutava há não sei quanto tempo. (Agradeço à Sara por ter postado algumas músicas deste álbum. Fui procurá-lo, estava debaixo de uma montanha de outros!)
A preguiça e a melancolia aqui são uma delicia, sabem a um gelado fresco em fim de tarde de Verão.

"Nouvelle Vague", Nouvelle Vague, 2004

Os meus sonhos são o amanhã que ficou para trás

Que alívio que seria já ser velho! Poderia aguentar muitas coisas sem tanta preocupação, até com um certo alívio, porque já não teria a responsabilidade de ter de conquistar coisas que ainda tenho de conseguir e que, por muito que queira, não consigo. Não dá. Não tenho meios para chegar lá.
Assim, a vida é um fardo quotidiano. Que pesa mais um grama a cada dia que passa.

Friday, July 03, 2009

Reflection On A Wicked World

Purity
Is obscurity.

by Ogden Nash

Thursday, July 02, 2009

Melomania

dos últimos dias. Já não me lembrava (porque há muito que não os ouvia) do quão assombrantes são. E não há assim tantos.


"London Calling", The Clash, 1979



"a secret history: the best of", The Divine Comedy, 1999



Têm conseguido, quando deixo, fazer-me sorrir. E imaginar. :)

Monday, June 29, 2009

Saudade é solidão acompanhada

Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos magoa,
é não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás, é
o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
"aquela que nunca amou."
E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar
pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido...


Pablo Neruda

Unloveable

I know I'm unloveable
you don't have to tell me
message received, loud and clear
loud and clear, message received



Excerto de "Unloveable", The Smiths

Saturday, June 27, 2009

The Road Not Taken

I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
two roads diverged in a wood, and I --
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.


Excerto de "The Road Not Taken" de Robert Frost, 1916

R.I.P.

Com dois dias de atraso:



......................Michael Jackson, 1958-2009............................................Farrah Fawcett, 1947-2009


Só porque me lembro deles assim, quando era pequeno, como ícones, alguém que eu admirava e me faziam sonhar, devanear, fantasiar sobre o que gostaria de fazer ou ser quando fosse "grande". Agora eu sou "grande" e eles já não são vivos. As suas mortes despertaram-me um desejo estranho de fazer um balanço à minha vida, muito mais distanciado no tempo do que aquele que acontece quando fazemos anos ou festejamos a passagem de ano. E diferente também daquele que fazemos quando nos morre alguém chegado, ou quando pensamos nos amigos com quem já não mantemos contacto.
Ou quando pensamos nas diferentes fases da vida, em que a vida era outra. Quando pensamos no que só tem lugar na nossa memória.

Friday, June 26, 2009

Mas eu, o mal-dormido,
Não sinto noite ou frio,
Nem sinto vir o dia
Da solidão vazia.
Só sinto o indefinido
Do coração vazio.

Em vão o dia chega
Quem não dorme, a quem
Não tem que ter razão
Dentro do coração,
Que quando vive nega
E quando ama não tem.

Em vão, em vão, e o céu
Azula-se de verde
Acinzentadamente.
Que é isto que a minha alma sente?
Nem isto, não, nem eu,
Na noite que se perde.



Fernando Pessoa, excerto de "Começa a Ir Ser Dia", in "Cancioneiro"

O solitário

As observações e as vivências do solitário que só fala consigo próprio são simultaneamente mais indistintas e intensas do que as do homem social e os seus pensamentos são mais graves, mais fantasiosos e nunca sem uma coloração de melancolia. Imagens e impressões que outros poriam naturalmente de lado após um olhar, um sorriso, um comentário, ocupam-no mais do que é devido, tornam-se profundas no silêncio, ganham significado, transformam-se em acontecimento, aventura, emoção. A solidão cria o original, o belo ousado e estranho cria a poesia. Mas cria também o distorcido, o desproporcionado, o absurdo e o proibido.

