Wednesday, April 15, 2009
Quando os Monty Python puseram os filósofos a reflectir sobre o sentido da vida num campo de futebol
Quem diria que Sócrates (o outro, o mais antigo) era tão temível goleador!!
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Não sou de vanglórias nem de falsas modéstias. Dito isto, e reflectindo bem, é um milagre ter chegado onde estou no tempo sem ter ficado pelo menos um pouco psicótico. Não, a lucidez é minha amiga e não se vai embora. É importante, é uma boa ajuda. Mas não resolve nada. E as pressões e tensões e conflitos não são só memórias difícieis e distantes do passado. São demónios persistentes. Daqueles que acorrentam, com vigor e temosia.
Mente lúcida + demónios = justaposição complexa, muito difícil de equilibrar. Como ter de andar todo o tempo com um copo com líquido até ao limite na mão, sempre com cuidado extremo para não entornar. Porque se entorna, é um alívio no princípio, mas depois volta a encher e a ficar ainda um bocadinho mais cheio. Até os malabaristas mais experimentados tremeriam de respeito perante tão complicado e estúpido desafio.
Porque quando os que deveriam servir de nosso suporte emocional são a causa para ele não não estar lá, o tapete sai debaixo dos pés e deixa-nos o resto da vida à procura dele, porque o coração e a mente informam-nos que só assim é possível avançar. Sinto ser uma tarefa impossível, tão complicada como descobrir o Santo Graal, a Atlântida ou as Misteriosas Cidades do Ouro, quando só quero ter um chão firme onde possa pôr-me de pé, em segurança.
Não sendo assim, pode-se ter potencial e talento de um lado mas as forças que estão do outro deixam-lhes encalhados. Presos num corpo e mente que não os pode puxar para fora deles. Ficam guardadinhos, o seu peso intensificando a dor. Mais valia ser uma pessoa banal, talvez, porque assim o sofrimento era outro, também ele mais corriqueiro e assim menos custoso.
E a lucidez pode não querer ficar para sempre. Pode fartar-se, porque a paciência é santa mas não gosta que a indolência se perpetue. As estatísticas dizem que quem passa uma vida assim pode criar falhas comprometedoras em partes demasiado importantes do nosso cérebro. E, depois de uma vida difícil, no final é que começa a doer. Não quero esse triste fim.
Mente lúcida + demónios = justaposição complexa, muito difícil de equilibrar. Como ter de andar todo o tempo com um copo com líquido até ao limite na mão, sempre com cuidado extremo para não entornar. Porque se entorna, é um alívio no princípio, mas depois volta a encher e a ficar ainda um bocadinho mais cheio. Até os malabaristas mais experimentados tremeriam de respeito perante tão complicado e estúpido desafio.
Porque quando os que deveriam servir de nosso suporte emocional são a causa para ele não não estar lá, o tapete sai debaixo dos pés e deixa-nos o resto da vida à procura dele, porque o coração e a mente informam-nos que só assim é possível avançar. Sinto ser uma tarefa impossível, tão complicada como descobrir o Santo Graal, a Atlântida ou as Misteriosas Cidades do Ouro, quando só quero ter um chão firme onde possa pôr-me de pé, em segurança.
Não sendo assim, pode-se ter potencial e talento de um lado mas as forças que estão do outro deixam-lhes encalhados. Presos num corpo e mente que não os pode puxar para fora deles. Ficam guardadinhos, o seu peso intensificando a dor. Mais valia ser uma pessoa banal, talvez, porque assim o sofrimento era outro, também ele mais corriqueiro e assim menos custoso.
E a lucidez pode não querer ficar para sempre. Pode fartar-se, porque a paciência é santa mas não gosta que a indolência se perpetue. As estatísticas dizem que quem passa uma vida assim pode criar falhas comprometedoras em partes demasiado importantes do nosso cérebro. E, depois de uma vida difícil, no final é que começa a doer. Não quero esse triste fim.
Uma imagem bela

"Os grandes homens não podem fazer-se por encomenda por qualquer método de ensino por mais perfeito que seja.
O máximo que podemos esperar fazer é ensinar todo o indivíduo a atingir todas as suas potencialidades e tornar-se completamente ele próprio. Mas o eu de um indivíduo será o eu de Shakespeare, o eu de outro será o eu de Flecknoe. Os sistemas de educação prevalecentes não só falham em tornar Flecknoes em Shakespeares (nenhum método de educação fará isso alguma vez); falham em fazer dos Flecknoes o melhor. A Flecknoe não é dada sequer uma oportunidade para se tornar ele próprio. Congenitamente um sub-homem, ele está condenado pela educação a passar a sua vida como um sub-sub-homem."
Aldous Huxley, in "Sobre a Democracia e Outros Estudos"
Tuesday, April 14, 2009
Sunday, April 12, 2009
Thursday, April 09, 2009
Fotografia gémea


"V–J day in Times Square", Alfred Eisenstaedt, 1945.............................."Kissing the War Goodbye", Victor Jorgensen, 1945
Dúvida
Porque que é que confundem o meu abatimento/depressão tantas vezes e tão erradamente com antipatia?
Wednesday, April 08, 2009
"Computer says No..."
Em homenagem à "simpática" senhora que me atendeu no Governo Civil da minha cidade:
Little Britain USA, 2008
Tuesday, April 07, 2009

"Normalmente, a ausência de dor é apenas a condição física necessária para que o indivíduo sinta o mundo; somente quando o corpo não está irritado, e devido à irritação voltado para dentro de si mesmo, podem os sentidos do corpo funcionar normalmente e receber o que lhes é oferecido. A ausência de dor geralmente só é «sentida» no breve intervalo entre a dor e a não-dor; mas a sensação que corresponde ao conceito de felicidade do sensualista é a libertação da dor, e não a sua ausência."
in "A Condição Humana", Hannah Arendt, 1958
Sunday, April 05, 2009
Febre de Sábado a começar a seguir ao almoço
Chegar muito tarde e mal-disposto e trombalhudo ao sítio onde tenho de estar.
Pensar "vou? não vou? vou? não vou? vou?" ao filme de hoje (ontem) da festa do cinema italiano durante horas (a tarde quase toda), para lá me decidir a ir, mesmo que isso signifique ficar quase 2 horas antes do filme começar sem fazer nada e chegar a casa bem de madrugada. E jantar porcarias.
Passar a tarde a evitar conversar, porque não estou com vontade e não quero sentir o meu cérebro explodir.
Chegar ao cinema, ir buscar uns quantos postais e ler umas críticas que estão colocadas à porta das salas e ter de levar com 2 italianos a olharem para mim como se estivesse a invadir um qualquer espaço só deles. Se ainda não arrumaram tudo como queriam, não se preocupem que não vos incomodo. Ou se quiserem ficar mais à vontade, aconselho-vos a não estarem num local público.
Chegar à bilheteira e descobrir que os bilhetes esgotaram à 1 da tarde. E ficar logo sem vontade de ir ao cinema, ver filmes italianos ou raios que os partam, durante semanas ou meses.
Aproveitar a vantagem de ter, agora, de ficar 1 hora e meia à espera do próximo transporte para casa e ver se, finalmente, vou comprar uns ténis ou uns sapatos ou qualquer coisa que enfie no pé sem ficar com os dedos à mostra que não tenham buracos ou não estejam muito gastos. Dou a volta habitual. Como é possível que num centro comercial inteiro não haja nada de que goste? Foda-se.
Depois vou à Bertrand e à feira do livro usado fingir que estou interessado em comprar alguma coisa e esquecer-me que desde o início do ano só li 2 livros e uns contos.
E é verdade, o meu cartão Lisboa Viva a não querer funcionar, sobretudo quando tenho muitas pessoas atrás de mim. Mas não fico stressado, não tenho feitio para isso. Fico sim ainda mais apático. Mais uma camada.
Finalmente, chegar a casa e continuar inundado de tédio. Comer mais qualquer coisa e passar o resto da noite na net.
