Sunday, January 18, 2009
Viver mal os problemas
Laurinda Alves
Eu sei :(
Este filme é muito estranho e muito intrigante
"INLAND EMPIRE", David Lynch, 2006
Os filmes de David Lynch costumam ser assim, mas neste sentimos o tapete sair debaixo dos nossos pés mais vezes que o normal para o realizador em apreço.
Vai requerer mais uns quantos visionamentos se eu o quiser "apanhar".
(E a banda-sonora é mais uma vez uma surpresa e uma delícia)
Saturday, January 17, 2009
Estive durante muito tempo - enquanto crescia e me assimilava na adultez - só a um passo daquilo que precisava em determinada fase, mas nunca tive o que era necessário para o dar. Ou quando o dava (finalmente!) já era um pouco tarde e tinha de fazer ajustes que deixavam marcas. Nunca fui assim por falta de vontade mas por falta de poder. E com o avançar da vida tudo se torna mais difícil.
E como podia ter sido tudo evitado... nunca me faltou nada, materialmente. Mas sinto que faltou tudo o resto (meus pais - cada um à sua maneira, de costas voltadas um para o outro -, tão bem-avontadados, tão ingénuos, tão negligentes, tanto e tanto mal provocaram!!).
Sempre foi o cabo dos trabalhos interagir com os outros. Sentia-me melhor estando só, comigo e com as minhas coisas, não porque gostava, mas pelo mal-estar horrível que evitava sentir. E porque poucos frutos me trazia. Porque ninguém tem interesse numa pessoa entediante. Não porque eu quisesse ser assim - era a última coisa que queria - mas porque pouco tinha para dar. E só teriam sido necessários alguns (pouquíssimos e certeiros) passos para tudo isto mudar... porque a única e mais importante coisa que queria (e também a que mais me afligia) era ter bons amigos...
O meu estilo e experiências de vida sempre foram muito diferentes dos outros. Se ao menos eu tivesse um talento, qualquer, em que pudesse exprimir este mal-estar...talvez aí conseguisse chegar a alguém... mas acho que não nasci para ser artista. É uma coisa que se tem ou não se tem dentro de si. E se o tivesse, já tinha de começar a ser desenvolvido há muito... (como eu queria ser actor quando tinha 16 anos, como me desencorajaram e me fizeram ter medo e duvidar de mim...)
Escrevo isto no passado mas podia escrever no presente.
Às vezes, só me apetece partir tudo. Sobretudo quando estou mais calado, distante e imóvel, quando pareço mais inofensivo.
Vejo tanta gente que não é melhor que eu EM NADA a sair-se muito melhor na vida... e só me faltaram alguns passos para também ser assim... quem olha para mim, fala comigo e conhece os aspectos mais imediatos da minha vida, fica com uma ideia tão errada de quem sou, cá dentro... estou farto de me darem tão pouco valor, não mereço...
(Lá estou eu, só queixas mais queixas. Quanto eu detesto ser assim, quanto eu detesto as pessoas que são assim!!!)
Solidão Ó solidão! À noite, quando, estranho,
Vagueio sem destino, pelas ruas,
O mar todo é de pedra... E continuas.
Todo o vento é poeira... E continuas.
A Lua, fria, pesa... E continuas.
Uma hora passa e outra... E continuas.
Nas minhas mãos vazias continuas,
No meu sexo indomável continuas,
Na minha branca insónia continuas,
Paro como quem foge. E continuas.
Chamo por toda a gente. E continuas.
Ninguém me ouve. Ninguém! E continuas.
Invento um verso... E rasgo-o. E continuas.
Eterna, continuas... Mas sei por fim que sou do teu tamanho!
Pedro Homem de Mello, in "O Rapaz da Camisola Verde"
Friday, January 16, 2009
O meu primeiro computador

Sinclair ZX Spectrum 48k
Lembro-me das teclas de borracha e do plástico à volta a saltar. Também de que era preciso um transformador e um gravador de cassetes (que já foi para o lixo).
Os jogos demoravam 5 minutos (ou mais) a carregar e tinham de aparecer os risquinhos à volta da imagem, senão era sinal de que não estava a ler bem.
A cozinha ficava toda cheia de fios (para desagrado da minha coitada mãe!), porque era na televisão da cozinha que jogava e que, por vezes, passei dias inteiros.
Ainda me lembro do meu pai montar pela 1ª vez o computador na televisão da sala - talvez em 1983 - e eu em pulgas para jogar ao jogo de futebol que ele também tinha comprado.
Estas coisas fazem-me lembrar uma outra época, mais inocente, irresponsável e mais feliz.
Apetece-me teclar LOAD "", ENTER...