Thomas Mann, in "Morte em Veneza"
Podemos suportar as desgraças que vêm do exterior: são acidentes. Mas sofrer pelas nossas próprias faltas... Ah!, é esse o tormento da vida.

(Oscar Wilde)

Tuesday, June 23, 2009

Sunday, June 21, 2009

Excertos

"Há muito que um dos passatempos favoritos da vizinhança consiste em fantasiar sobre a identidade e profissão do misterioso locatário (...). Não que investiguem o caso com demasiado afã, porém. Como todos aqueles que alguma vez se encontraram numa situação semelhante, temem que a verdade seja muito menos interessante do que as suas conjecturas."

"Em vida, as celebridades são já semi-deuses. E depois de mortos são definitivamente divinizados. Só naquele momento, entre a vida e a morte, são humanos."

"O que leva os adolescentes a drogarem-se ou a abrir os pulsos não são os discos de heavy-metal tocados ao contrário. É Michael Bolton tocado normalmente."

"Como pode ser que os dias passem tão devagar e os anos tão depressa? Os anos tão depressa, os dias tão devagar..."

"Por esquecimento ou desleixo, um anúncio pode manter-se nos outdoors muito para além da sua época. Um anúncio a refrigerantes em Janeiro causa uma sensação de desconforto. É como uma ave que se tenha esquecido de migrar para Sul e tenha de enfrentar um Inverno rigoroso e solitário."

"É um desafio fascinante: olhar para um desconhecido e conjecturar como seria há 20 ou 30 anos atrás. Abrir caminho através de camadas de rugas (...). Raspar décadas de sujidade e cinismo, até encontrar as cores originais. Fósseis de um tempo em que julgamos que podemos escolher."

"- O seu problema é, obviamente, ser o produto do sonho de alguém.
- E quando a pessoa que me sonha acordar?"


"Na primeira vez que vi o mar, havia tanto ar e tanta luz que tive medo que a praia e as pessoas se incendiassem a qualquer momento. E só restasse vidro e ossos calcinizados."


Excertos da BD "O Quiosque da Utopia" de José Carlos Fernandes, 1998
Eu sou uma ilha do tamanho de uma ilha inteira.

Friday, June 19, 2009

Começo a conhecer-me. Não existo.

Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
(ou
Sou o intervalo entre o meu desejo e aquilo que os outros fizeram de mim
ou
Sou o intervalo entre o meu desejo e aquilo que os desejos dos outros fizeram de mim)

Ou metade desse intervalo, porque também há vida...
Sou isso, enfim...
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
É um universo barato.


Álvaro de Campos, há muitas décadas atrás

Monday, June 08, 2009

Exercício de Escrita Criativa

Redigir uma pequena história que inclua as 8 palavras seguintes:

Rolhas; Havia ; Prova; Porto; Anã; No; Sol; Lá


O meu resultado:

Havia uma anã que gostava de roubar as rolhas das garrafas de vinho do Porto do amante, após este ir para a borga.
No outro lado da cidade, , onde o sol de põe, o marido soluçava, sentado no seu desgosto, fixando a vista na polaroid onde a sua anãzinha querida beija fogosamente aquele que desde a infância era o seu melhor amigo. Foi a ex-mulher, à laia de vingança e secretamente esperançada numa reconciliação que há muito se afigurava irrealizável, quem lhe exibiu essa prova, após ter recebido uma dica do porteiro perneta do prédio em frente aonde morava a meia-leca que tinha roubado o coração do (pelo menos até ao momento) único homem que a tinha feito chorar na vida.

Sunday, June 07, 2009

Friday, June 05, 2009


Good times for a change
See, the luck I've had
Can make a good man
Turn bad

So please please please
Let me, let me, let me
Let me get what I want
This time

Haven't had a dream in a long time
See, the life I've had
Can make a good man bad

So, for once in my life
Let me get what I want
Lord knows it would be the first time
Lord knows it would be the first time


"Please, Please, Please, Let Me Get What I Want", The Smiths, 1984

Thursday, June 04, 2009

O coração é um caçador solitário


"Every woman adores a Fascist,
The boot in the face, the brute
Brute heart of a brute like you."