Isto é o mais próximo que tive de animação, ultimamente.
Isto é pobre.
Isto é um desperdício.
Pensar "vou? não vou? vou? não vou? vou?" ao filme de hoje (ontem) da festa do cinema italiano durante horas (a tarde quase toda), para lá me decidir a ir, mesmo que isso signifique ficar quase 2 horas antes do filme começar sem fazer nada e chegar a casa bem de madrugada. E jantar porcarias.
Passar a tarde a evitar conversar, porque não estou com vontade e não quero sentir o meu cérebro explodir.
Chegar ao cinema, ir buscar uns quantos postais e ler umas críticas que estão colocadas à porta das salas e ter de levar com 2 italianos a olharem para mim como se estivesse a invadir um qualquer espaço só deles. Se ainda não arrumaram tudo como queriam, não se preocupem que não vos incomodo. Ou se quiserem ficar mais à vontade, aconselho-vos a não estarem num local público.
Chegar à bilheteira e descobrir que os bilhetes esgotaram à 1 da tarde. E ficar logo sem vontade de ir ao cinema, ver filmes italianos ou raios que os partam, durante semanas ou meses.
Aproveitar a vantagem de ter, agora, de ficar 1 hora e meia à espera do próximo transporte para casa e ver se, finalmente, vou comprar uns ténis ou uns sapatos ou qualquer coisa que enfie no pé sem ficar com os dedos à mostra que não tenham buracos ou não estejam muito gastos. Dou a volta habitual. Como é possível que num centro comercial inteiro não haja nada de que goste? Foda-se.
Depois vou à Bertrand e à feira do livro usado fingir que estou interessado em comprar alguma coisa e esquecer-me que desde o início do ano só li 2 livros e uns contos.
E é verdade, o meu cartão Lisboa Viva a não querer funcionar, sobretudo quando tenho muitas pessoas atrás de mim. Mas não fico stressado, não tenho feitio para isso. Fico sim ainda mais apático. Mais uma camada.
Finalmente, chegar a casa e continuar inundado de tédio. Comer mais qualquer coisa e passar o resto da noite na net.
Isto é o mais próximo que tive de animação, ultimamente.
Isto é pobre.
Isto é um desperdício.
Friday, April 03, 2009
Sobre o poder, a condição feminina (e a dos desprotegidos, em geral) e a liberdade,
tudo isto em pouco mais de 2 minutos de humor doloroso:
in "Extras - Christmas Special", 2007
Les femmes sont-elles magiques?
Thursday, April 02, 2009
A lucidez,
quando não tem companhia, transforma-se num fardo. E desvia-nos para a exaustão.
Exaustão por lucidez - uma nova condição?
Exaustão por lucidez - uma nova condição?
Wednesday, April 01, 2009
A Prisão Dourada

"Tenta fazer esta experiência, construindo um palácio. Equipa-o com mármore, quadros, ouro, pássaros do paraíso, jardins suspensos, todo o tipo de coisas... e entra lá para dentro. Bem, pode ser que nunca mais desejasses sair daí. Talvez, de facto, nunca mais saisses de lá. Está lá tudo! 'Estou muito bem aqui sozinho!'. Mas, de repente - uma ninharia! O teu castelo é rodeado por muros, e é-te dito: 'Tudo isto é teu! Desfruta-o! Apenas não podes sair daqui!'. Então, acredita-me, nesse mesmo instante quererás deixar esse teu paraíso e pular por cima do muro. Mais! Todo esse luxo, toda essa plenitude, aumentará o teu sofrimento. Sentir-te-ás insultado como resultado de todo esse luxo... Sim, apenas uma coisa te falta... um pouco de liberdade."
Fiodor Dostoievski, in "O Movimento de Liberação"
Monday, March 30, 2009
Saturday, March 28, 2009
Friday, March 27, 2009
Thursday, March 26, 2009
Friday, March 20, 2009
Thursday, March 19, 2009
Descubra as parecenças - III


....."Excursion into Philosophy", Edward Hopper, 1959................................................................Nan Goldin
Tuesday, March 17, 2009
Descubra as parecenças - II


................................Kate Bush no vídeoclip "Wuthering Heights", 1978
Judy Garland em "Assim Nasce Uma Estrela", 1954
Monday, March 16, 2009
Descubra as parecenças


..........."O Império das Luzes", René Magritte, 1954.............................Poster do filme "O Exorcista", William Friedkin, 1973
Saturday, March 14, 2009
Sunday, March 08, 2009
É muito isto, é

"(...) tu convenceste-me pelo teu exemplo e pela tua educação, (...), da minha incapacidade, e o que se tornava verdade e te dava razão para os pormenores insignificantes devia, é evidente, ser extraordinariamente verdade para as coisas maiores (...).
(...) portei-me mais ou menos como um homem de negócios que vai ganhando para comer com, é verdade, preocupações e pressentimentos muito maus. Faz pequenos benefícios, que devido à sua raridade não cessa de lhe dar lucros e de amplificar na sua imaginação, à parte disso, as perdas são quotidianas. Tudo é contabilizado, mas nunca é feito um balanço. Então, um dia, surge a necessidade de se fazer um balanço (...). E aí tem de se lidar com grandes somas negativas como se jamais se tivesse tido o menor lucro, tudo não passa de um grande prejuízo."
in "Carta ao Pai", Franz Kafka, Novembro de 1919
Tuesday, March 03, 2009
Beijo de lado

Quando as cabeças das duas pessoas se inclinam em direcções opostas e o beijo é produzido nessa postura.
Esta é uma das formas mais comuns de se beijar e a preferida dos filmes. As cabeças inclinadas permitem um melhor contacto dos lábios e uma penetração profunda da língua. É um modo excelente de começar um encontro amoroso apaixonado e também um modo de estimular a paixão entre o casal.
Sunday, March 01, 2009
Escrever
Queria muito ter alguma coisa para escrever, algum pensamento, mas não tenho.
Tenho pânico, sufoco, paranóia, mediocridade. Mas não quero escrever sobre isso. Também tenho coisas boas, mas estão escondidas debaixo da camada das outras.
Quero escrever sobre algo que se assemelhe a uma coisa que se escreva quando se teve uma qualquer experiência que se queira contar. E como não gosto de inventar, então não vou escrever.
Escrever sobre desejar escrever - é só o que tenho.
Tenho pânico, sufoco, paranóia, mediocridade. Mas não quero escrever sobre isso. Também tenho coisas boas, mas estão escondidas debaixo da camada das outras.
Quero escrever sobre algo que se assemelhe a uma coisa que se escreva quando se teve uma qualquer experiência que se queira contar. E como não gosto de inventar, então não vou escrever.
Escrever sobre desejar escrever - é só o que tenho.
Friday, February 27, 2009
Thursday, February 26, 2009
Raivas
Por vezes, pareço um indigente que está sentado na calçada de uma rua, encostado à parede suja de um prédio, olhando para cima onde vejo as pessoas a passar, mais ou menos preocupadas com a vida, alegres ou tristes, mas ignorando-me. A minha vida fica parada a sofrer, bloqueada, sem forças para se mexer, enquanto que os outros seguem em frente sem que dêem por mim ou sem se lembrarem de mim.
Prefiro que me atirem uma pedra a isto.
Outras vezes, um pouco do nada, só me apetece virar-me para determinadas personalidades que cruzam os meus caminhos com uma certa frequência e gritar-lhes:
Prefiro que me atirem uma pedra a isto.
Outras vezes, um pouco do nada, só me apetece virar-me para determinadas personalidades que cruzam os meus caminhos com uma certa frequência e gritar-lhes:
irritas-me tanto!!