Hoje,
(Ela não vai estar cá para sempre, por isso vou aproveitar estes momentos também para me lembrar deles, mais tarde)
Thursday, January 15, 2009
Enquanto não sentir que a concentração necessária para ler um livro está de volta, isto vai ser o seu substituto.
(Tem sido a partir dessas consultas que tenho estado em contacto, p. ex., com Clarice Lispector, Sara :)
Eternal Sunshine of the Spotless Mind
"Eternal Sunshine of the Spotless Mind", Michel Gondry, 2004
Vi este filme de novo e ainda bem. Sinto... um certo conforto, acho. Sabe bem.
FrustraçãoFoi bonito
O meu sonho de amor.
Floriram em redor
Todos os campos em pousio.
Um sol de Abril brilhou em pleno estio,
Lavado e promissor.
Só que não houve frutos
Dessa primavera.
A vida disse que era
Tarde demais.
E que as paixões tardias
São ironias
Dos deuses desleais.
Miguel Torga, in "Diário XV"
Wednesday, January 14, 2009
Monday, January 12, 2009
Sinto saudades
Sunday, January 11, 2009
Ser
Clarice Lispector, in "Perto do Coração Selvagem"
Friday, January 09, 2009
A Tirania do Medo
Bertrand Russell, in "A Última Oportunidade do Homem"
Ofensa
É uma experiência muito simples que acontece quase diariamente, e ainda para mais quando existe algum outro segredo, uma aflição no coração, para o qual se deseja dar uma expressão verbal mas que não se consegue.
Fiodor Dostoievski, in "Humilhados e Ofendidos"
Thursday, January 08, 2009
Para aliviar o peso do post anterior
Little Britain USA
Quando é que esta nova série (agora nos EUA) começa cá?
Está tudo a ficar louco
Mas essas coisas são sobretudo aceleradores, aumentam a velocidade e intensidade do que já lá está. Eu ouço e leio sobre tudo isso.
E também ouço as conversas e todo o tipo de preocupações correntes das pessoas no trabalho, nos transportes, na rua, que passam ao lado da crise geral e se focam mais na crise pessoal, na forma como podem ser felizes e lidar com o quotidiano de modo a concretizarem o que desejam. Mas sinto-me sempre longe. Para começar com essas preocupações, primeiro teria de resolver muito da minha vida que não posso. E quando vejo alguém quase chorar por causa do/a namorado/a, exaltar-se e afligir-se por coisas que sinto serem menores em relação ao que tenho de suportar (mas que fazem parte da vida normal da média das pessoas), apetece-me gritar. Até porque quem está a ouvir compreende essas situações, naturalmente, mas se eu lhes contasse do que me vai na alma e preciso e me perturba, sentiriam distanciamento, apesar de serem coisas mais importantes. Mas como a maioria não sente essa falta, não liga tanto. E assim sinto que os outros são mimados em comparação. Parece arrogante mas é o que sinto, assim mesmo. Sinto inveja mas também desprezo. Acima de tudo, sinto-me longe.
Eles vivem a sua vida assim porque podem e eu também queria poder. E não poder custa muito, deixa-me para trás e é muito injusto. Em tempos, por isto, esta vontade frustrada, agi mal para muita gente, por isso os perdi. Porque podemos sentir que os outros são mimados, sentir inveja e desprezo, mas mesmo assim gostar muito deles e querer ser seu amigo e manter a amizade.
E depois também não suporto tanta parvoíce pegada. E quero fugir disso mas mais uma vez não tenho poder para isso. E se fujo da parvoíce no trabalho e na rua, só começo a preocupar-me a sério quando penso na que vou encontrar em casa e na melhor forma de a evitar. Não sou valorizado pelos outros como mereço e a culpa não é só minha.
Esta auto-comiseração é tudo o que não gosto de ver na atitude, na filosofia de vida de uma pessoa. Por isso tudo se torna ainda mais frustrante e humilhante. Levantar-me da cama é uma luta, como são todas as pequenas coisas - saber que tenho de ir ao Banco, ou tirar fotografias, ou tratar do Cartão de Cidadão... saber que tenho de fazer qualquer coisa dá cabo de mim de uma forma que não é normal. Também queria comprar uma camisola e uns sapatos novos nos saldos mas ainda não fui e nem sei se vou, não tenho vontade de pensar nisso. Só quero ficar fechado no meu quarto, estar na internet e ver televisão e aproveitar esse tempo para não me preocupar com o resto.
Não imaginava que estas fossem ser as "vontades" que teria por esta altura da vida quando era mais novo. Ninguém o faz. E entristecem-me. Mas eu estou muito longe...