(Sylvia Plath, excerpt from 'Daddy', 1966)

Friday, May 29, 2009

Das incompatibilidades amorosas

Ouvido por acaso em Lisboa, na passada 4ª feira. Alguém tentava explicar a uma amiga porque é que uma relação não estava a correr como desejado:

"ela é muito primavera-verão, enquanto eu sou mais outono-inverno"

Wednesday, May 27, 2009

Mais inspirações nos clássicos
















...“The Kiss by the Hôtel de Ville”, Robert Doisneau, Paris, 1950
........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................Poster do filme "Singles - Vida de Solteiro", Cameron Crowe, 1992




A propósito, só há muito pouco tempo me apercebi que o beijo do lado direito foi tão obviamente inspirado no do lado esquerdo. E isso fez-me recordar este filme, essa jóia esquecida do início dos anos 90, com um Cameron Crowe inspirado, pré-colaborações com Tom Cruise, aproveitando os melhores ensinamentos do cinema de John Hughes e assinando, na minha modestíssima opinião, uma das magnum opus do cinema sobre a juventude, sobretudo na problemática da transição da juventude para a idade adulta (é pá, já pareço um político a escrever), com as suas graças e desgraças, realizadas com um equilíbrio e sensibilidade tocantes. Há muitas razões para este filme me ter marcado tanto naquela época. Uma delas foi ter-me apaixonado por uma das actrizes principais do filme. Ai, a adolescência...

Thursday, May 21, 2009

Beijo artístico

Norah Jones e Jude Law, "My Blueberry Nights", Wong Kar-Wai, 2007

Saturday, May 09, 2009


"Muitas vezes o amado desencadeia a força lentamente acumulada no coração daquele que ama. O amor é uma coisa solitária. É esta descoberta que faz sofrer."

Carson McCullers

Friday, May 01, 2009

O cão de Pavlov


Hoje vi o presidente da CM Lisboa num debate na televisão a fazer aquilo que os maus políticos (que no PS são quase todos) fazem: tentam limpar a imagem do seu partido, não querendo saber se o que dizem é verdadeiro ou falso, o que interessa é que a imagem fique imaculada aos olhos dos outros, por isso não se pode beliscar essa "pureza".
Lembrei-me dos reflexos de Pavlov, quando o cãozinho reagia após tocarem o sino ("reflexos condicionados", dizia). Portanto: se alguém diz algo menos simpático relativo à imagem das cores que defendo, tenho de reagir de imediato, como alguém que tenta apagar um mini-incêndio que tenha acabado de se deflagrar. Não para esclarecer se o que se disse é verdade ou falso, mas para que a tal imagem não fique beliscada.
O mais triste (e é por isso que que me apetece escrever sobre isto) é que parece que é disso mesmo que o povo gosta. A pequena burguesia que é parte significante deste país e que decide as eleições, e que a esquerda julga ser a sua base de apoio natural, é ela mesma que alimenta não só o capitalismo (que em si nada tem de mal), mas também pede discursos medíocres e populistas em vez de raciocínio, bom-senso e riqueza de espírito.
Os políticos que temos são feitos à imagem do povo que temos. Se Sócrates e os governantes são assim é por pragmatismo e não por ideologia. Se o povo gostasse de outro tipo de pessoas, não teríamos outro tipo de políticos no poder mas sim os mesmos a comportarem-se de maneira diferente. É uma pescadinha-de-rabo-na-boca.