Tuesday, February 24, 2009
Terça-Feira diferente
Hoje, dia de Carnaval, lembrei-me tantas, tantas vezes de quando me mascarava quando era pequeno. E de quais as personagens que encarnava - de palhaço, de cowboy, de índio (para compensar:) e lembro-me, sobretudo, da de Zorro. Mascarava-me porque todas as outras crianças o faziam. Não estava particularmente interessado em viver aventuras diferentes por um dia através dos personagens, mas divertia-me muito na escola com os colegas. E quando o dia coincidia com o meu aniversário, sentia que tinha-me saído o jackpot! Ia tudo para minha casa para a festa e aí é que era a grande diversão, para pânico dos meus pais :) (tinham medo que se sujasse muito a casa ou que se partisse qualquer coisa :).
Depois cresci, passei ou a não achar muita piada ao Carnaval ou mesmo a rejeitá-lo e já há muitos, muitos, muitos anos que não significa mais para mim que outro feriado. Só tenho de ter cuidado para evitar os balões de àgua, os ovos estragados e as lâmpadas (sim, há uns anos atiraram-me com uma e quase me acertavam). Posso sempre lembrar-me dos fatos e máscaras que vestia, sobretudo nas conversas com outros, mas nada que se compare ao que me aconteceu hoje.
Ainda não há muitos meses estive com um ataque de saudades e fui visitar todas as fotografias que a minha Mãe tem guardadas da família. Centrei-me naquelas onde eu figurava quando era criança e jovem adolescente – que, das minhas, são quase todas – e lembro-me que a fotografia que mais me prendeu e me tocou foi aquela em que estou mascarado de Zorro no Carnaval de 1986, no meio da Praça do Bocage (quando ainda tinha relva). Sei que era 1986 porque por trás de mim, ao longe, está uma faixa de campanha eleitoral com “Soares É Fixe” escrito. Eu estava com o ar um pouco envergonhado, a máscara a incomodar-me nos olhos e a fazer um gesto com a espada claramente a pedido da família. Apesar do ar embaraçado porque era de pose, não acredito que me sentisse assim no resto do dia – era verdadeiramente, e sem reticências, um dia alegre e de alegria.
E vi naquela criança alguém muito sensível, um pouco danificado e precioso. Daqueles meninos que as senhoras têm vontade de ir abraçar, porque parecem muito queridos. A minha Mãe era muito assim comigo.
A fantasia do Zorro, o centro da cidade diferente, o “Soares É Fixe”, a sensação da família do lado de lá da câmara fotográfica, olhando na mesma direcção. Transportam-me, mais que para outra época, para outras emoções e sentimentos que a memória resolveu esconder num canto mais ou menos escuro.
Hoje pensei novamente nessa foto.
Não sei porque é que me lembrei destas coisas e porque lhes estou a dar esta importância. Eu, que tento sempre psicanalizar tudo, e sempre com pelo menos algum sucesso. Será dos meu aniversário estar quase aí, e de não ter vontade de acrescentar mais um ano à idade? E de ter saudades da simplicidade de várias das coisas na infância, e de sentir que estou neste mundo adulto ainda com as forças de uma criança?
Será de tudo isto? Ou de nada disto? Ou de outras coisas, talvez mais prosaicas?
Não sei dizer. Mas que foi um dia bem diferente do habitual para o meu Eu interior, isso foi.
Depois cresci, passei ou a não achar muita piada ao Carnaval ou mesmo a rejeitá-lo e já há muitos, muitos, muitos anos que não significa mais para mim que outro feriado. Só tenho de ter cuidado para evitar os balões de àgua, os ovos estragados e as lâmpadas (sim, há uns anos atiraram-me com uma e quase me acertavam). Posso sempre lembrar-me dos fatos e máscaras que vestia, sobretudo nas conversas com outros, mas nada que se compare ao que me aconteceu hoje.
Ainda não há muitos meses estive com um ataque de saudades e fui visitar todas as fotografias que a minha Mãe tem guardadas da família. Centrei-me naquelas onde eu figurava quando era criança e jovem adolescente – que, das minhas, são quase todas – e lembro-me que a fotografia que mais me prendeu e me tocou foi aquela em que estou mascarado de Zorro no Carnaval de 1986, no meio da Praça do Bocage (quando ainda tinha relva). Sei que era 1986 porque por trás de mim, ao longe, está uma faixa de campanha eleitoral com “Soares É Fixe” escrito. Eu estava com o ar um pouco envergonhado, a máscara a incomodar-me nos olhos e a fazer um gesto com a espada claramente a pedido da família. Apesar do ar embaraçado porque era de pose, não acredito que me sentisse assim no resto do dia – era verdadeiramente, e sem reticências, um dia alegre e de alegria.
E vi naquela criança alguém muito sensível, um pouco danificado e precioso. Daqueles meninos que as senhoras têm vontade de ir abraçar, porque parecem muito queridos. A minha Mãe era muito assim comigo.
A fantasia do Zorro, o centro da cidade diferente, o “Soares É Fixe”, a sensação da família do lado de lá da câmara fotográfica, olhando na mesma direcção. Transportam-me, mais que para outra época, para outras emoções e sentimentos que a memória resolveu esconder num canto mais ou menos escuro.
Hoje pensei novamente nessa foto.
Não sei porque é que me lembrei destas coisas e porque lhes estou a dar esta importância. Eu, que tento sempre psicanalizar tudo, e sempre com pelo menos algum sucesso. Será dos meu aniversário estar quase aí, e de não ter vontade de acrescentar mais um ano à idade? E de ter saudades da simplicidade de várias das coisas na infância, e de sentir que estou neste mundo adulto ainda com as forças de uma criança?
Será de tudo isto? Ou de nada disto? Ou de outras coisas, talvez mais prosaicas?
Não sei dizer. Mas que foi um dia bem diferente do habitual para o meu Eu interior, isso foi.
Sunday, February 22, 2009
Vale a pena ler de novo
Hoje começei a ler um livro. Já não me lembro da vez anterior a esta. Nem de qual era o livro. Apenas que custava (e continua a custar) muito concentrar-me a ler e por isso não o fazia. E perdia muito.
Mas vou esforçar-me. E para compensar, a seguir àquele começei a ler outro livro. Estou então a ler dois livros, muito diferentes um do outro. E sinto-me contente. Só preciso de não me sentir abatido, não pensar noutras coisas. Apenas apreciar e desfrutar a leitura.
Tentar descomplicar-me um bocadinho (com as complicações que isso acarreta).
Mas vou esforçar-me. E para compensar, a seguir àquele começei a ler outro livro. Estou então a ler dois livros, muito diferentes um do outro. E sinto-me contente. Só preciso de não me sentir abatido, não pensar noutras coisas. Apenas apreciar e desfrutar a leitura.
Tentar descomplicar-me um bocadinho (com as complicações que isso acarreta).
Friday, February 20, 2009
Lost in Translation

Charlotte: I just don't know what I'm supposed to be.
Bob: You'll figure that out. The more you know who you are, and what you want, the less you let things upset you.
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Charlotte: I tried taking pictures, but they were so mediocre. I guess every girl goes through a photography phase. You know, horses... taking pictures of your feet.
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Bob: I was feeling tight in the shoulders and neck, so I called down and had a Shiatsu massage in my room...
Charlotte: Mmh, that's nice!
Bob: And the tightness has completely disappeared and been replaced by unbelievable pain!
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Bob: It gets a whole lot more complicated when you have kids.
Charlotte: It's scary.
Bob: The most terrifying day of your life is the day the first one is born.
Charlotte: Nobody ever tells you that.
Bob: Your life, as you know it... is gone. Never to return. But they learn how to walk, and they learn how to talk... and you want to be with them. And they turn out to be the most delightful people you will ever meet in your life.
Charlotte: That's nice.
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Charlotte: So, what are you doing here?
Bob: Uh, a couple of things. Taking a break from my wife, forgetting my son's birthday. And, uh, getting paid two million dollars to endorse a whiskey when I could be doing a play somewhere.
Charlotte: Oh.
Bob: But the good news is, the whiskey works.