Sinto que está tudo à minha volta a ficar louco de tão insuportável. Como sentirão as pessoas que vivem em países com ditaduras rígidas e sem expectativas de mudança, que não têm liberdade nem decisão sobre as suas vidas porque não podem, querem muito mas é como se tivessem uma bota gigante a pisar-lhes constantemente a cara.
Tuesday, January 06, 2009
When Love Breaks Down
My love and I, we work well together
But often we're apart
Absence makes the heart lose weight, yeah,
Till love breaks down, love breaks down
Oh my, oh my, have you seen the weather
The sweet September rain
Rain on me like no other
Until I drown, until I drown
When love breaks down
The things you do
To stop the truth from hurting you
When love breaks down
The lies we tell,
They only serve to fool ourselves,
When love breaks down
The things you do
To stop the truth from hurting you
When love breaks down, when love breaks down
My love and I, we are boxing clever
She'll never crowd me out
Fall be free as old confetti
And paint the town, paint the town
When love breaks down
The things you do
To stop the truth from hurtin' you
When love breaks down
The lies we tell,
They only serve to fool ourselves,
When love breaks down
The things you do
To stop the truth from hurtin' you
When love breaks down
You join the wrecks
Who leave their hearts for easy sex
When love breaks down, when love breaks down
"When Love Breaks Down", in Steve McQueen, Prefab Sprout, 1985
Monday, January 05, 2009
Muitas vezes,
Mas não dá.
Humor (britânico) para começar o ano
Teorias sobre peitos
Ele é fã dos maiores hits de Beethoven
THE OFFICE - Christmas Special
Friday, January 02, 2009
Sons para começar o ano
NOUVELLE VAGUE - "Sweet and Tender Hooligan"
Há algo que me incomoda nesta versão (a voz dela?) mas não consigo parar de a ouvir
Wednesday, December 31, 2008
Fim de Ano / Novo Ano
Esta época, de balanço, mais uma vez trouxe-me recordações e sensações difíceis, a cada ano que passa tenho menos aquela ideia e desejo de quando era mais novo de que, daqui a uns anos, isto vai melhorar e vou deixar de me preocupar tanto. Incapaz para alterar o quer que seja, por falta de capacidade ou de vontade, sinto-me resignado com a vida e ainda sou muito novo para isso. Mas as janelas de oportunidade de saída há muito se fecharam. E com pais demasiadamente imbecis e crianças e com quem não se consegue encontrar um ponto, uma coisinha importante onde possa existir um entendimento entre mim eles (nem entre eles, nem com eles próprios), com esta depressão que está cá desde que me lembro de mim, que me restringe e me deixa isolado e sem aptidões sociais, que não me deixam ser amigo de ninguém (e assim são poucos os que querem ser meus amigos).
As convenções fazem-me sentir um mimado por estar assim apesar de haver muitas pessoas no mundo que estão a morrer de fome ou não têm um tecto para viver... é verdade, mas também não choro por não ser rico...tenho as minhas expectativas que fazem de mim uma pessoa normal, com aspirações normais... sentir-me numa família que seja minimamente adulta, para acabar com a sensação de desamparo; não ter perdido todos aqueles amigos que perdi por não saber demonstrar como gosto dos outros; ter um trabalho que faça uso do meu potencial que sei que tenho, porque quero esconder-me, porque tenho muito a esconder a nada a querer partilhar... e já agora, estar num mundo em que a maioria das pessoas não vá ficando cada vez mais pobre de espírito...
Para acabar numa tom positivo, desejo a todos, com muita sinceridade, um excelente ano de 2009, com um pouco desta alegria e esperança que o Charlie Brown e os amigos transmitem
Monday, December 29, 2008
Wednesday, December 24, 2008
Tuesday, December 23, 2008
Antes do Martini man...
Aqui estão 2 anúncios da Martini de meados dos anos 80 que só podiam ser dos anos 80 (a tal atmosfera à la eighties...). Parecem um gelado (um Cornetto, talvez?) no fim de uma tarde de Verão passada na praia (na praia da Figueirinha ou na Tróia) - passageiros, inconsequentes, leves, refrescantes, deliciosos e que te deixam feliz no final e a pedir por mais. Como uma boa canção pop.
Têm em mim o efeito que tem aquelas coisas que ficam no nosso imaginário desde pequenos e que, quando revisitadas décadas depois, mesmo quando pensamos que já não nos lembrávamos, fazem um clique imediato e nos despertam para algo de que gostamos mas que estava perdido na memória. Em mim, despertam-me para uma certa inocência e alegria de viver que sentia em criança, que é típica do ser criança.