Pegando nisto e no não poderem beliscar, pôr em causa o que somos, temos uma sociedade muito acriançada e muito pouco desenvolvida. As pessoas, em média, só querem ter conhecimentos técnicos que lhes permitam ter um emprego que lhes permita ter um estilo de vida tendencialmente materialista e consumista. Vivem embriagados nessa filosofia. O resto não interessa, não lhes diz respeito. Não têm um mínimo de cultura, seja em que àrea for. E não querem passar das aparências.
É disto que que não vejo os políticos e a comunicação social (esta também merece muitos puxões de orelhas) falar. E por isso temos a sociedade que temos. E os políticos que temos. Se eu fosse realizador de cinema ou escritor, era este o tipo de material que escolheria para as minhas obras (porque também as novelas e o nosso cinema andam distraídos com outras coisas ou com abordagens fracas, repisando clichés atrás de clichés), para além do amor.

Thursday, April 30, 2009

Foi(?) só uma fase

Passei quase uma hora a pesquisar no Google quem é que algumas das estrelas de Hollywood estão a namorar no momento... a Natalie Portman, a Evan Rachel Wood, a rapariga do (vem ai um refluxo gástrico) "Crepúsculo" (chama-se Kristen Stewart e descobri que é amiga da erva).
Quando é que eu me tornei numa americana de 17 anos? Ou (pior?), num americano de 15?
Socorro, ajuda, preciso.

Será que a vida é mesmo só isto?

Sisífo


E ter consciência de que é só isto só nos torna conscientes, mais nada.

Monday, April 27, 2009

Um festival beijoqueiro


"Happiness", Goldfrapp (Metronomy remix feat. The Teenagers)

Sunday, April 26, 2009

Deslizando

"A Valsa", Camille Claudel


"O homem e a mulher nasceram para amar-se, mas não para viverem juntos; todos os amantes célebres viveram separados." Noel Clarasó

Tuesday, April 21, 2009


"Blade Runner", Ridley Scott, 1982


Deckard: Say "Kiss me".
Rachael: I can't... rely on... my memories...
Deckard: Say "Kiss me".
Rachael: Kiss me.
Deckard: I want you
Rachael: I want you.
Deckard: Again
Rachael: I want you.
[pauses]
Rachael: Put your hands on me.
O que eu mais quero da vida, mais ardentemente? Quero que me comova.

I'm back

Wednesday, April 15, 2009

Quando os Monty Python puseram os filósofos a reflectir sobre o sentido da vida num campo de futebol


"Monty Python's Flying Circus"


Quem diria que Sócrates (o outro, o mais antigo) era tão temível goleador!!

.

Não sou de vanglórias nem de falsas modéstias. Dito isto, e reflectindo bem, é um milagre ter chegado onde estou no tempo sem ter ficado pelo menos um pouco psicótico. Não, a lucidez é minha amiga e não se vai embora. É importante, é uma boa ajuda. Mas não resolve nada. E as pressões e tensões e conflitos não são só memórias difícieis e distantes do passado. São demónios persistentes. Daqueles que acorrentam, com vigor e temosia.

Mente lúcida + demónios = justaposição complexa, muito difícil de equilibrar. Como ter de andar todo o tempo com um copo com líquido até ao limite na mão, sempre com cuidado extremo para não entornar. Porque se entorna, é um alívio no princípio, mas depois volta a encher e a ficar ainda um bocadinho mais cheio. Até os malabaristas mais experimentados tremeriam de respeito perante tão complicado e estúpido desafio.

Porque quando os que deveriam servir de nosso suporte emocional são a causa para ele não não estar lá, o tapete sai debaixo dos pés e deixa-nos o resto da vida à procura dele, porque o coração e a mente informam-nos que só assim é possível avançar. Sinto ser uma tarefa impossível, tão complicada como descobrir o Santo Graal, a Atlântida ou as Misteriosas Cidades do Ouro, quando só quero ter um chão firme onde possa pôr-me de pé, em segurança.
Não sendo assim, pode-se ter potencial e talento de um lado mas as forças que estão do outro deixam-lhes encalhados. Presos num corpo e mente que não os pode puxar para fora deles. Ficam guardadinhos, o seu peso intensificando a dor. Mais valia ser uma pessoa banal, talvez, porque assim o sofrimento era outro, também ele mais corriqueiro e assim menos custoso.