Verão Azul
Para matar saudades, aqui está o genérico inicial. Esta era o ponto alto de muitos dos dias da minha infância:
(ai, tão apaixonado que eu estava pela Bea...)
(estou com vontade de ir comprar os DVD's da série:)
(ai, tão apaixonado que eu estava pela Bea...)
(estou com vontade de ir comprar os DVD's da série:)
Thursday, February 19, 2009
Será que ainda sou um jovem?
Acho que não, porque não tenho idade para isso.
Mas sinto-me um jovem - um adolescente, em concreto, porque, essencialmente, acho que vivo como um adolescente à beira de me tornar um jovem adulto em vez de ser um jovem adulto tardio prestes a assumir uma adultez plena.
É o que faz estar quase a chegar mais um aniversário, pensar nestas coisas. Ou se calhar não, penso nelas muitas vezes, mas nestas alturas dedico-lhes mais tempo. Ou lembro-me mais que penso nelas.
Mal chega o Ano Novo começo a imaginar que já tenho a idade que vou ter dali a 2 meses. Para não custar tanto a transição.
Os meus aniversários passaram de doces a agridoces a apenas agri.
Os três estádios de vida da minha vida interior.
Mas sinto-me um jovem - um adolescente, em concreto, porque, essencialmente, acho que vivo como um adolescente à beira de me tornar um jovem adulto em vez de ser um jovem adulto tardio prestes a assumir uma adultez plena.
É o que faz estar quase a chegar mais um aniversário, pensar nestas coisas. Ou se calhar não, penso nelas muitas vezes, mas nestas alturas dedico-lhes mais tempo. Ou lembro-me mais que penso nelas.
Mal chega o Ano Novo começo a imaginar que já tenho a idade que vou ter dali a 2 meses. Para não custar tanto a transição.
Os meus aniversários passaram de doces a agridoces a apenas agri.
Os três estádios de vida da minha vida interior.
Ouvindo bandas-sonoras
Outra forma de estar perto dos filmes e das séries TV. E outra forma de vê-los.
Ou: quando a música eleva as motion pictures para o estado de (e)motion pictures.
"Lost in Translation"
"South Park Christmas Classics"
"Blade Runner"
"The Essential John Carpenter Collection"
"Barry Lyndon"
"2001 - A Space Odissey"
"Mulholland Drive"
"Twin Peaks"
Ou: quando a música eleva as motion pictures para o estado de (e)motion pictures.
"Lost in Translation"
"South Park Christmas Classics"
"Blade Runner"
"The Essential John Carpenter Collection"
"Barry Lyndon"
"2001 - A Space Odissey"
"Mulholland Drive"
"Twin Peaks"
Vários lados para a mesma história
Sinto-me e ajo como um esquizofrénico. E sinto-me cada vez pior por isso. Eu sei que tenho muitos lados e sou complexo, isso é bom, gosto disso, mas quero dar prioridade a certas coisas que não posso ou não consigo. Preciso de equilíbrio e de confiança para ir atrás do que quero e deixar de parte e/ou recusar outras solicitações, mesmo que pareçam aliciantes aos olhos dos outros (sempre precisei). Mas falta-me... sempre... algo...
(Se ao menos eu não me sentisse sempre tão mal e inadequado em situações sociais...)
(se ao menos eu conseguisse manter os amigos que quero...)
(Se ao menos eu não me sentisse sempre tão mal e inadequado em situações sociais...)
(se ao menos eu conseguisse manter os amigos que quero...)
Monday, February 16, 2009
O Twitter é giro. Espero que não me afaste do Blog.
(olha, esta podia estar no Twitter!!, não te ponhas a pau não, Blog...:)
(olha, esta podia estar no Twitter!!, não te ponhas a pau não, Blog...:)
Paixão não correspondida
As pessoas que sofrem de uma paixão não correspondida ou de um abandono, podem ficar carregadas de sentimentos de culpa, autopunição, desvalorização de si próprias, que conduzem a uma depressão mais ou menos severa.
Muitas vezes, a paixão serve para tapar vazios interiores que já tinham sido pressentidos. É a paixão que preenche esses vazios, mais que a presença do/a amado/a, que não é considerado na sua realidade. O amante passional raramente se dá conta das exigências do amado/a e é, por essa mesma razão, abandonado. Assim, o amor passional é acompanhado pela angústia da separação, originada não tanto pelo temor de perder o/a amado/a, mas mais pela ameaça de ser privada da própria paixão e da plenitude de sentimentos que esta garante.
Por isso, raras vezes o amor passional evolui em direcção a outras formas de amor menos ardentes: a paixão, por si só, vive do seu carácter incompleto. Os amantes passionais, exaltando a sua capacidade de amar, lamentam a incompreensão dos outros relativamente aos seus sentimentos. Mas esta impossibilidade depende menos do outro do que da incapacidade de quem está apaixonado de se dar conta dos limites reais e das exigências do outro.
É muito importante descobrir que outros interesses convivem na personalidade de quem está apaixonado de modo a desmobilizar as imensas energias que tinham sido investidas no sentimento passional, direccionando-as para outros sítios, de modo a preencher, pouco a pouco, o vazio em que a pessoa se encontra imersa.
in "Compreender os Sentimentos", Vera Slepoj
Muitas vezes, a paixão serve para tapar vazios interiores que já tinham sido pressentidos. É a paixão que preenche esses vazios, mais que a presença do/a amado/a, que não é considerado na sua realidade. O amante passional raramente se dá conta das exigências do amado/a e é, por essa mesma razão, abandonado. Assim, o amor passional é acompanhado pela angústia da separação, originada não tanto pelo temor de perder o/a amado/a, mas mais pela ameaça de ser privada da própria paixão e da plenitude de sentimentos que esta garante.
Por isso, raras vezes o amor passional evolui em direcção a outras formas de amor menos ardentes: a paixão, por si só, vive do seu carácter incompleto. Os amantes passionais, exaltando a sua capacidade de amar, lamentam a incompreensão dos outros relativamente aos seus sentimentos. Mas esta impossibilidade depende menos do outro do que da incapacidade de quem está apaixonado de se dar conta dos limites reais e das exigências do outro.
É muito importante descobrir que outros interesses convivem na personalidade de quem está apaixonado de modo a desmobilizar as imensas energias que tinham sido investidas no sentimento passional, direccionando-as para outros sítios, de modo a preencher, pouco a pouco, o vazio em que a pessoa se encontra imersa.
in "Compreender os Sentimentos", Vera Slepoj
Saturday, February 14, 2009
Sinto-me muito inadequado para este mundo. Ou então é o mundo que é inadequado a mim, é mais fácil pensar assim. Talvez eu tenha mais razão.
Ou então (é mais assim) eu sou, de facto, inadequado para este mundo mas o mundo não compreende porquê, analisa-me com base nas convenções comuns e tira conclusões erradas. Por fim, ignora-me. Eu precisaria de algum amparo e, sobretudo, de uma atitude diferente perante mim para criar condições para ultrapassar a barreira entre mim e os outros. Mais compreensão, talvez. Não sou mimado, uma pessoa precisa do que precisa. Mas não posso estar à espera disso.
Só sei que eu e o mundo não nos entendemos.
Ou então (é mais assim) eu sou, de facto, inadequado para este mundo mas o mundo não compreende porquê, analisa-me com base nas convenções comuns e tira conclusões erradas. Por fim, ignora-me. Eu precisaria de algum amparo e, sobretudo, de uma atitude diferente perante mim para criar condições para ultrapassar a barreira entre mim e os outros. Mais compreensão, talvez. Não sou mimado, uma pessoa precisa do que precisa. Mas não posso estar à espera disso.
Só sei que eu e o mundo não nos entendemos.
Thursday, February 12, 2009
Tindersticks [II]

"Tindersticks [II]", Tindersticks, 1995
Esta é a minha música favorita neste momento - música deprimida para gente deprimida.