Se fosse mais emocional com estas coisas já estava a chorar :)
(e a rapariga, a mesma nos 2 anúncios, agora é uma dona-de-casa desesperada!)
Tangerine Dream
"Love on a Real Train"
imagens do filme RISKY BUSINESS, Paul Brickman, 1983
Descobri esta música - este som - neste filme onde o Tom Cruise até parecia ser um bom actor. Tem aqueles sintetizadores à anos 80 de que me recordo quando era muito novo, um som e um imaginário nos filmes, músicas e anúncios muito new wave que me deixavam fascinado, com uma cor e plasticidade e, sobretudo, uma atmosfera muito próprios. (Alguém se lembra do anúncio da Martini, com uma rapariga de patins a atravessar meia Los Angeles para levar um Martini a uma reunião de negócios yuppie num último andar de um arranha-céus?).
Acho que estou a apanhar uma febre de revisitação a filmes e bandas-sonoras típicas dos anos 80 não tarda nada...
Saturday, December 20, 2008
Friday, December 19, 2008
Mais 2 poemas
O que sonhei e antes de vivido
Era perfeito e lúcido e divino,
Tudo quanto sonhei se foi perdido
Nas ondas caprichosas do destino.
Que os fados em mim mesmo depuseram
Razões de ser e de não ser, contrárias,
Nas emoções que, dentro em mim, cresceram
Tumultuosas, carinhosas, várias.
Naqueles seres que fui dentro de um ser,
Que viveram de mais para eu viver
A minha vida luminosa e calma,
Se desdobraram gestos de menino
E rudes arremedos de assassino.
Foram almas de mais numa só alma.
Francisco Bugalho, in "Dispersos e Inéditos"
Os Amigos
Os amigos amei
despido de ternura
fatigada;
uns iam, outros vinham,
a nenhum perguntava
porque partia,
porque ficava;
era pouco o que tinha,
pouco o que dava,
mas também só queria
partilhar
a sede de alegria —
por mais amarga.
Eugénio de Andrade, in "Coração do Dia"
Num outro blogue
Thursday, December 18, 2008
2 poemas sobre
O que Me Dói não É
O que me dói não é
O que há no coração
Mas essas coisas lindas
Que nunca existirão...
São as formas sem forma
Que passam sem que a dor
As possa conhecer
Ou as sonhar o amor.
São como se a tristeza
Fosse árvore e, uma a uma,
Caíssem suas folhas
Entre o vestígio e a bruma.
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
A Dor Tem um Elemento de Vazio
A Dor - tem um Elemento de Vazio -
Não se consegue lembrar
De quando começou - ou se houve
Um tempo em que não existiu -
Não tem Futuro - para lá de si própria -
O seu Infinito contém
O seu Passado - iluminado para aperceber
Novas Épocas - de Dor.
Emily Dickinson, in "Poemas e Cartas"
Tradução de Nuno Júdice
Sunday, December 14, 2008
Saturday, December 13, 2008
Quero melhorar depressa sobretudo para me livrar de tudo isto. :@
Thursday, December 11, 2008
O Programa Do Aleixo III
A tinha amarela; os sinais na Sueca; os hamburgueres que se decompõem; os iogurtes sem prazo de validade; as peças para rir, os trunfos na Sueca e a metáfora; o rissól no auto-rádio; o Bocage e a anedota do Bocage; o Bruno que não foi ver o Monty Python; esquentador e cilindro, o nojo em tomar banho nas pensões; tomar banho em casa do Miguel Guilherme - com um shampoo 2 em 1 (grande) - mas tomar banho na casa do Bruno já não pode ser.
Monday, December 08, 2008
Há anos que não tinha soluços,
Levantar-me às 06:30 num feriado é mau, ter a companhia dos soluços para o resto do dia é bem pior...
Friday, December 05, 2008
Da (ausência na) amizade
in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida', Arthur Schopenhauer
Thursday, December 04, 2008
Woman Power
"Little Bit" - Lykke Li
"Lights Out" - Santogold
"Paris Is Burning" - Ladyhawke
Monday, December 01, 2008
Programa do Aleixo II
Cada vez me cai mais no goto. Já o prefiro ao Gato Fedorento (versão Zé Carlos), aos Contemporâneos e à Liga dos Últimos, e isso é dizer muito.
Sunday, November 30, 2008
Saturday, November 29, 2008
A chuva
O dia deu em chuvoso.
A manhã, contudo, esteve bastante azul.
O dia deu em chuvoso.
Desde manhã eu estava um pouco triste.
Antecipação! Tristeza? Coisa nenhuma?
Não sei: já ao acordar estava triste.
O dia deu em chuvoso.
Bem sei, a penumbra da chuva é elegante.