E a lucidez pode não querer ficar para sempre. Pode fartar-se, porque a paciência é santa mas não gosta que a indolência se perpetue. As estatísticas dizem que quem passa uma vida assim pode criar falhas comprometedoras em partes demasiado importantes do nosso cérebro. E, depois de uma vida difícil, no final é que começa a doer. Não quero esse triste fim.

Uma imagem bela

Precisamos de imagens belas. Precisamos de nos emocionar.
Precisamos de todas as coisas belas que podemos alcançar.


“The Kiss by the Hôtel de Ville”, Robert Doisneau, Paris, 1950

"Os grandes homens não podem fazer-se por encomenda por qualquer método de ensino por mais perfeito que seja.

O máximo que podemos esperar fazer é ensinar todo o indivíduo a atingir todas as suas potencialidades e tornar-se completamente ele próprio. Mas o eu de um indivíduo será o eu de Shakespeare, o eu de outro será o eu de Flecknoe. Os sistemas de educação prevalecentes não só falham em tornar Flecknoes em Shakespeares (nenhum método de educação fará isso alguma vez); falham em fazer dos Flecknoes o melhor. A Flecknoe não é dada sequer uma oportunidade para se tornar ele próprio. Congenitamente um sub-homem, ele está condenado pela educação a passar a sua vida como um sub-sub-homem."

Aldous Huxley, in "Sobre a Democracia e Outros Estudos"

Tuesday, April 14, 2009

Falta-me aquele fogo

Sunday, April 12, 2009

Thursday, April 09, 2009

Fotografia gémea



















"V–J day in Times Square", Alfred Eisenstaedt, 1945.............................."Kissing the War Goodbye", Victor Jorgensen, 1945

Dúvida

Porque que é que confundem o meu abatimento/depressão tantas vezes e tão erradamente com antipatia?

Wednesday, April 08, 2009

"Computer says No..."

Em homenagem à "simpática" senhora que me atendeu no Governo Civil da minha cidade:


Little Britain USA, 2008

Tuesday, April 07, 2009


"Normalmente, a ausência de dor é apenas a condição física necessária para que o indivíduo sinta o mundo; somente quando o corpo não está irritado, e devido à irritação voltado para dentro de si mesmo, podem os sentidos do corpo funcionar normalmente e receber o que lhes é oferecido. A ausência de dor geralmente só é «sentida» no breve intervalo entre a dor e a não-dor; mas a sensação que corresponde ao conceito de felicidade do sensualista é a libertação da dor, e não a sua ausência."