Canções difíceis de amor, sofrimento e busca de redenção.
Romantismo triste, resignado e obscuro.
Músicos a dançar no Inferno para poderem vislumbrar o Céu. Sarabandas, não valsas.
Música que assusta. Que arrepia e faz chorar.
Melodias belas, muito belas. Difíceis, desconfortáveis, por vezes até um pouco desagradáveis, mas muito belas.
Andam por aqui a pairar muitos fantasmas reconhecíveis, como Leonard Cohen ou Nick Cave, Ian Curtis ou Scott Walker. E li que Lee Hazlewood também anda por aqui (este para mim não serve de referência porque nunca o ouvi - a falta é minha).
Uma voz grave (muito grave), melancólica, cansada, sonolenta, rabugenta, sensível, educada, ternurenta. Sentida.
Banda e orquestra que nos querem amedrontar, dotadas de muito talento e de muito bom gosto, com as composições e os arranjos injectados de lúxuria e de verve. Nós escutamos e sentimos. E gostamos, muito.
Música para gente sentada. Ou deitada.
Música deprimida para gente deprimida. Ou não, também não é preciso, mas ajuda. Senão, preparem a mente e o estômago para uma viagem atribulada, mas muito recompensadora.
Tuesday, February 10, 2009
Eu, que sempre tive fascínio por
viajar, ir viver, trabalhar para longe, conhecer outras culturas, pessoas, etc., "congelo" com o pensamento de poder realojar-me para lugares que distam só alguns kms do sítio onde estou? Quer dizer, eu sei porquê, isto é só retórica, este porquê não serve para eu tentar compreender porque não consigo mas sim para tentar saber porque é que fiquei assim.
Para qualquer mudança na minha vida ofereço muita resistência. Sinto que tenho de fazer um esforço hercúleo para me mexer só um pouco. Mesmo quando a mudança aparenta ser boa e motivadora, sinto-me melhor acomodado e conformado com a mediocridade. Porque assim não tenho de me mexer. Porque mexer-me implica muitas coisas que me custam demais e para as quais me sinto esgotado.
Para qualquer mudança na minha vida ofereço muita resistência. Sinto que tenho de fazer um esforço hercúleo para me mexer só um pouco. Mesmo quando a mudança aparenta ser boa e motivadora, sinto-me melhor acomodado e conformado com a mediocridade. Porque assim não tenho de me mexer. Porque mexer-me implica muitas coisas que me custam demais e para as quais me sinto esgotado.
Monday, February 09, 2009
O que é que se passa com o You Tube ?!?
Há vídeos que já não posso ver no meu país, os que posso ver não consigo ver, demoro uma eternidade para aceder ao site,... :( o You Tube é uma boa companhia para estas noites sós em frente ao computador, não me façam isso... :((
Sunday, February 08, 2009
Saturday, February 07, 2009
Às vezes, quando estou bem disposto,
só me apetece abraçar o mundo.
Mas, aos poucos, vou percebendo que não dá. O mundo foge-me por entre os braços e os dedos das mãos.
Mas, aos poucos, vou percebendo que não dá. O mundo foge-me por entre os braços e os dedos das mãos.
Wednesday, February 04, 2009
Um pensamento
O sonho comanda a vida. Mas não devia ser assim. Os objectivos é que deviam mandar na vida.
Os objectivos são sonhos com um plano.
Os objectivos são sonhos com um plano.
Tuesday, February 03, 2009
Got the spirit, lose the feeling
É assim que me sinto (sempre). Fora de onde quero estar, preso a coisas que não quero. Porque não posso. Porque precisava de ter energia que não tenho. Que parece ser tão fácil para tantos outros mas que para mim parece um mistério, parece-me vedada. Compreendo o que mas não sinto.
Aquela expressão dele nos últimos 10 segundos é a face do tédio e da frustração que é a minha vida.
"THE OFFICE - Christmas Special"
Cada vez me custa mais estar nos transportes públicos e ouvir as pessoas conversarem sobre o trabalho, quando é um trabalho interessante e onde se percebe que, mesmo com muitas preocupações, prazos e problemas, vale a pena estar ali.
Eu tenho muita coisa para ser resolvida na minha vida mas aquela que me aflige mais desde há alguns anos é a de não ter um emprego de que goste e que puxe por mim pelas ideias e pelo talento em vez de puxar pela resistência e pela paciência (para além do ordenado fraco e da falta de prestígio). Se pudesse mudar uma só coisa, era esta. E a partir daí podia começar a preocupar-me com o resto. É importante, por mim. Sei que está muita gente pior que eu, mas também há muita gente que está melhor. Não adianta entrar nestas filosofias, só nos distraem do essencial. Preciso disso acima de tudo para mim, para estar bem comigo. Não é para mostrar aos outros.
Hoje olhei-me ao espelho e não me reconhecia (ou não me queria reconhecer, é mais assim). Não gostava do que via. O cabelo, os óculos, a barba por fazer, a roupa velha e que já assenta muito mal, o físico muito magro e muito frágil. Não estava diferente em relação aos outros dias, mas hoje decidi demorar um pouco para olhar para mim.
Mas o que custa mais é ver a expressão nos olhos e na cara. Nem de propósito os outros conseguem ficar assim. É como nos últimos 10 segundos do vídeo, só que sempre. Mas é só o resultado daquilo que sinto por dentro. E mesmo que queira ter uma expressão mais agradável para os outros, custa muito. Posso aguentar durante 5/10 segundos mas depois deixa-me. Mais uma marca muito impressiva de como sou tão diferente...se ainda fosse para melhor... :'(
Aquela expressão dele nos últimos 10 segundos é a face do tédio e da frustração que é a minha vida.
"THE OFFICE - Christmas Special"
Cada vez me custa mais estar nos transportes públicos e ouvir as pessoas conversarem sobre o trabalho, quando é um trabalho interessante e onde se percebe que, mesmo com muitas preocupações, prazos e problemas, vale a pena estar ali.
Eu tenho muita coisa para ser resolvida na minha vida mas aquela que me aflige mais desde há alguns anos é a de não ter um emprego de que goste e que puxe por mim pelas ideias e pelo talento em vez de puxar pela resistência e pela paciência (para além do ordenado fraco e da falta de prestígio). Se pudesse mudar uma só coisa, era esta. E a partir daí podia começar a preocupar-me com o resto. É importante, por mim. Sei que está muita gente pior que eu, mas também há muita gente que está melhor. Não adianta entrar nestas filosofias, só nos distraem do essencial. Preciso disso acima de tudo para mim, para estar bem comigo. Não é para mostrar aos outros.
Hoje olhei-me ao espelho e não me reconhecia (ou não me queria reconhecer, é mais assim). Não gostava do que via. O cabelo, os óculos, a barba por fazer, a roupa velha e que já assenta muito mal, o físico muito magro e muito frágil. Não estava diferente em relação aos outros dias, mas hoje decidi demorar um pouco para olhar para mim.
Mas o que custa mais é ver a expressão nos olhos e na cara. Nem de propósito os outros conseguem ficar assim. É como nos últimos 10 segundos do vídeo, só que sempre. Mas é só o resultado daquilo que sinto por dentro. E mesmo que queira ter uma expressão mais agradável para os outros, custa muito. Posso aguentar durante 5/10 segundos mas depois deixa-me. Mais uma marca muito impressiva de como sou tão diferente...se ainda fosse para melhor... :'(
Monday, February 02, 2009
Hoje estive a actualizar o Curriculum Vitae
e apercebi-me de duas coisas:
- que quem o ler não me passa a conhecer;
- que o nível das minhas competências fora da formação escolar é patético, nem tinha essa noção (sabia que era mau, mas não assim)... pouca ou nenhuma formação profissional e específica e competências no trabalho demasiadamente básicas (esta foi a que doeu mais, sinto-me capacitado para muito mais mas não tenho nada para mostrar. E depois, com todas estas dificuldades de me relacionar com os outros, precisava de ter conhecimentos mais técnicos que não tenho - ainda, espero mudar. Não admira que as entrevistas para emprego corriam sempre mal).