Bem sei: o sol oprime, por ser tão ordinário, um elegante.
Bem sei: ser susceptível às mudanças de luz não é elegante.
Mas quem disse ao sol ou aos outros que eu quero ser elegante?
Dêem-me o céu azul e o sol visível.
Névoa, chuvas, escuros — isso tenho eu em mim.
Hoje quero só sossego.
Até amaria o lar, desde que o não tivesse.
Chego a ter sono de vontade de ter sossego.
Não exageremos!
Tenho efetivamente sono, sem explicação.
O dia deu em chuvoso.
Carinhos? Afetos? São memórias...
É preciso ser-se criança para os ter...
Minha madrugada perdida, meu céu azul verdadeiro!
O dia deu em chuvoso.
Boca bonita da filha do caseiro,
Polpa de fruta de um coração por comer...
Quando foi isso? Não sei...
No azul da manhã...
O dia deu em chuvoso.
"Trapo", in "Poesias", Álvaro de Campos

Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol.
Ambos existem; cada um como é.
"Um Dia de Chuva", in "Poemas Inconjuntos", Alberto Caeiro
Friday, November 28, 2008
Estou letárgico,
Thursday, November 27, 2008
Tuesday, November 25, 2008
These days
Sunday, November 23, 2008
Esquizoidia
Posto de Escuta
"Fantastic Playroom" - New Young Pony Club
"Ladyhawke" - Ladyhawke
"The First Album" - Madonna
"Moon Safari" - Air
"Psyence Fiction" - UNKLE
"White Album" - The Beatles
Canções:
"Open Invitation" - Black Rebel Motorcycle Club
"Emotional Rescue" - The Rolling Stones
"Sex On Fire" - Kings Of Leon
"Apollo-Gize" (Fred Falke edit) - Digitalism
"Harbour" - Moby feat. Sinéad O'Connor
"Little Bit" (CSS remix) - Lykke Li
"Paris" (Aeroplane remix) - Friendly Fires feat. Au Revoir Simone
"End Of The Road" - The Teenagers
As minhas séries de TV
Por nenhuma ordem em especial.
Comédia britânica:
"Absolutamente Fabulosas"
"Big Train"
"Blackadder"
"Da Ali G Show"
"Extras"
"Fawlty Towers"
"Green Wing"
"...Alan Partridge"
"Little Britain"
"Monty Python"
"Nighty Night"
"Peep Show"
"Smack The Pony"
"Spaced"
"Teachers"
"The Catherine Tate Show"
"The Office"
"The Royle Family"
Comédia norte-americana:
"Uma Família às Direitas"
"Ally McBeal"
"Arrested Development"
"Chappelle's Show"
"Calma, Larry"
"Quem Sai aos Seus"
"Flight of the Conchords"
"Frasier"
"Late Night with Conan O'Brien"
"Seinfeld"
"The Comeback"
"The Daily Show with Jon Stewart"
Drama/Acção britânico:
"Doctor Who"
"Prime Suspect"
"Testemunha Silenciosa"
"Waking the Dead"
Drama/Acção norte-americano:
"Big Love"
"Buffy"
"CSI"
"Californication"
"Carnivale"
"Sem Escrúpulos"
"Dexter"
"Entourage"
"Friday Night Lights"
"House"
"Huff"
"Balada de Hill Street"
"Joan of Arcadia"
"Kyle XY"
"Medium"
"Balada de Nova Iorque"
"Nip/Tuck"
"Lost"
"Oz"
"Começar de Novo"
"Adultos à Força"
"Rescue Me"
"Roma"
"Sete Palmos de Terra"
"Sleeper Cell"
"O Protector"
"Twin Peaks"
"Unscripted"
"Os Sopranos"
"Erva"
Animação:
"Charlie Brown"
"Count Duckula"
"Daria"
"Family Guy"
"Dr Katz"
"Home Movies"
"Samurai Jack"
"South Park"
"Os Simpsons"
Eu vejo televisão a mais, eu sei...
Saturday, November 22, 2008
Sunday, November 16, 2008
guilty pleasure
OK, não é bem guilty pleasure porque eu acho que é mesmo muito bom: adoro e sempre adorei a Madonna dos anos 80. Nos anos 90 o interesse desvaneceu-se um pouco e nesta década só pontualmente adiro à sua onda mais direccionada para as pistas de dança, mas os seus anos 80 foram fabulosos! Era uma altura em que os excessos, o consumismo, o plasticismo, etc. tinham uma aura diferente porque não se faziam estas músicas só para atingir a fama e o sucesso mas também para abanar um pouco o panorama na música, na imagem e na sociedade - nas mentalidades. Eu tinha uma crush infantil por ela, impressionava-me muito pelo estilo muito moderno, por ser muito gira, por dançar bem e ter canções mutio viciantes.