in "A Condição Humana", Hannah Arendt, 1958

Sunday, April 05, 2009

Febre de Sábado a começar a seguir ao almoço

Chegar muito tarde e mal-disposto e trombalhudo ao sítio onde tenho de estar.
Pensar "vou? não vou? vou? não vou? vou?" ao filme de hoje (ontem) da festa do cinema italiano durante horas (a tarde quase toda), para lá me decidir a ir, mesmo que isso signifique ficar quase 2 horas antes do filme começar sem fazer nada e chegar a casa bem de madrugada. E jantar porcarias.
Passar a tarde a evitar conversar, porque não estou com vontade e não quero sentir o meu cérebro explodir.
Chegar ao cinema, ir buscar uns quantos postais e ler umas críticas que estão colocadas à porta das salas e ter de levar com 2 italianos a olharem para mim como se estivesse a invadir um qualquer espaço só deles. Se ainda não arrumaram tudo como queriam, não se preocupem que não vos incomodo. Ou se quiserem ficar mais à vontade, aconselho-vos a não estarem num local público.
Chegar à bilheteira e descobrir que os bilhetes esgotaram à 1 da tarde. E ficar logo sem vontade de ir ao cinema, ver filmes italianos ou raios que os partam, durante semanas ou meses.
Aproveitar a vantagem de ter, agora, de ficar 1 hora e meia à espera do próximo transporte para casa e ver se, finalmente, vou comprar uns ténis ou uns sapatos ou qualquer coisa que enfie no pé sem ficar com os dedos à mostra que não tenham buracos ou não estejam muito gastos. Dou a volta habitual. Como é possível que num centro comercial inteiro não haja nada de que goste? Foda-se.
Depois vou à Bertrand e à feira do livro usado fingir que estou interessado em comprar alguma coisa e esquecer-me que desde o início do ano só li 2 livros e uns contos.
E é verdade, o meu cartão Lisboa Viva a não querer funcionar, sobretudo quando tenho muitas pessoas atrás de mim. Mas não fico stressado, não tenho feitio para isso. Fico sim ainda mais apático. Mais uma camada.
Finalmente, chegar a casa e continuar inundado de tédio. Comer mais qualquer coisa e passar o resto da noite na net.
Isto é o mais próximo que tive de animação, ultimamente.
Isto é pobre.
Isto é um desperdício.

Friday, April 03, 2009

Sobre o poder, a condição feminina (e a dos desprotegidos, em geral) e a liberdade,

tudo isto em pouco mais de 2 minutos de humor doloroso:


in "Extras - Christmas Special", 2007

Para concluir

O hedonismo é bom - não o hedonismo do ter, mas o hedonismo do ser.

Mais uma

É digno de dó quem tenta abrir portas já escancaradas por outros.

Uma reflexão curtinha

Usar muitos sinónimos para uma coisa é sinal de insegurança.

Les femmes sont-elles magiques?


"- As mulheres são mágicas?
- Não sei, mas as pernas das mulheres são mágicas! Por isso usamos calças enquanto elas usam saias!"



in "A Noite Americana", François Truffaut, 1973

Thursday, April 02, 2009

A lucidez,

quando não tem companhia, transforma-se num fardo. E desvia-nos para a exaustão.

Exaustão por lucidez - uma nova condição?

Wednesday, April 01, 2009

A Prisão Dourada


"Tenta fazer esta experiência, construindo um palácio. Equipa-o com mármore, quadros, ouro, pássaros do paraíso, jardins suspensos, todo o tipo de coisas... e entra lá para dentro. Bem, pode ser que nunca mais desejasses sair daí. Talvez, de facto, nunca mais saisses de lá. Está lá tudo! 'Estou muito bem aqui sozinho!'. Mas, de repente - uma ninharia! O teu castelo é rodeado por muros, e é-te dito: 'Tudo isto é teu! Desfruta-o! Apenas não podes sair daqui!'. Então, acredita-me, nesse mesmo instante quererás deixar esse teu paraíso e pular por cima do muro. Mais! Todo esse luxo, toda essa plenitude, aumentará o teu sofrimento. Sentir-te-ás insultado como resultado de todo esse luxo... Sim, apenas uma coisa te falta... um pouco de liberdade."

Fiodor Dostoievski, in "O Movimento de Liberação"

Monday, March 30, 2009

O olhar como presságio de uma vida

Camille Claudel, aos 20 anos

Saturday, March 28, 2009

Da amizade


Peter Gabriel com Kate Bush, "Don't Give Up", 1986

Friday, March 27, 2009

A vida é muito curta e temos de viver de modo a nos orgulharmos daquilo que fizemos, quando mais tarde olharmos para trás.

Mais fácil dizer do que fazer.

Thursday, March 26, 2009

Friday, March 20, 2009

Kate Bush

Podia pôr qualquer vídeoclip dela, porque todos são dignos de admiração. E sobretudo ela é digna de admiração.