- que quem o ler não me passa a conhecer;
- que o nível das minhas competências fora da formação escolar é patético, nem tinha essa noção (sabia que era mau, mas não assim)... pouca ou nenhuma formação profissional e específica e competências no trabalho demasiadamente básicas (esta foi a que doeu mais, sinto-me capacitado para muito mais mas não tenho nada para mostrar. E depois, com todas estas dificuldades de me relacionar com os outros, precisava de ter conhecimentos mais técnicos que não tenho - ainda, espero mudar. Não admira que as entrevistas para emprego corriam sempre mal).
Sunday, February 01, 2009
Friday, January 23, 2009
Sinto vergonha
Não gosto de ser tratado com condescendência e pouco valor. Detesto não conseguir dar-me com os outros, não ter maior proximidade com as pessoas, não ter uma vida social. Fico desesperado por alguma interacção, mesmo que negativa, é melhor que nenhuma interacção.
E quem não tem culpa, por causa de mal-entendidos e muita precipitação minha, depois leva por tabela. As poucas pessoas que me ligam algum.
Não me consigo aproximar dos outros e afasto quem, no mínimo, não me ignora. A história repete-se.
Nunca conseguirei estar bem, socialmente. Nunca. Sempre foi assim e por isso estou como estou. Estou preso. Tenho muita culpa mas não sou só eu. Houve certas alturas na vida em que teria de ser muito corajoso e sofrer durante um bom bocado, mas podia ter saído disto. Agora...
A minha vida sempre esteve alienada de mim.
A minha vida é arrastar-me.
E quem não tem culpa, por causa de mal-entendidos e muita precipitação minha, depois leva por tabela. As poucas pessoas que me ligam algum.
Não me consigo aproximar dos outros e afasto quem, no mínimo, não me ignora. A história repete-se.
Nunca conseguirei estar bem, socialmente. Nunca. Sempre foi assim e por isso estou como estou. Estou preso. Tenho muita culpa mas não sou só eu. Houve certas alturas na vida em que teria de ser muito corajoso e sofrer durante um bom bocado, mas podia ter saído disto. Agora...
A minha vida sempre esteve alienada de mim.
A minha vida é arrastar-me.
Wednesday, January 21, 2009
Gosto muito desta música
Muito, muito. E acho que esta versão ao vivo fica melhor que aquela do álbum.
"My Girls", do álbum "Merriweather Post Pavilion", Animal Collective, 2009
Is it much to admit I need
A solid soul and the blood I bleed
With a little girl, and by my spouse
I only want a proper house
I don't care for fancy things
Or to take part in a precious race
And children cry for the one who has
A real big heart and a father's grace
I don't mean to seem like I care about material things like a social status
I just want four walls and adobe slabs for the girl
"My Girls", do álbum "Merriweather Post Pavilion", Animal Collective, 2009
Is it much to admit I need
A solid soul and the blood I bleed
With a little girl, and by my spouse
I only want a proper house
I don't care for fancy things
Or to take part in a precious race
And children cry for the one who has
A real big heart and a father's grace
I don't mean to seem like I care about material things like a social status
I just want four walls and adobe slabs for the girl
A corrente mais forte

"É como se a minha vida fosse magicamente comandada por duas correntes eléctricas: alegre positiva e desesperada negativa — a que estiver em acção no momento domina a minha vida, inunda-a. Agora estou inundada de desespero, quase histeria, como se estivesse a sufocar. Como se uma grande coruja musculada estivesse sentada no meu peito, as suas garras apertando e comprimindo o meu coração."
Sylvia Plath, in "The Unabridged Journals of Sylvia Plath, 1950-1962 (edited by Karen V. Kukil)" (não li o livro)
(tradução minha)
Monday, January 19, 2009
Motivação na criação
Sunday, January 18, 2009
Viver mal os problemas
"Muitas vezes, tememos o sofrimento e evitamos os problemas a qualquer custo mas, na realidade, o mal não é que existam problemas. Viver mal os problemas é que é o mal."
Laurinda Alves
Eu sei :(
Laurinda Alves
Eu sei :(
Este filme é muito estranho e muito intrigante
"INLAND EMPIRE", David Lynch, 2006
Os filmes de David Lynch costumam ser assim, mas neste sentimos o tapete sair debaixo dos nossos pés mais vezes que o normal para o realizador em apreço.
Vai requerer mais uns quantos visionamentos se eu o quiser "apanhar".
(E a banda-sonora é mais uma vez uma surpresa e uma delícia)
Saturday, January 17, 2009
É tudo muito injusto nesta vida. Escapa-se tudo o que é importante por entre os meus dedos.
Estive durante muito tempo - enquanto crescia e me assimilava na adultez - só a um passo daquilo que precisava em determinada fase, mas nunca tive o que era necessário para o dar. Ou quando o dava (finalmente!) já era um pouco tarde e tinha de fazer ajustes que deixavam marcas. Nunca fui assim por falta de vontade mas por falta de poder. E com o avançar da vida tudo se torna mais difícil.
E como podia ter sido tudo evitado... nunca me faltou nada, materialmente. Mas sinto que faltou tudo o resto (meus pais - cada um à sua maneira, de costas voltadas um para o outro -, tão bem-avontadados, tão ingénuos, tão negligentes, tanto e tanto mal provocaram!!).
Sempre foi o cabo dos trabalhos interagir com os outros. Sentia-me melhor estando só, comigo e com as minhas coisas, não porque gostava, mas pelo mal-estar horrível que evitava sentir. E porque poucos frutos me trazia. Porque ninguém tem interesse numa pessoa entediante. Não porque eu quisesse ser assim - era a última coisa que queria - mas porque pouco tinha para dar. E só teriam sido necessários alguns (pouquíssimos e certeiros) passos para tudo isto mudar... porque a única e mais importante coisa que queria (e também a que mais me afligia) era ter bons amigos...
O meu estilo e experiências de vida sempre foram muito diferentes dos outros. Se ao menos eu tivesse um talento, qualquer, em que pudesse exprimir este mal-estar...talvez aí conseguisse chegar a alguém... mas acho que não nasci para ser artista. É uma coisa que se tem ou não se tem dentro de si. E se o tivesse, já tinha de começar a ser desenvolvido há muito... (como eu queria ser actor quando tinha 16 anos, como me desencorajaram e me fizeram ter medo e duvidar de mim...)
Escrevo isto no passado mas podia escrever no presente.
Às vezes, só me apetece partir tudo. Sobretudo quando estou mais calado, distante e imóvel, quando pareço mais inofensivo.
Vejo tanta gente que não é melhor que eu EM NADA a sair-se muito melhor na vida... e só me faltaram alguns passos para também ser assim... quem olha para mim, fala comigo e conhece os aspectos mais imediatos da minha vida, fica com uma ideia tão errada de quem sou, cá dentro... estou farto de me darem tão pouco valor, não mereço...
(Lá estou eu, só queixas mais queixas. Quanto eu detesto ser assim, quanto eu detesto as pessoas que são assim!!!)
Estive durante muito tempo - enquanto crescia e me assimilava na adultez - só a um passo daquilo que precisava em determinada fase, mas nunca tive o que era necessário para o dar. Ou quando o dava (finalmente!) já era um pouco tarde e tinha de fazer ajustes que deixavam marcas. Nunca fui assim por falta de vontade mas por falta de poder. E com o avançar da vida tudo se torna mais difícil.
E como podia ter sido tudo evitado... nunca me faltou nada, materialmente. Mas sinto que faltou tudo o resto (meus pais - cada um à sua maneira, de costas voltadas um para o outro -, tão bem-avontadados, tão ingénuos, tão negligentes, tanto e tanto mal provocaram!!).