Eu era pequeno e lembro-me de sair da escola primária e ir a correr para minha casa ou da minha tia para ver, primeiro, o D'Artacão, e depois um programa intitulado Countdown que passava na RTP 2 e que me introduziu, para além de Madonna, também Prince, Michael Jackson, U2, Depeche Mode, New Order, etc. e, sobretudo, despertou o meu gosto insaciável pelo pop-rock que jamais desaparecerá.
As primeiras música que me lembro de ouvir e ver foram os videoclips de Like a Virgin e Material Girl (ambos do 2º album) num programa que penso se chamava Top 20 - um ranking dos mais vendidos da semana em Portugal que passava na RTP ao Sábado ou Domingo à tarde - e depois prolonguei o interesse no tal Countdown em que cada video e musica me fascinava - True Blue, Open Your Heart, Papa Don't Preach, Live To Tell, Crazy For You, Into The Groove, La Isla Bonita, Who's That Girl, Oh Father... estes dos 3º e 4 º albuns, penso.
Mas hoje, aquelas que mexem mais comigo são as do 1º album, aquelas onde Madonna dava tudo por tudo para que dessem por ela porque estava obcecada por ser uma estrela. Por isso são todas as musicas tão boas, como Borderline, Holiday, Burning Up e Lucky Star, que foi o video que escolhi para pôr aqui porque adoro aquele início.
É diversão inconsequente assumida, da melhor de sempre na música pop. Porque muitas vezes também precisamos de dançar e cantarolar desalmadamente só porque sim.
Wednesday, November 12, 2008
Esqueço-me quase sempre disto
"Só vale a pena escrever quando se tem algo de importante para dizer: importante para quem lê e não para quem escreve."
Mas o meu umbigo é tão grande...
Monday, November 10, 2008
Atchim!!
Não tenho nada para dizer,
As coisas estão cada vez mais na mesma quando cada vez mais deviam não ficar na mesma. E não tenho forças nem vontade nem (sobretudo) capacidade de lhes dar uma volta.
Não tenho nada para dizer.
Sunday, November 02, 2008
A Queda
Eu próprio turbilhão, anseio por fixá-la
E giro até partir... Mas tudo me resvala
Em bruma e sonolência.
Se acaso em minhas mãos fica um pedaço de ouro,
Volve-se logo falso... ao longe o arremesso...
Eu morro de desdém em frente dum tesouro,
Morro á mingua, de excesso.
Alteio-me na côr à fôrça de quebranto,
Estendo os braços de alma - e nem um espasmo venço!...
Peneiro-me na sombra - em nada me condenso...
Agonias de luz eu vibro ainda entanto.
Não me pude vencer, mas posso-me esmagar,
- Vencer ás vezes é o mesmo que tombar -
E como inda sou luz, num grande retrocesso,
Em raivas ideais, ascendo até ao fim:
Olho do alto o gêlo, ao gêlo me arremesso...
. . . . . . . . . . . . . . .
Tombei...
E fico só esmagado sobre mim!..."
"A Queda", in "Dispersão", Mário Sá-Carneiro
Saturday, November 01, 2008
Cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço."
excerto do poema "O que há em mim é sobretudo cansaço", in "Poesias", Álvaro de Campos
"Ele fala do cansaço assumido como coisa em si mesma, sem já ser condição. Este tédio, (...), soa muito a desapontamento, a conclusões falhadas, objectivos não atingidos."
Friday, October 31, 2008
Thursday, October 30, 2008
Não Confundas o Amor Com o Delírio da Posse
"Não confundas o amor com o delírio da posse, que acarreta os piores sofrimentos. Porque, contrariamente à opinião comum, o amor não faz sofrer. O instinto de propriedade, que é o contrário do amor, esse é que faz sofrer. (...). Eu sei assim reconhecer aquele que ama verdadeiramente: é que ele não pode ser prejudicado. O amor verdadeiro começa lá onde não se espera mais nada em troca."
in "Cidadela", Antoine de Saint-Exupéry
Estes putos de hoje...
Fiquei com o dia estragado.
Wednesday, October 29, 2008
Twin Peaks
Só esta semana me apercebi que está a passar no FX, à meia-noite. Se esta não é a minha série favorita de sempre então não sei qual é. Até já tenho um novo ambiente de trabalho no PC do Twin Peaks... um dia destes vou tirar o pó das não-sei-quantas VHS que tenho com todos os 30 episódios e passar umas horas valentes em frente à TV, à moda antiga (quando ainda não havia DVD's) :)
David Lynch: "A continuing story is a beautiful thing to me, and mystery is a beautiful thing to me, so if you have a continuing mystery, it's so beautiful."