"This Woman's Work", do álbum "The Sensual World", 1989

Thursday, March 19, 2009

Descubra as parecenças - III













....."Excursion into Philosophy", Edward Hopper, 1959................................................................Nan Goldin

Quando for grande quero ser assim


"Bouquet of Daffodils", Robert Doisneau (Paris, 1950)

Tuesday, March 17, 2009


Juliete Binoche em "Azul", Krzyzstof Kieslowski, 1993

Descubra as parecenças - II













................................Kate Bush no vídeoclip "Wuthering Heights", 1978



Judy Garland em "Assim Nasce Uma Estrela", 1954

Monday, March 16, 2009

Descubra as parecenças





















..........."O Império das Luzes", René Magritte, 1954.............................Poster do filme "O Exorcista", William Friedkin, 1973

Saturday, March 14, 2009

Beijos também nos vídeoclips


"Back Together", Babybird, 1998

Friday, March 13, 2009


"Risé and Monty on the Lounge Chair", Nan Goldin, 1988

"Os Amantes", René Magritte, 1928

Anne Wiazemsky, em "Au Hasard, Balthasar" , Robert Bresson, 1966

Wednesday, March 11, 2009


George Peppard e Audrey Hepburn em "Boneca de Luxo", Blake Edwards, 1961

Olhares


Nicholas Cage em "Por um Fio", Martin Scorsese, 1999

Beijos


Tobey Maguire e Kirsten Dunst em "Homem-Aranha", Sam Raimi, 2002

Sunday, March 08, 2009


"I´m just living in a life without meaning
I walk and walk, I'm dreaming
I'm just living in a life without feeling
I talk, and talk, say nothing

Nothing ever change"

in "Do Nothing", da colectânea "The Specials Singles", The Specials, 1991

É muito isto, é


"(...) tu convenceste-me pelo teu exemplo e pela tua educação, (...), da minha incapacidade, e o que se tornava verdade e te dava razão para os pormenores insignificantes devia, é evidente, ser extraordinariamente verdade para as coisas maiores (...).
(...) portei-me mais ou menos como um homem de negócios que vai ganhando para comer com, é verdade, preocupações e pressentimentos muito maus. Faz pequenos benefícios, que devido à sua raridade não cessa de lhe dar lucros e de amplificar na sua imaginação, à parte disso, as perdas são quotidianas. Tudo é contabilizado, mas nunca é feito um balanço. Então, um dia, surge a necessidade de se fazer um balanço (...). E aí tem de se lidar com grandes somas negativas como se jamais se tivesse tido o menor lucro, tudo não passa de um grande prejuízo."

in "Carta ao Pai", Franz Kafka, Novembro de 1919

Tuesday, March 03, 2009

Beijo de lado


Quando as cabeças das duas pessoas se inclinam em direcções opostas e o beijo é produzido nessa postura.
Esta é uma das formas mais comuns de se beijar e a preferida dos filmes. As cabeças inclinadas permitem um melhor contacto dos lábios e uma penetração profunda da língua. É um modo excelente de começar um encontro amoroso apaixonado e também um modo de estimular a paixão entre o casal.

Sunday, March 01, 2009

Acho que estou, oficialmente, a passar-me.
Talvez saia algo de bom daí.
Talvez possa voltar a sentir outras coisas.
E porque é que as insónias nao me dão um só dia de descanso? Só um? Foda-se, desapareçam...
Porque é que cada vez mais me sinto uma merda? ;(((
Porque é que não pode ser ao contrário? Só por um dia, ajudava...

Escrever

Queria muito ter alguma coisa para escrever, algum pensamento, mas não tenho.
Tenho pânico, sufoco, paranóia, mediocridade. Mas não quero escrever sobre isso. Também tenho coisas boas, mas estão escondidas debaixo da camada das outras.
Quero escrever sobre algo que se assemelhe a uma coisa que se escreva quando se teve uma qualquer experiência que se queira contar. E como não gosto de inventar, então não vou escrever.
Escrever sobre desejar escrever - é só o que tenho.