Sempre foi o cabo dos trabalhos interagir com os outros. Sentia-me melhor estando só, comigo e com as minhas coisas, não porque gostava, mas pelo mal-estar horrível que evitava sentir. E porque poucos frutos me trazia. Porque ninguém tem interesse numa pessoa entediante. Não porque eu quisesse ser assim - era a última coisa que queria - mas porque pouco tinha para dar. E só teriam sido necessários alguns (pouquíssimos e certeiros) passos para tudo isto mudar... porque a única e mais importante coisa que queria (e também a que mais me afligia) era ter bons amigos...
O meu estilo e experiências de vida sempre foram muito diferentes dos outros. Se ao menos eu tivesse um talento, qualquer, em que pudesse exprimir este mal-estar...talvez aí conseguisse chegar a alguém... mas acho que não nasci para ser artista. É uma coisa que se tem ou não se tem dentro de si. E se o tivesse, já tinha de começar a ser desenvolvido há muito... (como eu queria ser actor quando tinha 16 anos, como me desencorajaram e me fizeram ter medo e duvidar de mim...)
Escrevo isto no passado mas podia escrever no presente.
Às vezes, só me apetece partir tudo. Sobretudo quando estou mais calado, distante e imóvel, quando pareço mais inofensivo.
Vejo tanta gente que não é melhor que eu EM NADA a sair-se muito melhor na vida... e só me faltaram alguns passos para também ser assim... quem olha para mim, fala comigo e conhece os aspectos mais imediatos da minha vida, fica com uma ideia tão errada de quem sou, cá dentro... estou farto de me darem tão pouco valor, não mereço...
(Lá estou eu, só queixas mais queixas. Quanto eu detesto ser assim, quanto eu detesto as pessoas que são assim!!!)
Solidão Ó solidão! À noite, quando, estranho,
Vagueio sem destino, pelas ruas,
O mar todo é de pedra... E continuas.
Todo o vento é poeira... E continuas.
A Lua, fria, pesa... E continuas.
Uma hora passa e outra... E continuas.
Nas minhas mãos vazias continuas,
No meu sexo indomável continuas,
Na minha branca insónia continuas,
Paro como quem foge. E continuas.
Chamo por toda a gente. E continuas.
Ninguém me ouve. Ninguém! E continuas.
Invento um verso... E rasgo-o. E continuas.
Eterna, continuas... Mas sei por fim que sou do teu tamanho!
Pedro Homem de Mello, in "O Rapaz da Camisola Verde"
Friday, January 16, 2009
O meu primeiro computador

Sinclair ZX Spectrum 48k
Lembro-me das teclas de borracha e do plástico à volta a saltar. Também de que era preciso um transformador e um gravador de cassetes (que já foi para o lixo).
Os jogos demoravam 5 minutos (ou mais) a carregar e tinham de aparecer os risquinhos à volta da imagem, senão era sinal de que não estava a ler bem.
A cozinha ficava toda cheia de fios (para desagrado da minha coitada mãe!), porque era na televisão da cozinha que jogava e que, por vezes, passei dias inteiros.
Ainda me lembro do meu pai montar pela 1ª vez o computador na televisão da sala - talvez em 1983 - e eu em pulgas para jogar ao jogo de futebol que ele também tinha comprado.
Estas coisas fazem-me lembrar uma outra época, mais inocente, irresponsável e mais feliz.
Apetece-me teclar LOAD "", ENTER...
Hoje,
abraçei a minha Mãe durante um bom bocado. Soube-me bem.
(Ela não vai estar cá para sempre, por isso vou aproveitar estes momentos também para me lembrar deles, mais tarde)
(Ela não vai estar cá para sempre, por isso vou aproveitar estes momentos também para me lembrar deles, mais tarde)
Thursday, January 15, 2009
Agora que a vontade de ler não está cá e como só consigo estar em frente a um computador ou a um televisor, tenho descoberto a leitura e os escritores de outro modo. É assim que tenho consultado, mais do que nunca, o Pensador e, sobretudo, o Citador. Não é como ler um livro, eu sei, mas é uma forma rápida e interessante de contactar com muitas frases, reflexões e pensamentos, poemas dos nossos autores favoritos. Como uma versão em hipertexto de um livro de frases e pensamentos de escritores reputados. Mas aqui com variedade e quantidade maiores.
Enquanto não sentir que a concentração necessária para ler um livro está de volta, isto vai ser o seu substituto.
(Tem sido a partir dessas consultas que tenho estado em contacto, p. ex., com Clarice Lispector, Sara :)
Enquanto não sentir que a concentração necessária para ler um livro está de volta, isto vai ser o seu substituto.
(Tem sido a partir dessas consultas que tenho estado em contacto, p. ex., com Clarice Lispector, Sara :)
Eternal Sunshine of the Spotless Mind
"Eternal Sunshine of the Spotless Mind", Michel Gondry, 2004
Vi este filme de novo e ainda bem. Sinto... um certo conforto, acho. Sabe bem.
FrustraçãoFoi bonito
O meu sonho de amor.
Floriram em redor
Todos os campos em pousio.
Um sol de Abril brilhou em pleno estio,
Lavado e promissor.
Só que não houve frutos
Dessa primavera.
A vida disse que era
Tarde demais.
E que as paixões tardias
São ironias
Dos deuses desleais.
Miguel Torga, in "Diário XV"
Wednesday, January 14, 2009
Monday, January 12, 2009
Sinto saudades
de pegar num livro e começar a lê-lo, de perder-me nele, ter esse prazer. Já nem isso consigo fazer, era das poucas coisas que me tiravam... disto, nem sei o que lhe chamar
Sunday, January 11, 2009
Ser
É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer, porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo. Ou pelo menos, o que me faz agir não é o que eu sinto mas o que eu digo.
Clarice Lispector, in "Perto do Coração Selvagem"
Clarice Lispector, in "Perto do Coração Selvagem"
Friday, January 09, 2009
A Tirania do Medo
O nosso mundo vive demasiado sob a tirania do medo e insistir em mostrar-lhe os perigos que o ameaçam só pode conduzi-lo à apatia da desesperança. O contrário é que é preciso: criar motivos racionais de esperança, razões positivas de viver. Precisamos mais de sentimentos afirmativos do que de negativos. Se os afirmativos tomarem toda a amplitude que justifique um exame estritamente objectivo da nossa situação, os negativos desagregar-se-ão, perdendo a sua razão de ser. Mas se insistirmos em demasia nos negativos, nunca sairemos do desespero.
Bertrand Russell, in "A Última Oportunidade do Homem"
Bertrand Russell, in "A Última Oportunidade do Homem"
Ofensa
Com que frequência caminhei no quarto de um lado para o outro, com o desejo inconsciente que alguém me insultasse ou proferisse alguma palavra que eu pudesse interpretar como um insulto, para que eu desabafasse a minha raiva em alguém.
É uma experiência muito simples que acontece quase diariamente, e ainda para mais quando existe algum outro segredo, uma aflição no coração, para o qual se deseja dar uma expressão verbal mas que não se consegue.
Fiodor Dostoievski, in "Humilhados e Ofendidos"
É uma experiência muito simples que acontece quase diariamente, e ainda para mais quando existe algum outro segredo, uma aflição no coração, para o qual se deseja dar uma expressão verbal mas que não se consegue.
Fiodor Dostoievski, in "Humilhados e Ofendidos"
Thursday, January 08, 2009
Para aliviar o peso do post anterior
Little Britain USA
Quando é que esta nova série (agora nos EUA) começa cá?
Está tudo a ficar louco
Podia falar da crise, do frio, das gripes, etc. mas se não estivessem lá, se as coisas até estivessem bem "lá fora", sentiria relativamente o mesmo. Assim apenas há menos espaço para mim no meio de tudo, como se todos se sentissem um pouco deprimidos por causa do ambiente social e eu fosse mais um.
Mas essas coisas são sobretudo aceleradores, aumentam a velocidade e intensidade do que já lá está. Eu ouço e leio sobre tudo isso.