Capas de Culto
Gostava de ter um blogue assim.
Tuesday, October 28, 2008
Alice e a lagarta
-- "I don't see," said the Caterpillar.
-- "I'm afraid I can't put it more clearly," Alice replied very politely, "for I can't understand it myself to begin with; and being so many different sizes in a day is very confusing."
-- "It isn't," said the Caterpillar.
(from Alice in Wonderland)
Monday, October 27, 2008
Saturday, October 25, 2008
...e deste também
para além das bolas saltitantes e dos coelhinhos, foi feito ainda um 3º anúncio para o Sony Bravia, bem mais explosivo, e com direito a chuva (de tinta) no final
"La Gazza Ladra (abertura)", Gioachino Rossini, 1817
Gosto muito deste anúncio...
pela música do Nick Drake, pela fotografia, pela atmosfera, é o mais belo anúncio da Volkswagen
"Pink Moon", Nick Drake, 1972
Friday, October 24, 2008
Filmes de que gosto e que têm a ver uns com os outros - II
"Persona"; "Lágrimas e Suspiros"; "Sonata de Outono" - Ingmar Bergman
"Uma Outra Mulher" - Woody Allen
"Mulholland Dr." - David Lynch
"Inadaptado" - Spike Jonze
"Ghost World" -Terry Zwigoff
Filmes de que gosto e que têm a ver uns com os outros
"High School" (este mais sobre a escola) - Frederick Wiseman
"Kids"; "Wassup Rockers" - Larry Clark
"Elephant"; "Paranoid Park" - Gus Van Sant
O beijo
Wednesday, October 22, 2008
Chopin por Bergman
SONATA DE OUTONO, Ingmar Bergman, 1978
"Prelúdio, Op. 28, No. 2: Prelúdio em La menor", Frédéric Chopin, 1838
Tuesday, October 21, 2008
É muito mau
Eu sei que é injusto tomar uma parte pelo todo e ignorar que, no meio daqueles, houve quem assistisse com atenção ao filme, que há adolescentes cujos prazeres na vida não se limitam a consumir e a gastar. Mas depois também me lembro quando, no meu 9º ano (início dos anos 90), a escola organizou uma ida de todas as turmas do 9º a um concerto de música clássica que durou cerca de 5 minutos... tal era o barulho na sala que os músicos se recusaram a continuar, saíram do palco julgando assim chamar a plateia à razão. Mas, ao verem os músicos abandonar o palco, foi tal o alívio de todos que se levantaram de imediato em direcção à saída, parecia que estavam muito atrasados para ir a um algum sítio... e os professores a verem... eu fiquei parvo mas foi mesmo assim, parecia que tinham acabado de livrar aquele pessoal todo de um grande suplício... depois foram todos para os cafés, seus habitats naturais da época... (e eu fui com eles, infelizmente...)
O cinema de ontem recordou-me este episódio, e também me recordou que cresci a sentir-me diferente de quase todos os outros da minha geração (pelo menos os que frequentavam as mesmas escolas que eu - e foram 4 escolas, do 5º ao 12º) nas sensibilidades e nos comportamentos.
Saturday, October 18, 2008
Mas porque é que, ultimamente,
Thursday, October 16, 2008
Tuesday, October 14, 2008
Rouge

Gosto tanto desta fotografia de promoção ao filme VERMELHO, Krzysztof Kieslowski, 1994, que me apeteceu postá-la. É uma imagem que me assombrava de tempos em tempos em meados dos anos 90. Tudo é belo: a Iréne Jacob, a expressão, o perfil, o vermelho, o negro, e sobretudo o filme que representa.
Juíz: Parta. É o seu destino. Não pode viver pelo seu irmão.
Valentine: Mas eu amo-o. Se ao menos o pudesse ajudar...
Juíz: E pode. Seja.
Valentine: O que quer dizer?
Juíz: Só isso: seja.
Sunday, October 12, 2008
9ª festa do cinema francês

Vesti-me de espírito festivaleiro e fui pela 1ª vez, nesta edição, assistir a sessões da Festa do Cinema Francês. Escolhi 2 filmes ao acaso e sobretudo com a preocupação de terem horários compatíveis com o trabalho e os autocarros e saí de ambas as sessões, como dizia o outro, maravilhado. É sempre um prazer e um alívio descobrir um cinema e autores que nos estimulem o espírito, entramos num mundo em que nos podemos relacionar connosco e descobrir mais sobre nós, os outros, a condição humana. E descobri-los por acaso torna o gozo maior.