E também ouço as conversas e todo o tipo de preocupações correntes das pessoas no trabalho, nos transportes, na rua, que passam ao lado da crise geral e se focam mais na crise pessoal, na forma como podem ser felizes e lidar com o quotidiano de modo a concretizarem o que desejam. Mas sinto-me sempre longe. Para começar com essas preocupações, primeiro teria de resolver muito da minha vida que não posso. E quando vejo alguém quase chorar por causa do/a namorado/a, exaltar-se e afligir-se por coisas que sinto serem menores em relação ao que tenho de suportar (mas que fazem parte da vida normal da média das pessoas), apetece-me gritar. Até porque quem está a ouvir compreende essas situações, naturalmente, mas se eu lhes contasse do que me vai na alma e preciso e me perturba, sentiriam distanciamento, apesar de serem coisas mais importantes. Mas como a maioria não sente essa falta, não liga tanto. E assim sinto que os outros são mimados em comparação. Parece arrogante mas é o que sinto, assim mesmo. Sinto inveja mas também desprezo. Acima de tudo, sinto-me longe.
Eles vivem a sua vida assim porque podem e eu também queria poder. E não poder custa muito, deixa-me para trás e é muito injusto. Em tempos, por isto, esta vontade frustrada, agi mal para muita gente, por isso os perdi. Porque podemos sentir que os outros são mimados, sentir inveja e desprezo, mas mesmo assim gostar muito deles e querer ser seu amigo e manter a amizade.
E depois também não suporto tanta parvoíce pegada. E quero fugir disso mas mais uma vez não tenho poder para isso. E se fujo da parvoíce no trabalho e na rua, só começo a preocupar-me a sério quando penso na que vou encontrar em casa e na melhor forma de a evitar. Não sou valorizado pelos outros como mereço e a culpa não é só minha.
Esta auto-comiseração é tudo o que não gosto de ver na atitude, na filosofia de vida de uma pessoa. Por isso tudo se torna ainda mais frustrante e humilhante. Levantar-me da cama é uma luta, como são todas as pequenas coisas - saber que tenho de ir ao Banco, ou tirar fotografias, ou tratar do Cartão de Cidadão... saber que tenho de fazer qualquer coisa dá cabo de mim de uma forma que não é normal. Também queria comprar uma camisola e uns sapatos novos nos saldos mas ainda não fui e nem sei se vou, não tenho vontade de pensar nisso. Só quero ficar fechado no meu quarto, estar na internet e ver televisão e aproveitar esse tempo para não me preocupar com o resto.
Não imaginava que estas fossem ser as "vontades" que teria por esta altura da vida quando era mais novo. Ninguém o faz. E entristecem-me. Mas eu estou muito longe...
Sinto que está tudo à minha volta a ficar louco de tão insuportável. Como sentirão as pessoas que vivem em países com ditaduras rígidas e sem expectativas de mudança, que não têm liberdade nem decisão sobre as suas vidas porque não podem, querem muito mas é como se tivessem uma bota gigante a pisar-lhes constantemente a cara.
Mas essas coisas são sobretudo aceleradores, aumentam a velocidade e intensidade do que já lá está. Eu ouço e leio sobre tudo isso.
E também ouço as conversas e todo o tipo de preocupações correntes das pessoas no trabalho, nos transportes, na rua, que passam ao lado da crise geral e se focam mais na crise pessoal, na forma como podem ser felizes e lidar com o quotidiano de modo a concretizarem o que desejam. Mas sinto-me sempre longe. Para começar com essas preocupações, primeiro teria de resolver muito da minha vida que não posso. E quando vejo alguém quase chorar por causa do/a namorado/a, exaltar-se e afligir-se por coisas que sinto serem menores em relação ao que tenho de suportar (mas que fazem parte da vida normal da média das pessoas), apetece-me gritar. Até porque quem está a ouvir compreende essas situações, naturalmente, mas se eu lhes contasse do que me vai na alma e preciso e me perturba, sentiriam distanciamento, apesar de serem coisas mais importantes. Mas como a maioria não sente essa falta, não liga tanto. E assim sinto que os outros são mimados em comparação. Parece arrogante mas é o que sinto, assim mesmo. Sinto inveja mas também desprezo. Acima de tudo, sinto-me longe.
Eles vivem a sua vida assim porque podem e eu também queria poder. E não poder custa muito, deixa-me para trás e é muito injusto. Em tempos, por isto, esta vontade frustrada, agi mal para muita gente, por isso os perdi. Porque podemos sentir que os outros são mimados, sentir inveja e desprezo, mas mesmo assim gostar muito deles e querer ser seu amigo e manter a amizade.
E depois também não suporto tanta parvoíce pegada. E quero fugir disso mas mais uma vez não tenho poder para isso. E se fujo da parvoíce no trabalho e na rua, só começo a preocupar-me a sério quando penso na que vou encontrar em casa e na melhor forma de a evitar. Não sou valorizado pelos outros como mereço e a culpa não é só minha.
Esta auto-comiseração é tudo o que não gosto de ver na atitude, na filosofia de vida de uma pessoa. Por isso tudo se torna ainda mais frustrante e humilhante. Levantar-me da cama é uma luta, como são todas as pequenas coisas - saber que tenho de ir ao Banco, ou tirar fotografias, ou tratar do Cartão de Cidadão... saber que tenho de fazer qualquer coisa dá cabo de mim de uma forma que não é normal. Também queria comprar uma camisola e uns sapatos novos nos saldos mas ainda não fui e nem sei se vou, não tenho vontade de pensar nisso. Só quero ficar fechado no meu quarto, estar na internet e ver televisão e aproveitar esse tempo para não me preocupar com o resto.
Não imaginava que estas fossem ser as "vontades" que teria por esta altura da vida quando era mais novo. Ninguém o faz. E entristecem-me. Mas eu estou muito longe...
Sinto que está tudo à minha volta a ficar louco de tão insuportável. Como sentirão as pessoas que vivem em países com ditaduras rígidas e sem expectativas de mudança, que não têm liberdade nem decisão sobre as suas vidas porque não podem, querem muito mas é como se tivessem uma bota gigante a pisar-lhes constantemente a cara.
Tuesday, January 06, 2009
When Love Breaks Down
My love and I, we work well together
But often we're apart
Absence makes the heart lose weight, yeah,
Till love breaks down, love breaks down
Oh my, oh my, have you seen the weather
The sweet September rain
Rain on me like no other
Until I drown, until I drown
When love breaks down
The things you do
To stop the truth from hurting you
When love breaks down
The lies we tell,
They only serve to fool ourselves,
When love breaks down
The things you do
To stop the truth from hurting you
When love breaks down, when love breaks down
My love and I, we are boxing clever
She'll never crowd me out
Fall be free as old confetti
And paint the town, paint the town
When love breaks down
The things you do
To stop the truth from hurtin' you
When love breaks down
The lies we tell,
They only serve to fool ourselves,
When love breaks down
The things you do
To stop the truth from hurtin' you
When love breaks down
You join the wrecks
Who leave their hearts for easy sex
When love breaks down, when love breaks down
"When Love Breaks Down", in Steve McQueen, Prefab Sprout, 1985
Monday, January 05, 2009
Muitas vezes,
gostava de dizer à minha Mãe que gosto muito dela e me preocupo muito com ela. Abraçá-la com força e dar-lhe um beijo na cara quando lhe acontece algo que a perturbe ou a incomode ou então só porque sim, apenas porque sou o seu filho e gosto dela.
Mas não dá.
Mas não dá.
Humor (britânico) para começar o ano
Teorias sobre peitos
Ele é fã dos maiores hits de Beethoven
THE OFFICE - Christmas Special
Friday, January 02, 2009
Sons para começar o ano
NOUVELLE VAGUE - "Sweet and Tender Hooligan"
Há algo que me incomoda nesta versão (a voz dela?) mas não consigo parar de a ouvir
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