TOUT EST PARDONNÉ, Mia Hansen-Løve, 2007
Lembro-me quando comprava, há muito tempo e com alguma regularidade, a edição francesa da revista Prémiere (porque era mais barata que a americana e ainda não havia a portuguesa) e sentia curiosidade por todos aqueles filmes e actores dos quais só podia conhecer uma ínfima parte muito mais tarde, quando passavam na televisão. No entanto, a pilha de revistas no meu quarto levou-me a cortar nestes consumos e o interesse diminuiu. Mas sinto que agora vou começar a dar mais atenção aos filmes e cineastas franceses para lá dos consagrados.

UN BAISER, S'IL VOUS PLAIT, Emmanuel Mouret, 2007
É um sentimento agridoce, sinto que estive estes anos todos de cinefilia a passar ao lado de toda uma cinematografia muito estimulante. Mas a vida também é assim. E estes 2 filmes também causam tristeza e alegria.
Saturday, October 11, 2008
Só ontem
Sobre o amor
“Também é bom amar, pois o amor é coisa difícil. O amor de um ser humano por outro: isto é, talvez, o mais difícil que já nos foi incumbido. É a prova suprema e derradeira, a tarefa final, ante a qual todas as outras não foram senão um ensaio. Por isso, não sabem nem podem amar ainda os jovens, que em tudo são principiantes. Hão-de aprendê-lo. Com todo o seu ser, com todas as forças reunidas em torno do coração solitário e angustiado que palpita alvoraçadamente – devem aprender a amar. Mas toda a aprendizagem é sempre um longo período de retiro e clausura. Assim, o amor é por muito tempo e até muito longe dentro da vida, solidão, isolamento crescido e aprofundado por aquele que se ama. Amar não é, em princípio, nada que possa significar absorver-se em outro ser, nem entregar nem unir-se a ele. Pois, o que seria uma união entre dois seres inacabados, falhos de luz e liberdade? Amar é antes uma oportunidade, um motivo sublime, que se oferece a cada indivíduo para amadurecer e chegar a ser algo em si mesmo; para tornar-se um mundo, todo um mundo, por amor a outro.”
in “Cartas a Um Jovem Poeta” (sétima carta, de 14 de Maio de 1904), Rainer Maria Rilke
Wednesday, October 08, 2008
Posto de escuta
"Grace" - Jeff Buckley
"If You're Feeling Sinister", " The Boy With The Arab Strap", "Dear Catastrophe Waitress - Belle & Sebastian
"The Mirror Conspiracy" - Thievery Corporation
"The Stone Roses" - The Stone Roses
Canções:
"Lights Out" - Santogold
"No Kinda Man (Body Language Exclusive Track)" - Junior Boys
"Into The Galaxy" - Midnight Juggernauts
"Electric Feel" - MGMT
"La Mer" - Nine Inch Nails
"New Dark Age/Hothouse" - The Sound
"Sweet Blindness" - Laura Nyro
Monday, October 06, 2008
Saturday, October 04, 2008
La Mer
je deviendrais le ciel
et je deviendrais la mer
Et la mer va venir m'embrasser
Pour que j'aille à la maison
Rien ne pourra plus m'arrêter maintenant"
Tuesday, September 30, 2008
Friday, September 26, 2008
Thursday, September 25, 2008
Sinto isto vezes demais
não temos nada p'ra dar"
in "Encontro em Tânger", do álbum O Rapaz do Trapézio Voador, RÁDIO MACAU, 1989
Tuesday, September 23, 2008
Porque as coisas mais doces podem ser as mais simples
I'll go your way too"
The Sweetest Little Song, LEONARD COHEN, 2000
Ouvi uma vez o Miguel Esteves Cardoso dizer, na televisão, que a mulher lhe mostrou este poema para lhe explicar o que as mulheres querem dos homens
Eu costumo gostar de Setembro
Mas este está a ser horrível. E não é pelo tempo.
Saturday, September 20, 2008
Vida fantasma
O ser humano quer ser amado pelos outros, quer sentir pertença a algo, tanto na família, nos amigos como na sociedade. Só arriscamos ser odiados se tivermos as costas muito largas ou se sentirmos que nunca (mais) teremos valor, porque enquanto houver esperança de sermos amados não queremos entrar num ponto sem retorno.
Mas ninguém quer passar uma vida inteira como um fantasma.
Agora que releio este post, lembro-me da angústia de Gena Rowlands em NOITE DE ESTREIA, John Cassavetes, 1977, um mais que admirável filme que pode não ter tudo a ver com o que escrevi mas tem muito, muito a ver.
























